13 outubro 2005

Soy loco por ti America!

Muito interessante a exposição de arqueologia pré-colombiana no Centro Cultural do Banco do Brasil no Rio de Janeiro, com mais de 300 peças de vindas de vários paises, e uma apresentação visual impecável, assinada por Alex Peirano Chacon, e participação ativa de Helena Bomeny e da equipe do CPDOC. Senti falta da contribuição do Museu de Antropologia do México, que tem o mais importante acervo sobre as civilizações pré-colombianas existente, e fiquei frustrado com as poucas peças do belíssimo Museu do Ouro do Banco Central da Colômbia. Mas, para quem ainda não teve a chance de visitar estes museus, a exposição do CCBB é obrigatória.
O que eu não gostei foi concepção que guiou a montagem da exposição. A ideologia politicamente correta aparecia nos textos dos murais: toda a América tem um passado comum, apesar da incrível diversidade das civilizações pré-colombianas (inclusive as do Brasil, representadas por poucas mas belas peças marajoaras e de Santarém, mas nada acima do México, já que o Canadá e os Estados Unidos não aparecem), e por isto temos que aprender a amar-nos uns aos outros; não existem sociedades mais civilizadas do que outras, viver nu na selva brasileira ou nas grandes cidades maias era uma questão de opção, muitas vezes, entre a liberdade e a opressão; e as civilizações pré-colombianas, com sua matemática, astronomia e técnicas agrícolas, era tão ou mais avançadas quanto as da Europa ou Ásia (mas não era que não existiam civilizações mais ou menos avançadas?).
O pior que é que esta ideologia parece ter tido um impacto muito ruim sobre a exposição. As peças são reunidas por algum critério de semelhança, sem permitir uma visão separada das diferentes culturas e tradições; a relação entre os temas das salas e as peças apresentadas é tênue ou inexistente; e muitas peças não têm nenhuma indicação de o que são, e de onde vêm. Para dar dois exemplos: no segundo andar existe um enorme e magnífico totem que eu gostaria de saber se é original ou uma réplica, e de aonde veio, porque não tem nenhuma informação sobre ele; e, em uma sala dedicada ao tema da escrita e da comunicação (aonde se diz que todas as formas de comunicação visuais são iguais, dos desenhos das cavernas aos alfabetos fonéticos), existe um quipu maia, que era um sistema de notação matemática feita por nós em cordas, sem uma linha sequer para dizer ao público do que se trata.
Fiquei com gosto de quero mais, com menos ideologia e mais informação para o público.

2 Comentários:

Às 11:31 AM , Blogger Felipe disse...

Nunca vi falar tão bem e tão mal ao mesmo tempo :)

Isso que você tá falando me lembra muito da exposição sobre arte africana
que teve no CCBB. Peças belíssimas, curadoria difícil de entender.
Começavam falando da diversidade das culturas africanas e depois botavam
tudo organizado por temas, misturando épocas e culturas diferentes,
criando justamente a homogeneização que esse tipo de exposição deveria
desfazer.

 
Às 6:47 PM , Anonymous Yuri disse...

The quipu were from the Incas, I think. I guess if there had been an a sign next to the exhibit, we would know for sure. :)

 

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