05 maio 2007

Adeus aos laptops?

Enquanto, no Brasil, o governo se mobiliza para comprar milhões de computadores para colocar nas mãos dos estudantes, nos Estados Unidos, conforme reportagem do The New York Times, as escolas estão abandonando estes programas, tendo concluido que custos de manutenção, da administração de redes, e dos problemas de disciplina associados à pornografia e ao uso abusivo dos computadores eram maiores do que seus benefícios. De fato, as escolas estão descobrindo que, longe de melhorar o desempenho, os laptops não têm nenhum efeito e até perturbam e atrapalham o desempenho acadêmico dos alunos. Segundo o NYT, a idéia dos políticos de que a tecnologia poderia trazer uma solução rápida e barata para os problemas da educação não funcionou.

O texto do The New York Times está disponível no link abaixo:

Seeing No Progress, Some Schools Drop Laptops

4 Comentários:

Às 4:45 PM , Anonymous Ricardo Matheus disse...

Se lá aconteceu deste modo, provavelmente aconteça aqui também, apesar de estar a favor da opção dos laptops, que darão acesso a informática e a internet, entretanto, estes contratempos são de difícil ajuste. É difícil comentar sobre o uso para fins de pornografia e até mesmo o uso para jogos, talvez o fator que tenha sido fundamental para que os educadores afirmarem que ele mais atrapalha que corrobora para as atividades educacionais.

Ricardo Matheus
Universidade de São Paulo - USP
Escola de Artes, Ciências e Humanidades - EACH
Curso de Gestão de Políticas Públicas

 
Às 4:51 PM , Anonymous José Roberto F. Militão, advogado disse...

Conforme a notícia abaixo, as escolas nos EUA estão abandonando o discurso único da inclusão digital como se fosse pré-requisito para um bom sistema de educação. Os especialistas estão comprovando que além do alto custo, o computador na escola não tem acrescido qualidade alguma à metodologia educacional. Fora a utilidade dos sites de buscas, não existem instrumentos e programas adequados para a pedagogia educacional do ensino fundamental e básico.

Também considero questionável investir milhões de dólares em ´computadores´ nas escola , quando nossa educação se encontra em situação lastimável, mal sabendo ler, e não compreendendo o que leem.

A própria experiência do ´Orkut´ e das ´Lan Houses´ que permeiam a periferia e cidades pequenas do interior do Brasil, nos confirmam que em sua ampla maioria - em decorrência do despreparo generalizado - os jovens somente empregam o acesso para bobagens e bate-papos irrelevantes e até pornográficos. Tenho filhos com 17 e 15 anos, e banda larga, em que procuro manter um rigoroso controle de acesso, tempo e conteúdo. Por eles, ficariam horas e horas, em bate-papos.

TERCEIRIZAÇÃO: Penso ainda, e coloco a proposta a ser melhor debatida, contra um investimento fixo em equipamentos tão voláteis, diante da necessidade de estimular o contato e conhecimento tecnológico àos estudantes da rede pública (não têm computador em casa), em vez do grande investimento público em equipamentos, software´s, pessoal, manutençao etc., creio que deveria ser experimentada, por 4 ou 5 anos, uma espécie de ´vale-inclusão digital´.

Portanto, viável a ´terceirização´ desse sistema acessório à educação, suficiente para acesso de 1 a 2 horas diárias, com a ´terceirização´ de Lan Houses, tal como outros serviços, xerox, lanchonetes etc, dentro da própria escola, com rigoroso controle de senhas, tempo, monitoria e conteúdo de acesso. Os demais milhões de dólares devam ser detinados a melhorar o salário dos educadores e as condições de ensino, uniformes, livros etc., incentivando a permanência e aproveitamento do horário escolar.

Apenas a título de argumento, numa escola com 1.000 alunos x 2 hs. = 2.000 horas em 20 dias/mes = 40.000 hs.

O preço de acesso numa ´Lan house´, com 100 equipamentos on line, pode ser obtido a R$ 0,60 = R$ 24.000 x 10 meses = 240.000 ano ou seja, por apenas R$ 240,00 per capita pode ser garantido o acesso a todos os estudantes.

Portanto, aos debatedores e especialistas

 
Às 6:51 PM , Anonymous Paulo Drummond disse...

Visitem o site htt://laptop.org/pt e entendam o que um laptop pode fazer pela educação. Aliás, como diz Nicholas Negroponte, substitua a palavra 'laptop' por 'educação'...

É preciso muito mais que um simples relatório — tendencioso e inconsistente — pra dizer que laptops podem fazer esse "mal" que agora educadores mofados do século 19 se arvoram em repetir.

Isso me faz lembrar a história do velho, do menino e do burro. Niguém nunca estará satisfeito e terá sempre alguém contra. Seja lá o que for.

 
Às 9:44 AM , Blogger Simon Schwartzman disse...

O site indicado por Paulo Drummond é o da empresa de Negroponte,One Laptop Per Child. Negroponte tambem não gostou do a artigo do New York Time, tanto que enviou uma carta que dizia, entre outras coisas:

"Laptop pilot programs in Maine, Brazil and Cambodia, to name a few places, have demonstrated that children use technology to explore, create and share ideas with others. Yes, kids are going to play video games and sometimes download adult content, but that’s part and parcel of living in a free and open society. It’s up to parents and teachers to help children learn how to evaluate different types of content.

It will be a tragedy if your article influences other schools not to invest in technology. While other countries are investing in laptops for their students, the United States is in danger of moving backward."

O que se sabe é que tem havido uma grande pressão sobre o governo brasileiro para decidir logo comprar um milhão de laptops de Negroponte, a um preço que já não é mais de cem dólares, mas próximo de 200. Enquanto isto, a Dell já está oferecendo laptops a preços próximos de 300 dólares, o que significa que, se Negroponte nao conseguir completar seu negócio com o Brasil logo, ele perderá em pouco tempo sua janela de oportunidade...

A evidência empírica, referida em postagem anterior, é que os laptops não fazem milagres, resolvendo os problemas de professores incompetentes e escolas desorganizadas. Não me parece razoável correr para fechar este negócio, que interessa primordialmente ao vendedor.

 

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