11 fevereiro 2006

Alfabetizacao: luz no fim do tunel?

A Folha de São Paulo de hoje, 11 de fevereiro, dedica uma página à notícia de que o Ministério da Educação resolveu enfrentar o tabu e abrir espaço para a adoção do método fônico na alfabetização infantil, em contraponto ao chamado método construtivista que, em suas diversas modalidades, é adotado nos parâmetros curriculares adotados oficialmente no Brasil. Na matéria, o jornal entrevista a João Batista de Araujo e Oliveira, que fala do consenso internacional que existe hoje sobre a superioridade do método fônico, sobretudo em relação a crianças oriundas de famíias menos educadas e menos favorecidas, que geralmente não conseguem se beneficiar de metodologias aparentemente mais abertas. O Ministro é cauteloso, não chega a tomar posição a favor de um método ou de outro, mas só o fato de considerar esta possilidade e abrir espaço para discutir o tema já é uma grande contribuição.

Pelo que entendo, além de dar melhores resultados com crianças com menos capital cultural familiar, o método fônico tambem requer o desenvolvimento de materiais pedagógicos bem definidos e estruturados, que são necessários sobretudo para professores com pior formação. Em algumas de suas versões mais extremas, os defensores do método construtivista rejeitam a adoção de qualquer tipo de material pedagógico que já venha pronto, como algo autoritário e impositivo. É claro que estes materiais podem ser dispensados quando o professor é excelente e o aluno vem de um ambiente intelectualmene estimulante, mas, quando uma destas duas condições não se dá, o resultado tende a ser desastroso.

A matéria da Folha diz, em algum ponto, que o método construtivista foi adotado durante o governo Fernando Henrique Cardoso, e algumas pessoas poderiam pensar que a oposição entre os dois métodos é uma oposição ideológica entre PSDB e PT. Nada mais equivocado, e seria uma pena que a questão passasse a ser vista sob este prisma. Trata-se de uma questão de natureza técnica e pedagógica, que pode e tem sido testada, e sobre a qual temos que avançar, para ir reduzindo os níveis alarmantes de analfabetismo funcional que existem em nossas escolas.

3 Comentários:

Às 11:32 PM , Blogger Profa. Juliane Delfino disse...

É lamentável que a imposição tenha construído um ambiente autoritário no ensino. O ambiente de ensino deveria ser um local de se aprender com prazer!

 
Às 10:05 AM , Anonymous Maria Ligia Barbosa disse...

O mais interessante e verificar que as mesmas discussoes estao acontecendo na Franca, com pequenas diferencas: o Ministro Robien fez, em dezembro passado, uma circular que institui o metodo silabico (fonico) como forma obrigatoria de ensinar leitura. Justificativa: o fracasso espetacular e comprovado dos metodos construtivistas na alfabetizacao, inclusive de alunos oriundos de classes media e alta! Obviamente, a resistencia dos professores com menos de 45 anos (quase todos eles...) tem sido imensa pois eles foram formados sem qualquer conhecimento de metodos pedagogicos (estou falando da Franca...) mas uma pesquisa encomendada pelo ministerio demonstrou aue 85% dos pais estao aliviados pois percebiam a ineficiencia dos metodos oficialmente adotados nas escolas francesas. Prova disso: a cartilha editada pela primeira vez em 1905 (totalmente silabica)e mantida identica ate hoje, vende ainda, a cada ano, 100.000 exemplares mesmo nao sendo adotado em nenhuma escola! Trata-se dos pais desesperados tentando suprir o ensino que a escola se mostrava incapaz de dar.
A proposito da ideia de que o construtivismo foi adotado como politica do governo FHC:trata-se de um completo "non sense" que indica profundo desconhecimento do que se passa entre os professores brasileiros, seja no momento da sua formacao, seja na conducao dos seus trabalhos, seja nas suas diversas formas de associacao profissional e sindical.
Atencao: os erros de digitacao no texto acima nao foram produzidos pela minha alfabetizacao silabica/ fonica (gracas a deus!) mas pelos teclados europeus, nem sempre faceis para brasileiros...

 
Às 10:41 PM , Anonymous Mariana Timponi disse...

É triste ver que o medo do autoritarismo e da imposição gere uma situação tão perversa: Professores apegados a um método muitas vezes ineficiente e alunos que não aprendem a ler e a escrever. Não seria melhor ser um pouquinho autoritário e ensinar as crianças a ler? Quem sabe assim elas poderiam ler elas mesmas os livros, revistas e jornais e chegarem as suas próprias conclusões?

 

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