<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818</id><updated>2011-11-27T21:27:47.696-02:00</updated><category term='universidades  mercado avaliação'/><title type='text'>Novo Site</title><subtitle type='html'>Este site agora tem novo endereço. Veja as informações abaixo</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>205</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-5249745474787808414</id><published>2008-08-03T08:53:00.002-03:00</published><updated>2008-08-12T07:30:26.236-03:00</updated><title type='text'>Direcionamento automático para o novo site</title><content type='html'>Estou inagurando um novo formato para meu site e blog, com acesso aos texos, mensagens e comentários. Espero que funcione bem, e por favor enviem sugestões e digam se há problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O redirecionamento deve ser autommático. Se não for:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O site agora é http://www.schwartzman.org.br/sitesimon (&lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/sitesimon"&gt;clique aqui)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para as pessoas que acessam através de um agregador de notícias (RSS), o endereço agora é http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/posts/default (&lt;a href="http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/posts/default%20"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe também um link para receber os comentários por RSS, &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/sitesimon/?feed=comments-rss2"&gt;http://www.schwartzman.org.br/sitesimon/?feed=comments-rss2&lt;/a&gt; (clique aqui)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não sabe o que é um agregador de notícias RSS, &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/RSS"&gt;a explicação está aqui&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem recebe as mensagens por correio continuará recebendo normalmente, e existe um lugar em cima do lado direito para novas inscrições ou para retirar o nome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-5249745474787808414?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/5249745474787808414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=5249745474787808414' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5249745474787808414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5249745474787808414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/08/mudanas-no-site-e-blog.html' title='Direcionamento automático para o novo site'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-7055718296104477337</id><published>2008-07-16T22:37:00.003-03:00</published><updated>2008-07-16T23:03:29.249-03:00</updated><title type='text'>Reynaldo Fernandes: Minas e o IDEB</title><content type='html'>No dia 28 de junho publiquei uma nota da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, Professora Vanessa Guimarães, com o título de &lt;a href="http://sschwartzman.blogspot.com/2008/06/minas-ideb-e-prova-brasil.html"&gt;Minas, IDEB e Prova Brasil&lt;/a&gt;,  com uma série de críticas e questionamentos a respeito do IDEB e  sua aplicação em Minas Gerais. Agora publico a resposta do Professor Reynaldo Fernandes, Presidente do INEP, cujo texto integral está &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/blog/inep_minas07.pdf"&gt;disponível aqui.&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fica claro é que houve um total desencontro de informações entre o Ministério e a Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais, que é responsável direta por uma das maiores redes escolares do país. Ora, além dos aspectos técnicos, uma avaliação nacional como a Prova Brasil, que serve de base para o IDEB, deve ter legitimidade para ser aceita e utilizada, e isto só se consegue com um trabalho permanente e paciente de diálogo, comunicação e construção de consenso. Acredito que esta troca de mensagens possa ajudar a esclarecer as dúvidas, e contribuir para que este diálogo se fortaleça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-7055718296104477337?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/7055718296104477337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=7055718296104477337' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7055718296104477337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7055718296104477337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/07/reynaldo-fernandes-minas-e-o-ideb_16.html' title='Reynaldo Fernandes: Minas e o IDEB'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-2601790410129443326</id><published>2008-07-14T10:29:00.003-03:00</published><updated>2008-07-14T10:38:15.210-03:00</updated><title type='text'>Trilhas para o Rio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/SHtVcNNZXqI/AAAAAAAAAF4/T1J0DMCBU6U/s1600-h/trilhas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/SHtVcNNZXqI/AAAAAAAAAF4/T1J0DMCBU6U/s320/trilhas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5222862135936769698" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Trihas para o Rio&lt;/span&gt;, de André Urani, é não somente um livro muito interessante e bem escrito, mas uma raridade, e exemplo do que ele diz.  Existem muitas coisas escritas sobre praia, bossa nova, música popular, carnaval, mulheres,  televisão e futebol,  que formam a imagem do Rio romântico e boêmio, assim como sobre a corrupção, a violência e a desorganização urbana que é  a outra cara, cada vez mais assustadora, de nosso paraíso tropical. O que quase não existe são análises que buscam explicar como chegamos até aqui, pelas vias do populismo, do deterioro urbano e da perda de vocação e rumos da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das explicações que André apresenta é que o carioca sempre pensou  e se preocupou com o Brasil e o mundo, e deixou de olhar e dar atenção ao lugar em que vive.  O Rio não está sozinho nisto, outras cidades no Brasil e no mundo também passaram por crises de desorganização e perda de rumo. Muitas, no entanto, estão encontrando novos caminhos, a partir de um processo de “reinvenção” cujo principal ingrediente é a participação de sua população, naquilo que ela tem de melhor, na busca destas nova trilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lançamento do livro será no dia 16 de julho na Livraria Travessa do Leblon, Av. Afrânio de Melo Franco 290, 2 andar, Rio de Janeiro (naturalmente).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-2601790410129443326?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/2601790410129443326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=2601790410129443326' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2601790410129443326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2601790410129443326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/07/trilhas-para-o-rio.html' title='Trilhas para o Rio'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/SHtVcNNZXqI/AAAAAAAAAF4/T1J0DMCBU6U/s72-c/trilhas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-4554835411426669685</id><published>2008-07-05T10:06:00.003-03:00</published><updated>2008-07-05T19:56:03.539-03:00</updated><title type='text'>Ruth Cardoso</title><content type='html'>Não me lembro de uma comoção nacional tão grande quanto a havida com a morte inesperada de Ruth Cardoso. Para os que a conhecíamos mais de perto, no pequeno mundo das ciências sociais, não poderia ser diferente, pela sua vida profissional e, sobretudo, pela pessoa simples, afetiva e comprometida que sempre foi. Também eram inevitáveis as manifestações oficiais de luto devidas à ex “primeira dama”, os elogios formais e a cobertura de imprensa dos funerais e das homenagens, que ela, provavelmente, teria preferido que  não houvessem. Mas foi muito mais que isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruth sempre teve luz própria, sobretudo a partir do Programa Comunidade Solidária, mas é impossível separar o sentimentos e as manifestações de pesar por sua perda dos sentimentos e manifestações de apoio e solidariedade a Fernando Henrique Cardoso. E no entanto, Fernando Henrique, como todo político, provoca controvérsias, enquanto que Ruth parece ter sido sempre, ainda em vida e sobretudo agora, uma unanimidade nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre desconfiei de nossas unanimidades,  que geralmente encobrem, sob o manto da suposta glória de poucos,  as mazelas e os problemas dos demais.  Com Ruth Cardoso foi diferente, e fico tentando entender por quê.  Talvez tenha sido pelo fato de que ela personificasse, pelo estilo e pela conduta, um ideal de honestidade, autenticidade e despojamento na vida pública e intelectual que parece estar desaparecendo rapidamente no país. Se isto é verdade, o luto coletivo pela perda  de Ruth Cardoso pode ser entendido como um luto por todos nós, pelos valores e pela ética que estamos perdendo, e que ela encarnava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-4554835411426669685?