06 agosto 2007

Politicas sociais e reformas educacionais

Quais são os novos desafios para as políticas sociais na América Latina? No próximo dia 8 de agosto estarei falando sobre isto no “Forum Latinoamericano de Políticas Sociais”, que a Escola de Governo da Fundação João Pinheiro está promovendo. Fala-se muito de uma “nova geração de políticas sociais”, que substituiriam as mais antigas, e que seriam representadas sobretudo pelos novos programas de transferência de renda como o Bolsa Familia e seus similares em outros países. O que pretendo dizer é que, na verdade, precisamos fazer bem as coisas mais antigas que nunca fizemos: desenvolver um Estado profissional e competente, regular a relações entre o setor público, o setor empresarial e as organizações da sociedade civil, e tratar as políticas sociais, sobretudo na educação. como investimento na capacitação do país, e não, simplesmente, como distribuição de benefícios. O problema, claro, é como chegar lá, e infelizmente, não tenho uma fórmula mágica para isto. O texto preliminar de minha apresentação está disponível aqui.

No dia 13 estarei em Brasilia, participando do primeiro de uma série de três seminários internacionais organizados pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara de Deputados sobre “A Educação no Século XXI: modelos de sucesso”. A grande pergunta é porque não conseguimos sair do atoleiro da educação de má qualidade, enquanto outros países, a partir de condições semelhantes às nossas, tiveram muito mais sucesso. A primeira sessão tratará das reformas da Irlanda e Coréia, que são grandes casos de sucesso, e a mim me tocou falar sobre o Chile, que tem uma história muito interessante de políticas educacionais audaciosas, mas sem conseguir ainda os resultados dos demais. A idéia básica, aqui, novamente, é que é preciso fazer bem aquilo que outros países já fazem: definir com clareza os conteúdos que os estudantes devem aprender, formar bem os professores, para que saibam o que e como ensinar, e avaliar permanentemente o trabalho das escolas, incentivando os bons resultados e ajustando o percurso quando necessário. A versão preliminar de meu texto está disponível aqui.

1 Comentários:

Às 1:33 PM , Anonymous Juliano Rosa disse...

Prezado professor,

Li seu artigo com profundo interesse. Enquanto mestrando, tenho deparado com questões muito semelhantes as abordadas em seu texto.

Pessoalmente, gostaria de comentar três pontos que, apesar de secundários, possuem, para minha pesquisa, importãncia fulcral.

Primeiro é quanto a regulação dos conteúdos. Os documentos que ainda regem as políticas curriculares estaduais são os PCN. Esses parâmetros convivem diretamente com um dilema entre a prescrição e mera orientação. Há, evidentemente, riscos nas duas orientações.

Por outro lado, mudanças paradigmáticas na pedagogia nos coloca uma nova operacionalização dos conteúdos, via "competências e habilidades". Perrenoud, um autor de que gosto muito, diz que não há mais espaço para uma escola que seja meramente conteudista, isto é, que tenha nos conteúdos o seu fim. O objetivo, segundo o mesmo autor, e acertadamente, vejo, é que o aluno, ao findar o tempo escolar, saiba o que fazer com esses conteúdos.

A sistemática de operacionalização oferecida pelo Instituto Ayrton Senna pode ser um bom exemplo disso. Há competências que o professor deverá desenvolvê-las, com, inclusive, um tempo mais ou menos determinado. Eu, professor, era muito cético quanto a esse gerenciamento escolar; lembrava-me os velhos tempos de Tyler, Bobbitt e demais. Porém, vejo que dá resultados, como ocorreu na região que pesquiso.

Enfim: muito mais que regular os conteúdos, é necessário a escola e os alunos saberem o porque da inexorabilidade de seu ensino - e isso, desculpe o clichê, se faz relacionando o o conhecimento escolar com a vivência do aluno. Nesse caso, qual sua opinião sobre a polêmica entre "know how" versus "know what"?

Segundo ponto é muito mais que uma questão - desejava até ler um post nesse sentido aqui no blog: você acha, professor, que mudando o status da educação de "direito à educação" para "liberdade de escolha" poderá haver resultados positivos?

E, por fim, o terceiro ponto, na verdade não uma questão, mas uma provável concordância entre nossos pontos de vista. Tenho clareza, Simon, que melhorias significativas no salário do professor trariam resultados substanciais a medio prazo. Não porque o professor se sentiria mais motivado, mas para, ao tornar a profissão mais atrativa, melhores cabeças ingressassem no magistério. Tenho visto cotidianamente excelentes alunos com evidentes competências professorais, embora em estado bruto, evidentemente, e declarado gosto pela sala de aula, procurarem profissões tradicionalmente mais bem remunenaradas.

~*~

Estivesse em Brasília, não perderia. Grande abraço e excelente seminário.

Juliano Rosa

 

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