23 outubro 2007

Edição eletrônica de "Bases do Autoritarismo Brasileiro"

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Está disponível uma nova edição de meu livro Bases do Autoritarismo Brasileiro, que havia sido publicado pela última vez em 1988. O livro agora pode comprado em formato PDF ou em papel via Internet pela Publit Soluções Editorial e continua também disponível no meu site em formato html. O que facilita esta nova edição é que o livro é impresso cada vez que é encomendado, o que evita os altos custos de grandes tiragens.

O livro mantém o texto integral da edição de 1988, com uma pequena nova apresentação, aonde observo que, quase vinte anos percorridos, uma das principais proposições do livro pareceria ter se cumprido. O que procurei mostrar em 1973 era como a dinâmica da vida política brasileira tinha tido sempre, uma característica central, a relativa marginalização do centro econômico e mais organizado da "sociedade civil" no país, localizado predominantemente em São Paulo, e o núcleo do poder central, muito mais fixado no eixo Rio de Janeiro – Brasília, em aliança com as oligarquias políticas tradicionais dos estados mais pobres. Mais do que diferenças geográficas, que têm sua importância, o que me importava eram as diferentes formas de organização da vida econômica, social e política que coexistiam e disputavam espaço no país.

No prefácio de 1988 eu dizia que “foi de São Paulo que surgiram as pressões sociais mais fortes contra os poderes concentrados no Governo federal, tanto por parte de grupos empresariais quanto pelo movimento sindical organizado; é em São Paulo, em última análise, que se joga a possibilidade de constituição de um sistema político mais aberto e estável, que possa dar ao processo de abertura uma base mais permanente”.

A partir de 1995, com os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio da Silva e as candidaturas presidenciais de José Serra e Geraldo Alckmin, o centro de gravidade da política brasileira se transfere para São Paulo. Nas eleições de 1994 e 1998, a oposição entre PSDB e PT se aproximou bastante do que poderíamos descrever como a disputa entre dois partidos políticos modernos, um com mais apoio nas classes médias e no empresariado, outro com mais apoio nos sindicatos e nos movimentos sociais independentes. Desde então, no entanto, os partidos políticos perderam substância, o clientelismo se ampliou, o sindicalismo e os movimentos socais independentes desapareceram ou foram cooptados, e boa parte das elites patrimonialistas mantiveram seu poder de sempre, agora como meras cleptocracias. O período “moderno” da política brasileira teve fôlego curto, e a política antiga está demonstrando ter uma enorme capacidade de sobrevivência e metamorfose. Fica para os eleitores a pergunta de por quê isto é assim, e o que podemos esperar para o futuro.


3 Comentários:

Às 5:11 PM , Blogger Ricardo disse...

Algo me diz que não veremos jamais essa notícia na TV Lula...

 
Às 8:25 AM , Anonymous Paloma Fonseca disse...

Olá, Simon. Voto desde 1993, quando do Plebiscito, e me tornei mesária voluntariamente em 2005, no Referendo. Às vezes me pergunto se a democracia compensa, e chego à conclusão de que ela dá mais trabalho e é ao mesmo tempo mais fascinante.

 
Às 9:58 AM , Anonymous Ricardo Vélez Rodríguez disse...

Professor Schwartzman,

Em boa hora sai ao ar uma nova edição do seu clássico "Bases do autoritarismo brasileiro". Num momento em que, como V. Sa. diz, o patrimonialismo, na sua versão mais primitiva, a cleptocracia, parece ter retomado fólego novo e tudo açambarca, indo por água abaixo, no Brasil, os anseios por uma verdadeira democracia moderna. Só nos resta estudar com maior profundidade o fenômeno, como o Senhor faz com a sua característica competência, a fim de leixarmos, às gerações vindouras, elementos de análise crítica que lhes ajudem a encontrar o caminho das pedras. Parabéns pela nova edição do seu livro e os meus agradecimentos por essa iniciativa.

Cordialmente,

 

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