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/4554835411426669685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=4554835411426669685' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4554835411426669685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4554835411426669685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/07/ruth-cardoso.html' title='Ruth Cardoso'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-5927143471741520305</id><published>2008-06-28T16:12:00.005-03:00</published><updated>2008-06-28T16:31:16.440-03:00</updated><title type='text'>Minas, IDEB e a Prova Brasil</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vanessa Guimarães, Secretária de Estado de Educação de Minas Gerais, e João Filocre, Secretário Adjunto, enviam uma nota técnica detalhada em que mostram os avanços da educação de Minas Gerais nos anos recentes, medidos pelo sistema de avaliação do Estado, e questionam os resultados do IDEB, que consideram duvidosos. &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/blog/minasideb.pdf"&gt; O texto completo, de 11 páginas, pode ser visto clicando aqui.&lt;/a&gt;  Ao final da nota, a Secretaria solicita explicações:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.    É responsabilidade do MEC, do INEP e das instituições contratadas para realizar a Prova Brasil e o SAEB explicar as discrepâncias existentes e sobre a aparente ausência de relação causal entre ação efetiva no sistema e os resultados obtidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.    É responsabilidade do MEC informar, também, sobre a qualidade e consistência dos dados que vêm utilizando, sobre a margem de erro das suas avaliações e sobre as mudanças que vêm introduzindo no SAEB, bem como a repercussão dessas mudanças na confiabilidade dos resultados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.    É dever do MEC informar os gestores dos sistemas estaduais e municipais de ensino sobre possíveis problemas e inconsistências antes de tornar público resultados que acabam por ser republicados pelos erros identificados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.    É dever do MEC fornecer aos gestores dos sistemas estaduais e municipais de ensino a base de microdados para que se possa fazer uma avaliação mais segura sobre o comportamento dos sistemas educacionais nas avaliações que promove.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-5927143471741520305?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/5927143471741520305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=5927143471741520305' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5927143471741520305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5927143471741520305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/06/minas-ideb-e-prova-brasil.html' title='Minas, IDEB e a Prova Brasil'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-3131949338555707476</id><published>2008-06-24T08:10:00.003-03:00</published><updated>2008-06-24T08:13:53.724-03:00</updated><title type='text'>João Batista Araujo e Oliveira: Ainda o IDEB</title><content type='html'>Como são raras oportunidades para um debate sério, cumpre aprofundar e avançar a partir das observações sempre pertinentes da Secretária Maria Helena Guimarães, motivados pela divulgação dos resultados do IDEB.  Em sua nota, a Secretária chama a atenção para escolas e municípios que vêm melhorando e indica algumas das constantes que caracterizam as escolas desses municípios. Gostaria de aprofundar dois aspectos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, o que Secretarias de Educação podem fazer para que as escolas melhores?  Em setembro de 2008 o Instituto Alfa e Beto promoveu um encontro sobre Reformas Educativas: o que diz a evidência internacional (para mais informações consulte o site www.alfaebeto.com.br).  A experiência internacional mostra que os fatores que tornam as escolas bem sucedidas são os mesmos que tornam os países bem sucedidos: em outras palavras, nesses países, os governos ajustam suas políticas e práticas de ensino para que todas as escolas tenham condição de dar certo.  No Brasil, na maioria das vezes, as escolas que dão certo são exceção, o que sugere que as regras que as Secretarias criam precisam mudar.  A grande diferença de dados entre municípios de uma mesma rede, ou entre escolas de um mesmo município, são testemunhos da falta de políticas consistentes das Secretarias – e que são a condição necessária, embora não suficiente – para que as escolas possam ter sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo aspecto refere-se à importância de praticar educação com base em evidências. Para isso é essencial, como diz a Secretária Maria Helena, promover pesquisas. Mas mais importante do que isso, é importante usar as evidências já disponíveis, e usar pesquisas para avaliar se estamos atingindo os objetivos ou para descobrir novas formas de conseguir melhores resultados.  No Brasil insistimos em reinventar a roda como se os fatores necessários para melhorar a educação fossem desconhecidos.  Freqüentemente , como bem aponta a Secretária, basta organizar algumas rotinas básicas para ver resultados. Mas freqüentemente é preciso ir além do óbvio e do trivial, consultar as evidências e implementar reformas.  No Brasil, por exemplo, os governos e universidades resistem às evidências sobre a importância de usar métodos adequados para alfabetizar as crianças.  Ou seja: selecionamos as “evidências” de que gostamos e desprezamos as que não convém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que lições as Secretarias de Educação precisam tirar do IDEB?  No Brasil, desde o Colégio Pedro II, sabemos como fazer UMA escola de elite – seja ela localizada na capital ou na favela mais complicada.  A educação não pode depender apenas dos bons ofícios de um diretor – da mesma forma que uma empresa de aviação não pode depender de pilotos corajosos.  O que ainda não aprendemos a fazer é montar uma rede de escolas que funciona como sistema a nível estadual ou municipal.  Premiar e promover escolas de bom desempenho é fundamental.  Mas a função principal das Secretarias de Educação é criar as condições para que todas as escolas possam oferecer ensino de qualidade. E, para isso, é necessário fazer uma revolução profunda na substância e na forma de agir de nossas Secretarias de Educação.  E superar a duplicidade de redes públicas de ensino num mesmo município.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-3131949338555707476?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/3131949338555707476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=3131949338555707476' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3131949338555707476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3131949338555707476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/06/joo-batista-aaujo-e-oliveira-ainda-o.html' title='João Batista Araujo e Oliveira: Ainda o IDEB'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-4923784519680232977</id><published>2008-06-23T07:48:00.003-03:00</published><updated>2008-06-23T07:54:06.000-03:00</updated><title type='text'>Maria Helena Guimarães de Castro:  as surpresas do IDEB</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Maria Helena Guimarães de Castro, Secretária de Educação do Estado de São Paulo, envia o seguinte comentário sobre o IDEB:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo com os &lt;a href="http://sschwartzman.blogspot.com/2008/06/ideb-celebrar-o-qu.html"&gt;argumentos do João Batista,&lt;/a&gt; mas há algumas surpresas no IDEB, especialmente em pequenos municípios do Sul e Sudeste, que merecem nossa atenção para os fatores intra-escolares. É o caso dos municípios paulistas que se destacaram entre os 20 melhores do país, ou das escolas municipais também de pequenas cidades do interior de SP. Em comum, essas escolas apenas conseguiram organizar as rotinas básicas que fazem uma enorme diferença para a melhor aprendizagem dos seus alunos.  Entre os fatores mais importantes, destacam-se:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. diretores comprometidos e estáveis&lt;br /&gt;2. participação dos pais&lt;br /&gt;3. uso de materiais didáticos estruturados&lt;br /&gt;4. supervisão e monitoramento permanente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que precisamos ir além dos estudos econométricos e começar a mostrar às escolas o que funciona. As evidências apontadas nos estudos econométricos corretamente indicam o peso dos condicionantes extra-escolares como fatores explicativos do desempenho escolar. Parece-me, no entanto,  fundamental mostrar o que faz diferença no modo de funcionamento das escolas para estimulá-las a melhorar e indicar as boas práticas que estão ao alcance de todos. Obviamente, é muito mais simples ter  escolas organizadas em cidades pequenas, o grande problema são as regiões metropolitanas. Mas, mesmo nas regiões metropolitanas, há exemplos muito interessantes que podem ser replicados. É o caso de Francisco Morato na Grande São Paulo, municipio dormitório, muito pobre, que vem dando saltos significativos nos indicadores sociais e educacionais com uma receita relativamente simples: os agentes sociais da prefeitura visitam as casas dos alunos que faltam ou tem dificuldade de aprendizagem.  Caíram as taxas de repetência, melhoraram os índices de aprendizagem e os pais fiscalizam os professores que faltam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece simplismo da minha parte, mas não é. Estou preocupada em valorizar as boas escolas públicas e mostrar que é possível melhorar mesmo que a região seja pobre, etc. Senão, vamos ficar com o mesmo discurso dos sindicatos: a escola não melhora porque os salários são baixos, a carreira é péssima, as turmas são grandes, os pais desempregados, etc. Pode ser uma batalha perdida, mas continuo tentando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto falta de estudos que aprofundem os fatores internos à escola para subsidiar políticas. É muito pequena ou nula nossa margem de atuação para melhorar os condicionantes externos. Mas há fatores que importam e que podem ser objeto de intervenção dos gestores públicos de educação. Creio que devemos prestar mais atenção nisso até para convencer os diretores de escola de que é possível melhorar. O SARESP de SP mostrou, por exemplo, que escolas com menos de mil alunos tendem a apresentar melhor desempenho, até em áreas ultra vulneráveis da GSP; mostrou também que escolas exclusivas de 1a. a 4a. séries são melhores do que as grandes escolas de educação básica com mais de 1.500 alunos. O tamanho da turma parece não fazer diferença, mas o tamanho da escola faz, como já apontam as reformas do Blair em 99 e as do prefeito de NY. Mostrou que nossas  500 escolas de tempo integral são tão medíocres quanto as demais. Enfim, estamos analisando os resultados e há coisas interessantes para orientar nossas ações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-4923784519680232977?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/4923784519680232977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=4923784519680232977' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4923784519680232977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4923784519680232977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/06/maria-helena-guimares-de-castro-as.html' title='Maria Helena Guimarães de Castro:  as surpresas do IDEB'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-7757947937927697759</id><published>2008-06-19T14:52:00.002-03:00</published><updated>2008-06-19T15:37:36.446-03:00</updated><title type='text'>O novo relatório do crescimento</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.growthcommission.org/"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;The Growth Report, &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;documento escrito por uma comissão de notáveis liderada pelo Prêmio Nobel de economia Michael Spence, da qual faz parte Edmar Bacha, está sendo considerado por muitos como o novo “consenso de Washington”, que deixa para trás as receitas simplistas de “estabilidade econômica, menos estado e mais mercado” dos anos 80, e apresenta um quadro muito mais rico e complexo dos fatores que permitem ou não o desenvolvimento econômico dos países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenvolvimento que interessa não é somente o de curto prazo, que pode ocorrer por uma alta súbita dos preços das &lt;span style="font-style: italic;"&gt;commodities&lt;/span&gt;, como vem ocorrendo ultimamente, mas a capacidade dos países em manter este desenvolvimento através do tempo e transformar a riqueza em benefício para toda a população.  Cauteloso, o relatório começa dizendo que não existem receitas prontas, que cada país deve buscar seu próprio caminho, mas nem por isto deixa de apontar os fatores que diferenciam os países que conseguem daqueles que não conseguem se desenvolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro destes fatores é a abertura, não somente aos mercados, mas às idéias, tecnologias e recursos disponíveis globalmente. Estratégias de crescimento para dentro, voltadas para o mercado interno, podem ser menos arriscadas, mas não conseguem ir muito longe. O segundo fator são os investimentos: nenhum país consegue crescer sem altas taxas de poupança, da ordem de 20 a 25%. Estes recursos podem ser obtidos, em parte, no mercado internacional, mas o mais importante é a poupança domestica que os países são capazes de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que estas e outras políticas possam ser implementadas, a principal condição é a capacidade de liderança política e a eficácia dos governos, assim como sua legitimidade – a capacidade de convencer as pessoas de que o investimento no futuro vale a pena. Não é que as economias não possam crescer sem mercados, instituições e políticas adequadas, mas é um crescimento muito mais incerto, e existe sempre o perigo da “doença holandesa” - o crescimento concentrado que mata tudo o que existe em volta. Os governos devem fazer muitas coisas importantes – manter a economia em equilíbrio, desde logo, mas também cuidar da educação, da pobreza, do meio ambiente e da infra-estrutura de comunicação e transportes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os governos  devem trabalhar, também, pela institucionalização e fortalecimento dos mercados, fazendo as reformas institucionais que sejam necessárias. A economia não pode se desenvolver plenamente sem mercados, mas existe uma grande diferença entre mercados “maduros”, bem institucionalizados, com regras claras sobre os direitos de propriedade, garantias dos contratos e competitividade, e os mercados selvagens que caracterizam muitas das economias dos países em desenvolvimento. Para fazer tudo isto, os governos precisam ser honestos, tecnicamente competentes e capazes de desenvolver políticas de longo prazo, de forma pragmática, que possam ir além dos ciclos eleitorais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relatório não chega a condenar a implantação de políticas industriais, que favorecem alguns setores da economia considerados mais dinâmicos,  mas não deixa de dizer que atividades empresariais que dependem de subsídios permanentes e preços distorcidos não merecem existir. A função do governo não é proteger empresas, mas pessoas. O relatório reconhece que o desenvolvimento econômico pode gerar desigualdades, e recomenda políticas para corrigir as distorções nos extremos da distribuição de renda, sem com isto restringir a flexibilidade dos mercados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, o relatório reconhece a importância da questão climática, e de toda a questão dos limites ao desenvolvimento, e aí também é cauteloso. Não é verdade que o crescimento da indústria na China vai impedir o desenvolvimento em outras partes: com mais riqueza, haverá lugar para todos. E o limite para o desenvolvimento econômico e a redução da pobreza vai depender não somente dos limites da natureza, que são reais, mas de nossa capacidade para lidar com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há propriamente novidade nestas idéias, me parece , mas, ao serem apresentadas de forma clara e coerente, por uma comissão internacional de credenciais inquestionáveis, elas podem se transformar em divisor de águas entre o que faz sentido e as ortodoxias e heterodoxias que ainda circulam tanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-7757947937927697759?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/7757947937927697759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=7757947937927697759' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7757947937927697759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7757947937927697759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/06/o-novo-relatrio-do-crescimento.html' title='O novo relatório do crescimento'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-7090760402549876941</id><published>2008-06-16T13:08:00.002-03:00</published><updated>2008-06-16T13:16:36.534-03:00</updated><title type='text'>IDEB: celebrar o quê?</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que significam, de fato, os números do Indice de Denvolvimento da Educação Básica, difundidos recentemente pelo Ministério da Educação?  Este texto de João Batista Araujo e Oliveira e Carlos Henrique Ferreira de Araujo, ex-diretor do INEP, ajuda a entender:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É compreensível a euforia das autoridades em querer celebrar os resultados do IDEB – o indicador de desenvolvimento da educação básica.  A divulgação, em tom cuidadoso, foi logo seguida de euforia, ampliada pela mídia. Apenas alguns jornalistas e um único articulista, Naércio Menezes Filho, sugeriram cautela.  Mesmo porque os dados divulgados não revelam informações importantes, pois o IDEB mistura resultados de Português com os de Matemática e com taxas de aprovação.  Pode ser prático ter um único índice, mas é importante ter clareza sobre o que ele revela e o que esconde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos diz o IDEB 2007? O que mudou em relação ao IDEB de 2005? Basicamente mudaram duas coisas. Primeiro, a média nacional da 4ª. série do Ensino Fundamental passou de 3.8 para 4.2. Numa escala de zero a dez, trata-se de mudança de cerca de quatro por cento.  Em 11 estados, dos quais 10 estão situados no Nordeste ou Centro-Oeste, a mudança variou de 5 a 8 pontos percentuais.  Todos esses estados estavam abaixo de 4 pontos no IDEB anterior, e apenas 3 deles conseguiram superar a marca de 4 pontos com os novos avanços.  Segundo, os dados divulgados até o momento sugerem que metade ou mais dos avanços se deve a mudanças nas taxas de aprovação e a um pequeno avanço nos resultados da prova de matemática.  As demais alterações nos indicadores são desprezíveis, tanto do ponto de vista estatístico quanto educacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos dizer que a melhoria é significativa? Certamente o é para os estados no Nordeste, não para a maioria do país. Mas cabe observar que melhorar de 3 para 3.5 ou 3.8 é muito mais fácil do que melhorar de 8 para 8.2 ou de 9.5 para 9.6.  Houve avanços, sim, mas justamente onde é mais fácil. Não é possível nem razoável dizer que essas mudanças possam ser atribuídas a melhorias na qualidade do ensino ou da introdução de políticas educacionais específicas – exceto, talvez, no caso da promoção de alunos, que é uma medida administrativa. Os dados não mostram o resultado de determinadas redes estaduais ou municipais de ensino que teriam introduzido mudanças significativas nas suas políticas ou práticas, mas do agregado das redes em cada estado. Os dados, em comparação com séries históricas, também não permitem afirmar que houve uma reversão de tendências – mesmo porque tendências são reflexo de mudanças em vários momentos, e não apenas um ou dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, estamos diante de um fenômeno que não comporta explicações simples ou simplistas, muito menos explicações oportunistas, que colocam em jogo a validade, utilidade e credibilidade das avaliações. Houve melhoras, houve avanço nos índices. Isso é inegável. Mas esses avanços não podem ser atribuídos às políticas educacionais em curso. As celebrações de sucesso poderiam sugerir que bastaria continuar a fazendo o que o país vem fazendo para que a educação chegue aos níveis dos países desenvolvidos. Isso equivale a dizer que basta fazer muito, nada ou qualquer coisa, pois é exatamente isso que vem ocorrendo no país .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manifestações de autoridades também insinuam que resultados de políticas educativas aparecem em prazos muito curtos – e independentemente de mudanças estruturais.  Ora, a explicação mais plausível é que as mudanças ocorridas nos indicadores – e que se concentraram em alguns estados e apenas na 4ª. série - se devem ao efeito de mudanças em variáveis extra-escolares, notadamente o aumento da renda e da média de escolaridade dos pais, o que se verificou sobretudo nas regiões mais pobres e que incide sobre os alunos mais jovens. Ou seja: é a economia que está contribuindo para melhorar os resultados da educação – e não vice-versa - como seria de se esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é necessário fazer para que as escolas façam diferença na economia e na vida das pessoas, sobretudo as de nível sócio-econômico mais modesto?  Seria preciso fazer uma profunda reforma educativa, cujos contornos são bem conhecidos e que podem ser aprendidos da experiência dos países onde a educação dá certo. A receita é bem conhecida, e vem sendo divulgada há pelo menos três décadas nos estudos sobre reformas eficazes. O tema foi objeto de um seminário internacional promovido pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, em agosto de 2007 e também divulgado recentemente em relatório da empresa de consultoria McKinsey. Nada a ver com as propostas em curso no país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-7090760402549876941?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/7090760402549876941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=7090760402549876941' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7090760402549876941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7090760402549876941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/06/ideb-celebrar-o-qu.html' title='IDEB: celebrar o quê?'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-5315092826284527615</id><published>2008-06-11T11:22:00.005-03:00</published><updated>2008-06-11T11:31:16.996-03:00</updated><title type='text'>Saudades da Universidade Patrice Lumumba</title><content type='html'>Em 1960, a União Soviética criou a Universidade Patrice Lumumba, hoje a “Universidade Russa de Amizade dos Povos”, para estudantes do terceiro mundo.  Na mesma inspiração, o governo brasileiro está criando agora a Universidade Latino-Americana, em Foz de Iguaçu, e conforme anunciado hoje pelo Secretário de Educação Superior do MEC, a Universidade  da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, para estudantes da África, a ser estabelecida em  Redenção, a 60 quilômetros de Fortaleza, considerada a primeira cidade brasileira a abolir a escravidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como anda a Universidade Pratice Lumumba hoje. Olhando na wikipedia, dá para ver que, entre seus ex-alunos notáveis, está Carlos o Chacal; Mahmoud Abbas, dirigente do Fatah; Aziz al-Abub, psiquiatra e torturador do Hezzbolah; o espião da KGB Yuri B. Shvets, hoje refugiado nos Estados Unidos; e a linguista brasileira Lucy Seki, que depois completou seu doutorado na Universidade do Texas.  Com o fim da União Soviética, além da mudança de nome, o curriculo também mudou,  e a doutrinação leninista foi substituida por cursos de administração de empresas, entre outros. Há alguns anos atrás, a universidade foi palco de ataques racistas violentos contra africanos e orientais, que revelaram o isolamento e as péssimas condições de vida dos estudantes de terceiro mundo que ainda se aventuravam por lá. Na página da universidade na Internet dá para ver que com 25 mil estudantes, todos eles pagantes, e mais de 2000 professores, ela está se esforçando por se transformar em uma universidade de qualidade,  embora sua produção acadêmica  ("for the last 3 years 167 monographs, 58 textbooks and 485 manuals have been published at the University") não chega a impressionar. Mas ela deve ter coisas boas, sobretudo a localização em uma grande cidade que é Moscou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duvido que os idealizadores das universidades de terceiro mundo brasileiras conheçam a experiência da  Patrice Lumumba, mas a idéia é a mesma, com o agravante que seus estudantes ficarão exilados em regiões remotas do país. A Universidade Latinoamericana, por exemplo, segundo seus organizadores, tem como propósito “a integração da América Latina através de um novo elo substantivo: a integração pelo conhecimento e a cooperação solidária entre os países do continente mais do que nunca em uma cultura de paz.” Lembra alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há dúvida de que o Brasil poderia ter um papel muito mais importante do que tem tido em estimular e apoiar a vinda de estudantes da América Latina, África e outras regiões para nossas melhores universidades. Isto seria bom para eles, a nos ajudaria a sair de nosso provincianismo. O melhor instrumento para isto são as universidades já existentes, que precisariam de apoio, estímulo e liberdade – inclusive de cobrar -  para atrair possíveis candidatos com o que elas têm de melhor a oferecer -  os cursos profissionais de qualidade, os programas de pós-graduação, a capacidade instalada de pesquisa e  a interação com seus estudantes e com  sociedade mais ampla da qual elas participam, nos principais centros urbanos do país em que estão instaladas. Universidades de primeiro mundo, e não de terceiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-5315092826284527615?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/5315092826284527615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=5315092826284527615' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5315092826284527615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5315092826284527615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/06/saudades-da-universidade-patrice.html' title='Saudades da Universidade Patrice Lumumba'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-3643080819977885542</id><published>2008-06-06T08:30:00.003-03:00</published><updated>2008-06-06T08:41:07.240-03:00</updated><title type='text'>José Roberto F. Militão: Obama, láh!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/SEkh_RyzBCI/AAAAAAAAAE8/6bRUz_U9dbY/s1600-h/militao.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/SEkh_RyzBCI/AAAAAAAAAE8/6bRUz_U9dbY/s200/militao.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208731815022625826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;José Roberto F. Militão escreve:  "Ouso encaminhar, caso queira publicar, a opinião de um afro-brasileiro, contrário a leis raciais que vê com grande otimismo a candidatura e grande esperança a eleição do mestiço Obama. Publicado em 18/01, na ´Afropress´, antes do início das primárias, ainda sem a ênfase da euforia pela vitória nas primárias". Eis o texto:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           A partir do artigo do colega Cadette, de Nova Iorque, temos o perfil do senador Obama e suas credenciais políticas por uma visão privilegiada de um afro-brasileiro, empenhado na luta contra o racismo e com visão privilegiada do ambiente e dos sentimentos dessa campanha presidencial de 2008, nos EUA.  De fato, o mundo, surpreso e incrédulo, a quem foi apresentado uma novidade extraordinária, um jovem político, de cor, Senador Barack Obama com real possibilidade de ser escolhido candidato a Presidente dos Estados Unidos e nós, militantes por direitos humanos e ativistas contra os ideais do racismo, temos mais uma oportunidade de reflexão sobre o que representa a estampa de um homem de cor, afro-descendente que não se trata de um "afro-americano" genuíno, nem descendente de ex-escravos como nós, condição que o diferencia: nascido nos EUA, é filho de um preto africano com uma mãe branca norte-americana, os pais separados, foi com a mãe em novo casamento, para viver na pobre Indonésia, um país tão pobre quanto o Brasil, de maioria muçulmana. Sua família, entretanto sempre foi cristã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             O perfil nos revela que foi um dedicado estudante, graduado por duas Universidades, profissionalmente, optou por ser ativista por Direitos Humanos, atuando em bairros pobres da periferia de Chicago. Desde o início da carreira política, as demandas por inclusão social é o núcleo de sua plataforma eleitoral que reitera em todos os discursos como sendo “o mensageiro da esperança e o instrumento de mudanças”. A novidade da trajetória de baixo para cima, parecida com a de Abraham Lincoln e com estampa de pessoa miscigenada e vínculos políticos com a periferia urbana, lembra ser essa mesma a plataforma que levou à vitória a campanha de Lula em 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Chama a atenção na candidatura que traz o cunho sócio-racial, por sua condição de afro-descendente oriundo de família modesta, militante por direitos sociais na periferia de Chicago e que, a partir dessa militância, se transforma numa importante liderança política. Uma questão que pode assustar a conservadora e racialista sociedade norte-americana é que se afirma com o discurso da "esperança e da mudança" que tem semelhanças (e não identidade ideológica) com a ascensão de Hugo Chavez, na Venezuela, e de Evo Morales, na Bolívia, além do nosso Lula. O que distingue o doutor Obama é ser um bem conceituado advogado, com sólida formação acadêmica na Universidade de Harvard, tradicional formadora das elites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Com os referidos políticos da América do Sul, tem em comum, além da origem modesta, a simbologia da mesma improbabilidade que um operário metalúrgico, um jovem militar, um líder indígena e um afro-americano, tivessem de fato, a possibilidade de assumirem lideranças nacionais ainda jovens, com menos de 50 anos. E, menos ainda que tal probabilidade se dê nos EUA, de secular história de conflitos raciais, da mais poderosa potência econômica e militar. Independente dos resultados eleitorais de 2008, o jovem Senador Obama, aos 46 anos, prenuncia que todos serão personagens políticas que vieram para ficar e influenciar o mundo nos próximas trinta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Diante dessa realidade, o que significará para nós, afro-brasileiros, uma eventual vitória do doutor Obama? A primeira constatação é que ele não representa setores do nosso movimento "negro" adeptos da racialização do Estado. Ele nem foi militante dos "blacks moviments", o movimento afro-americano e para ser eleito Senador concorreu e venceu um antigo político apoiado pelos movimentos blacks e o fez com a defesa de políticas públicas universais e sem levar avante nenhuma bandeira de "cotas raciais", apenas acenando com empenho em políticas públicas de Ações Afirmativas que sejam promotoras da igualdade e que neutralize todo tipo de discriminações correntes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             O Senador construiu a carreira política, como parlamentar e mantém vínculos e compromissos com movimentos sociais. Uma evidente característica estampada no perfil humano de Obama é o fato de ser miscigenado tal como é a maioria dos brasileiros. O fato de não ser descendente de ex-escravos é uma situação inédita que o diferencia para a população branca e para os latinos, asiáticos e africanos pois não tem o raivoso discurso dos descendentes de escravos, vítimas do racismo institucional nos EUA, nem se apresenta como militante dos "direitos dos pretos", mas na defesa de direitos dos excluídos, que além dos afro-americanos, contempla também os demais segmentos: mulheres, índios, homossexuais, deficientes e idosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             É o que se deduz de seu livro (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Audácia da Esperança&lt;/span&gt;, 2005), verdadeira plataforma política, em que destaco duas frases simbólicas. A primeira revela o caráter da responsabilidade ética com a formação da juventude distante de conflitos e de violações de direitos: "Eu sonho com uma América com mais engenheiros e menos advogados." A segunda, é a síntese de uma plataforma de superação de crenças negativas baseadas na crença em raças, no machismo, sexismo e homofobia que sustentaram as culturas defeituosas dos séculos 19 e 20: "Eu rejeito a política baseada apenas na identidade racial, na identidade homem-mulher ou na orientação sexual. Eu rejeito a política baseada na vitimização."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             De seu discurso político, recolho lições que servem à nossa disputa política-racial da última década. Desde o início da vida política, a questão racial jamais foi tema principal cujo núcleo tem sido a inclusão, a promoção da igualdade, a garantia de oportunidades, o combate à pobreza e melhor distribuição de rendas, naquela que é a maior economia do mundo. No campo social, sua principal proposta é um imenso programa de transferência de renda, no formato "bolsa-família/ renda mínima" de fazer inveja ao Presidente Lula e ao Senador Eduardo Suplicy com a promessa de transferir U$ 80 bilhões de dólares por ano para as famílias mais pobres. O programa de Lula, dispõe de cerca de U$ 6 bilhões por ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Esse programa, se autorizada a implementação pelos votos do povo norte-americano, contrariando toda a cartilha liberal vigente nos Estados Unidos, far-se-ia, em poucos anos, a maior distribuição de rendas jamais imaginada no mundo capitalista. Para viabilizá-lo, promete mobilizar cada distrito, cada cidade, cada Estado e ainda recorrer-se de milhares de organizações civis e também à consolidada rede de fraternidade das igrejas católicas, protestantes e evangélicas, especialmente, nas periferias urbanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Na América de maioria protestante, Obama tem repetido sua adesão à fé cristã, afastando os preconceitos de seu nome africano, que lembra o Islã, e tem ainda como compromisso o fim da Guerra do Iraque e a retirada de todos os soldados, no prazo de 18 meses. Seu mais aclamado discurso, proferido na Convenção do Partido Democrata de 2004 e que o transformou em estrela política, é um ato de declaração de orgulho e de amor à América e, mais ainda, de fé nos valores democráticos da Declaração de Independência dos Estados Unidos. Ninguém então imaginava viável a candidatura presidencial, que nasce declarando seu amor pelos Estados Unidos, por seu povo e pelos valores daquela sociedade: "Esta noite, nos reunimos para afirmar a imensidão da nossa nação — não por causa da altura de nossos arranha-céus, nem pelo poder de nosso exército, nem pelo tamanho de nossa economia. Nosso orgulho é baseado numa premissa muito simples resumida numa declaração feita há 200 anos: "que todos homens são criados semelhantes, e que a eles são concedidos por seu Criador certos direitos inalienáveis, entre estes a vida, liberdade e a busca da felicidade". Isso é o gênio verdadeiro de América — uma fé em sonhos simples, uma insistência em milagres pequenos." "Não há uma América liberal e uma América conservadora — há os EUA. Não há uma América Negra e uma América Branca, uma América de latinos e América de asiáticos — há os EUA... Isso é o gênio verdadeiro da América, uma fé nos sonhos simples das suas pessoas, a insistência em milagres pequenos... Que podemos participar no processo político e que, na maioria das vezes, nossos votos serão contados..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           De fato, vamos viver meses de grande emoção e a confirmar-se a ascensão da candidatura do Senador Obama, os norte-americanos estarão elegendo mais que um político do Partido Democrata. O eleito será um cidadão do mundo,  pessoa cosmopolita, símbolo do que, pasmo, testemunhou em 1832 o francês Alexis de Tocqueville em "A Democracia na América": Ao ver a nova sociedade na América, Tocqueville conscientizou-se em definitivo que o tempo da nobreza havia passado, que a sua classe nada mais tinha a dizer ao futuro: "formamos parte de um mundo que se despede", escreveu ele à mulher..." "não somos senão que restos de uma sociedade que está se convertendo em pó e que logo não deixará vestígios". (Raimond Aron).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           A já vitoriosa campanha do doutor Obama, mais que as "esperanças e mudanças"  prometidas na plataforma política, também traz esse significado de uma "nova era" em prol do conceito da espécie humana, desmoralizando os que dividem a humanidade em "raças" e condicionados pelo vício da crendice em "raças humanas", ainda defendam, singela e piamente, a ideologia do racismo. Doravante, todos os racistas do mundo, como categoria social, fazem parte de uma sociedade que está virando pó nesta primeira década, do primeiro século do 3º. Milênio, no ano de 2008 d.C. após séculos de império do racismo, da desigualdade, da hierarquia entre os humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           Enfim, por tudo o que representa, e pelo que representará de novidade para as possibilidades humanas no mundo, como cidadão, como brasileiro, como afro-descendente, como militante por Direitos Humanos, como ativista contra a crença em raças humanas e pelo fim de todo tipo de preconceitos e discriminações, também entrei nessa campanha: Obama, láh!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-3643080819977885542?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/3643080819977885542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=3643080819977885542' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3643080819977885542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3643080819977885542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/06/jos-roberto-f-milito-obama-lh.html' title='José Roberto F. Militão: Obama, láh!'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/SEkh_RyzBCI/AAAAAAAAAE8/6bRUz_U9dbY/s72-c/militao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-4084938051471526472</id><published>2008-06-05T11:06:00.002-03:00</published><updated>2008-06-05T11:11:09.223-03:00</updated><title type='text'>Fabio Wanderley Reis -  Liderança, Carisma e Barak Obama</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Minha nota louvando o discurso da vitória de Obama provocou muitas reações de apoio, e várias advertências dos mais realistas – o caminho vai ser difícil, ele ainda não mostrou a que veio, muitas de suas afirmações são vagas, e ele vai ter que enfrentar e participar de alguma forma da realidade dura do jogo de poder e interesses de Washington. Tudo isto é verdade. Mas a política não é só o jogo frio de cálculos e interesses, tem também um forte componente simbólico e expressivo, e é a combinação entre estas duas coisas, que Obama parece ter, que diferencia os melhores lideres dos operadores calculistas de um lado e dos demagogos populistas de outro.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fábio Wanderley Reis, escrevendo no Valor Econômico em 4 de fevereiro passado, expressava a mesma idéia: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Mas a promessa de líder realmente estimulante é Barack Obama. Com o especialíssimo background em termos raciais e étnicos e o forte simbolismo associado (pai africano do Quênia, mãe branca do Kansas e, de quebra, meia-irmã semi-indonésia, portando e ligando-se a nomes e sobrenomes que soam como os de inimigos mortais dos Estados Unidos no período recente); podendo reclamar, como o fez, a condição de herdeiro do movimento dos direitos civis; graduado e pós-graduado por algumas das melhores universidades do país; com o vigor intelectual e pessoal que transparece fortemente na qualidade de sua oratória, combinando-se à imagem de integridade para, ao que indica sua carreira até aqui e a campanha que vem conduzindo na disputa da candidatura do Partido Democrata, torná-lo capaz de mobilizar o eleitorado estadunidense de maneira que há tempos não se via; lutando pelo acesso à Presidência nos Estados Unidos [... ] não só do conflito racial ainda presente, mas da ossificação institucional pela partidarização até do Judiciário, do peso eleitoral do dinheiro, da infeliz conjunção do 11 de setembro com Bush no poder e da sombria e desastrada “guerra ao terrorismo”, e agora da crise econômica; tudo parece justificar a expectativa de que a eventual vitória de Obama na eleição venha a redundar em experiência singular e rica em planos diversos. De minha parte, espero que a experiência possa de fato ocorrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Várias pessoas notaram que, ao contrário do que eu havia entendido, a avó de Obama, a quem ele homenageou no discurso, não foi a queniana, por parte de pai, mas a americana, com quem ele conviveu na juventude. Não foi, portanto, uma refêrencia étnica, mas pessoal).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-4084938051471526472?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/4084938051471526472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=4084938051471526472' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4084938051471526472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4084938051471526472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/06/fabio-wanderley-reis-liderana-carisma-e.html' title='Fabio Wanderley Reis -  Liderança, Carisma e Barak Obama'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-9096647706820118351</id><published>2008-06-05T10:53:00.002-03:00</published><updated>2008-06-05T10:57:08.431-03:00</updated><title type='text'>Roque Callage Neto: Obama e o nível de adesão a uma nova estratégia dos EUA</title><content type='html'>O colega Simon Schwartzman exaltou em correspondência o comportamento e  discurso de Barack Obama em seu anuncio de sagração de candidatura à presidência pelo Partido Democrata, considerando-o "comovente".Exalta Simon principalmente a ênfase à retomada de visão moral dos Estados Unidos, incluindo saída do Iraque, prioridade à pesquisa de  energias não poluentes, internamente o seguro médico a toda a população, cuidado às crianças e à educação extensiva a todos, e crítica aos que usam nacionalismo e  religião para assustar a população nos anos Bush. Simon observa  Obama  como um herdeiro da tradição de Roosevelt e Kennedy, suficientemente abrangente para incluir homenagens a Clinton e Hillary, a mulher que chegou a mais alta disputa na vida pública americana. Homenageou sua avó africana, apresentando-se como um candidato que queria representar todo o país e outros paises também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que Simon se sentiu justamente impactado pelo discurso  enaltecedor, mas gostaria de apresentar argumento cauteloso entre o discurso ideativo e o longo caminho que toca a Obama, inclusive prevendo-o como  político  já consciente sobre   a implementação diferenciada do próprio discurso. Há uma nova coalizão em andamento nos Estados Unidos e ele parece ter  noção  disto, mas uma consciência ainda não bem definida sobre seus significados precisos e aplicados, cometendo seguidamente zigue-zagues conceituais - como que em busca de elementos doutrinários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível verificar que Obama está reunindo com suas propostas, e pela situação econômica-política, o pessoal de Reagan,Carter, Kennedy, e difusamente, visando alterar  o keynesianismo militar de companhias de armamentos em Washington, montado desde Reagan, mas principalmente tornado um sistema de Estado por Bush. Também o histórico sistema de lobbies do welfare corporativo construído pelo Partido Democrata e capturado por Clinton e sua madame com sindicatos e companhias fornecedoras diversas, tradicionais clientes do Estado desde a era Roosevelt.Pretende modificar este tipo de gestão rumo a outro tipo de proposta na direção de comunidades de mudança (como tão bem  desenhava Peter Drucker) descentralizadas e multiculturais. Os EUA estão indo céleres na mesma linha do Canadá, alterando sua composição multiétnica, para desgosto de Samuel Huntington, o inteligente conservador democrata que ainda quer o país como white anglo saxon protestant.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gigantesca dívida gerada por Bush e a concentração de renda foram dois fenômenos gêmeos da manutenção do unilateralismo da linhagem anglo-saxão protestante que justamente cabe agora desmontar, desmontando também a concentração lobbista em Washington, ao mesmo tempo em que externamente, projetar outra política de alianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo em que Obama fala em rever o Nafta e ser novamente protecionista com a industria, agradando empresas médias internas e sindicatos, e abandonar o protecionismo agrícola, tem que cortejar todo o setor primário senão perde votos no heartland republicano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na politica externa,tem a carta na manga de uma nova aliança planetária com países em desenvolvimento o que quebraria definitivamente o conceito de terceiro mundo e a aliança dos BRICS/ China, sendo também alternativa à Europa na competição global (que é o que supostamente e de forma coerente fará para maximizar oportunidades norte-americanas). Mas não pode falar nisto para não perder votos internos do orgulho republicano de superpotência unilateral - que não precisa de ninguém e não presta contas a ninguém, muito menos alianças heterodoxas com países  menores.É neste contexto que se insere o chamado "novo diálogo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Obama tiver estratégia  multidimensional e inteligente dentro do jogo do Partido Democrata, pode apoiar  a recandidatura de Hillary ao Senado e não a vice-presidente, escolhendo-a (já que ela tem expertise) como super encarregada para assuntos da América Ibérica e do Hemisfério Americano dentro do Governo, quebrando a barreira de "muro de Berlim" que a América do Sul está  montando contra os EUA - e negociando uma aliança americana funcional de novo tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vista destas questões sobre cálculos estratégicos, os motivos para uma adesão comovida a projetos dos Estados Unidos permanecem cautelosos – pois com a grande exceção de Wilson nos anos 1920, e do diálogo pan-americano entre Franklin Roosevelt e Oswaldo Aranha de 1942 a 1944, que previa ajuda sem restrições a uma América visionária, solidariedade realmente continental, e um mundo reconstruído, que Truman mediocrizou – os norte-americanos usualmente se detém demais em negociações de alcance limitado a interesse próprio imediato. Por enquanto, Obama e Hillary  não parecem dispostos nem a negociar entre eles com este tipo de proposição "ganha-ganha" de longo alcance.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-9096647706820118351?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/9096647706820118351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=9096647706820118351' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/9096647706820118351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/9096647706820118351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/06/roque-callage-neto-obama-e-o-nvel-de.html' title='Roque Callage Neto: Obama e o nível de adesão a uma nova estratégia dos EUA'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-9219393005528139482</id><published>2008-06-04T11:42:00.002-03:00</published><updated>2008-06-04T11:48:03.722-03:00</updated><title type='text'>Chapéu para Obama</title><content type='html'>Comovente, para dizer o mínimo, o discurso de Barak Obama confirmando sua vitória na disputa pela indicação do Partido Democrata. Disse tudo que tinha que dizer, e tudo muito bem dito. A necessidade de que os Estados Unidos voltem a ser moralmente respeitados no mundo; a necessidade de sair do Iraq, embora reconheça as dificuldades; a prioridade que deve ser dada à pesquisa e aos investimentos em energias não poluentes; a necessidade de proporcionar seguro médico a toda a população, e de garantir  “no money left behind” para o programa “no child left behind” de educação. Criticou os que usam a religião e o nacionalismo para pressionar e assustar os eleitores e elogiou  seu adversário republicano como pessoa, mas não perdoou sua identificação com o governo Bush, sobretudo nas politicas de redução de impostos para os ricos e de poucos investimentos na área social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obama se colocou como herdeiro da grande tradição de Roosevelt e dos Kennedy, sem esquecer Bill Clinton, e prestou uma belíssima homenagem a Hillary, que só não vai aceitar a mão estendida se for demasiado orgulhosa. Lembrou que Hillary foi a mulher que mais alto chegou na vida pública americana, mas não falou de si mesmo, como o primeiro negro a chegar a uma posição ainda mais alta. De suas raízes negras, prestou uma homenagem à sua avó africana, e foi o suficiente – ele não pretende ser o candidato de um grupo, ou de uma raça, mas de todo o país, e de outros paises também. Eu, se pudesse, votava nele...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-9219393005528139482?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/9219393005528139482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=9219393005528139482' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/9219393005528139482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/9219393005528139482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/06/chapu-para-obama.html' title='Chapéu para Obama'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-5934247531940287002</id><published>2008-05-26T21:44:00.002-03:00</published><updated>2008-05-26T21:53:30.748-03:00</updated><title type='text'>Textos vários sobre educação</title><content type='html'>Estão disponíveis, para os interessados, os seguintes textos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/santillana.pdf" target="_self"&gt;Eqüidade e Qualidade da Educação Brasileira,&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.fundacionsantillana.org/Portada/Inicio.htm" target="_self"&gt; Fundação Santillana,&lt;/a&gt; V Seminário de Outono. São Paulo, Editora Moderna, 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/ianas.pdf"&gt;Universidades e desenvolvimento na América Latina: Experiências Exitosas de Centros de Pesquisa&lt;/a&gt;.&lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/ianas.pdf" target="_self"&gt; Biblioteca Virtual de Ciências Humanas, 2008&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/osde.htm" target="_self"&gt;Brasil: el agujero negro de la educación.&lt;/a&gt;  TodaVia - Pesamiento e Cultura en América Latina. Buenos Aires, Fundación OSDE. N. 18, Abril 2008. pp. 14-17&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/docencia.pdf" target="_self"&gt; Liberdade de Docência.&lt;/a&gt; Entrevista à&lt;a href="http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=12411" target="_self"&gt; Revista Educação&lt;/a&gt;, edição 133, 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-5934247531940287002?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/5934247531940287002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=5934247531940287002' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5934247531940287002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5934247531940287002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/05/textos-vrios-sobre-educao.html' title='Textos vários sobre educação'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-5475305083147681118</id><published>2008-05-26T21:24:00.005-03:00</published><updated>2008-05-26T21:44:15.012-03:00</updated><title type='text'>Cenários de Diversificação da Educação Superior na América Latina</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nos dias 4 a 6 de junho estarei participando da Conferencia Regional de Educación Superior 2008, organizada pelo Instituto Internacional da UNESCO para a Educação Superior na América Latina e Caribe (IESALC) em Cartagena. Me pediram que comentasse o trabalho denominado "&lt;/span&gt;&lt;a style="font-style: italic;" href="http://www.cres2008.org/common/docs/doc_base/CAPITULO%2005%20Landinelli.doc"&gt;Escenarios de diversificación, diferenciación y segmentación de la educación superior en América Latina&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;",  de Jorge Landinelli e outros. A propósito, escrevi o texto abaixo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIEZ PROPOSICIONES SOBRE LOS ESCENARIOS DE DIVERSIFICACIÓN, DIFERENCIACIÓN Y SEGMENTACIÓN DE LA EDUCACIÓN SUPERIOR EN AMÉRICA LATINA Y EL CARIBE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En los 15 minutos que me tocan, no tendría como comentar y hacer justicia al trabajo tan detallado y que nos presentan Jorge Landinelli y sus colaboradores.  Me parece mejor presentar algunas proposiciones que ojala puedan contribuir para el mejor entendimiento de los temas en discusión.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 – Los procesos de diferenciación, diferenciación y segmentación de la educación superior, que se acentúan en la región a partir de los años 90, no son el resultado de políticas públicas o económicas de los gobiernos de aquellos años, sino que del amplio proceso de masificación de la educación superior que ha ocurrido en todo el mundo desde entonces, proceso del cual América Latina participa con retrazo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 – Los países latinoamericanos han respondido a este proceso de dos maneras principales. En algunos, como México,  Venezuela, República Dominicana, Argentina y Uruguay, adonde existían universidades nacionales con admisión libre para personas con diplomas de educación media, estas universidades crecieron hasta llegar a centenas de miles de estudiantes. En la medida en que se tornaban inmanejables, esto llevó a la creación de universidades regionales, y también a mayor abertura para la creación de universidades privadas.  En otros, como Brasil, Chile y Colombia, adonde ya había un sistema privado de educación superior establecido, este sistema privado creció y absorbió la mayor parte de la demanda, dejando las universidades públicas relativamente protegidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 – Además del problema de cómo responder a la demanda creciente por educación superior, los países de la región tuvieron que responder a las demandas de la economía por mano de obra más calificada, y al aumento creciente de demanda de recursos públicos para  la educación básica y media, los sistemas de jubilaciones y salud pública, obras públicas y otros, que sobrecargaron los presupuestos nacionales, llevando a procesos inflacionarios y aumento progresivo de la deuda pública, que, combinados con la inestabilidad financiera internacional, resultaron en las crisis y los ajustes económicos de aquellos años.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 –  Es importante darse cuenta que, antes de las políticas de ajuste de los años 90, las universidades públicas de la región ya sufrían problemas serios de calidad, equidad y uso ineficiente de los recursos públicos, necesitando de reformas y transformaciones que no tenían que ver con los ajustes económicos, pero que se tornaron más acentuadas en los momentos de crisis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para entender lo que ha pasado, y tener condiciones de pensar mejores alternativas para el futuro, es necesario deshacer una narrativa bastante corriente sobre como eran las universidades en la región, sustituyéndola por una perspectiva más cercana a la realidad. Esta narrativa equivocada, con algunas variaciones, es que, gracias al movimiento de la Reforma Universitaria que empezó en Córdoba hace casi cien años, las universidades públicas latinoamericanas se constituyeron como instituciones democráticas, de alta competencia y orientada a las cuestiones de interés cultural y social, virtudes que las políticas de ajuste económico, orientación hacia el mercado, búsqueda de eficiencia y privatización de los años 90 trataron de destruir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 – Si es verdad que el movimiento de la Reforma, al dar más poderes a los estudiantes y maestros en las universidades, las hizo internamente más democráticas, esta democracia no se tradujo en beneficios para la sociedad más amplia. Las universidades no jugaron un papel significativo en la formación de docentes de buena calidad para la educación básica y media, y, cuando aumentaron de tamaño para responder a la demanda creciente por educación superior, no crearon mecanismos adecuados para impedir que  muchos de sus estudiantes, sino la mayoría, jamás lograran obtener los títulos superiores que buscaban. Además, las universidades se estratificaron internamente, con alta selectividad en los cursos de graduación en las carreras tradicionales, como medicina e ingeniería, y baja selectividad y control de calidad en las profesiones sociales, humanas y en la formación de maestros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 – Con las excepciones de siempre, la calidad la investigación científica y tecnológica en la región nunca fue muy buena. La investigación científica siempre fue muy limitada y sin proyección internacional, y los pocos ejemplos de universidades que han desarrollado actividades significativas de transferencia de conocimientos, capacitación y ayuda técnica a los gobiernos, empresas y a la población siempre fueron más bien la excepción que la regla. En la formación profesional, los mecanismos de gobierno colegiados y participativos siempre han limitado la posibilidad de la utilización de sistemas de control de calidad que pudieran amenazar a personas de prestigio o grupos académicos dentro de las instituciones, así como políticas activas de búsqueda de talentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 – Desde sus inicios, las universidades latinoamericanas, centradas en las carreras clásicas del derecho, la medicina y la ingeniería, siempre estuvieron orientadas hacia el mercado, y de hecho, hasta muy poco tiempo, siempre fueron dirigidas por personas con fuerte participación en el mercado de trabajo. La diferencia importante entre el pasado y ahora es que, antes, el principal empleador eran los gobiernos, y la alternativa a las carreras políticas o al empleo público eran las profesiones liberales. No se puede esperar que las universidades no capaciten las personas para la vida del trabajo, y no hay incompatibilidad entre competencia profesional y capacidad de absorber cultura y mirar críticamente a la sociedad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Los movimientos estudiantiles, y muchos profesores en las facultades y departamentos de ciencias sociales, tienen gran tradición de mirar críticamente sus sociedades y buscar formas de transformarlas por la movilización política, pero esto no ha creado una tradición de pensamiento social consistente que se pueda identificar como resultante de la labor universitaria y académica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 -  Ese pasado no recomienda que se vuelva a las universidades tradicionales, en su formato tradicional, para buscar respuestas a los procesos crecientes de diferenciación, diversificación y segmentación de la educación superior en los países de la región. Mas allá de sus problemas, estas universidades tienen papeles importantes para jugar, y para esto necesitan utilizar de manera más eficiente sus recursos, preparar mejor para las profesiones de mercado, que son más competitivas que las tradicionales, fortalecer su capacidad de investigación y establecer puentes efectivas de colaboración y participación con la sociedad más amplia que las mantienen. Pero el universo de la educación superior contemporánea es mucho más amplio que el de estas instituciones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 – Una decisión importante que los países tienen que tomar es en que medida la absorción de la educación de masas se va hacer por las universidades públicas o privadas. Hay buenos argumentos de los dos lados.  No es verdad que, en principio, solamente instituciones públicas logren dar formación de calidad, o que las privadas, y las con fines de lucro sean siempre malas – hay buenas y malas instituciones en todos los sectores. Pero lo que se considera calidad en una institución de elite es muy distinto de lo que se considera calidad en una institución orientada hacia la educación masiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 - Del punto de vista de la equidad, es razonable que las instituciones públicas atiendan con prioridad a la población de menores ingresos, que ahora están buscando la educación superior en grandes números, dejando para el sector privado la educación más cara y compleja que los estudiante con más recursos y que más se beneficiarán pueden pagar. Del punto de vista de la formación de alto nivel y la investigación científica, es recomendable que el sector público asuma la responsabilidad de apoyarlas, considerando que difícilmente el sector privado haría las inversiones de alto costo que estas actividades requieren.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícilmente las mismas instituciones harán bien estos dos tipos de formación de elite y de masas. Es necesario que, en el universo complexo y diferenciado de la educación superior contemporánea, las instituciones, públicas y privadas, busquen sus nichos de actuación, y los gobiernos desarrollen políticas de regulación, incentivos y apoyo financiero para que, en su conjunto, las sociedades produzcan educación superior en la cantidad y con la calidad necesarios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-5475305083147681118?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/5475305083147681118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=5475305083147681118' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5475305083147681118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5475305083147681118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/05/cenrios-de-diversificao-da-educao.html' title='Cenários de Diversificação da Educação Superior na América Latina'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-4326099835807315545</id><published>2008-05-19T09:51:00.003-03:00</published><updated>2008-05-19T10:46:50.922-03:00</updated><title type='text'>Roberto Salmeron e Alberto Santoro: Física de Partículas</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Na minha entrevista à revista Veja de dua semanas atrás, eu coloquei em dúvida, como exemplo, a prioridade que deve ser dada à física de partículas no Brasil. Isto provocou críticas de vários pesquisadores da área, entre os quais a do professor Ronald Cintra Shellard, que está publicada como comentário &lt;/span&gt;&lt;a style="font-style: italic;" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;amp;postID=393225163658865393"&gt;aqui.&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Agora recebi uma outra carta, dos professores Roberto Salmeron, personalidade importante da ciência brasileira, e Alberto Santoro, do Instituto de Física da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, cujo texto transcrevo abaixo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É possivel que eu tenha me equivocado totalmente, de fato não sou especialista na área (embora saiba algo da história e das políticas da ciência no Brasil) e neste caso peço desculpas. Mas acredito que eu teria encontrado a mesma reação se tivesse questionado a prioridade do programa espacial, ou dos estudos de filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu ponto principal, que creio que continua valendo, é que é necessário poder discutir de forma aberta a importância e o peso relativo das diversas áreas de pesquisa em um país, com a participação tanto dos especialistas quanto de outros setores da sociedade,  e tomar decisões sobre prioridades, sem com isto diminuir a liberdade intelectual nem desvalorizar a contribuição de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O argumento de que todas as áreas do conhecimento devem ser apoiadas, porque fazem parte da cultura, e que só os especialistas  podem opinar sobre os respectivos campos, é válido quando os recursos são ilimitados, mas acaba redundando em uma grande dispersão de esforços que nunca atingem a densidade científica e técnica que o país necessita.  Para ficar mais claro   o que estou dizendo, sugiro a leitura dos critérios para o apoio à pesquisa básica do Office of Management and Budget do governo americano, &lt;a href="http://www.aau.edu/research/OMBCriteria.html"&gt;disponível aqui.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue a carta dos professores Salmeron e Santoro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;19 de maio de 2008&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Prezado professor Simon Schwartzman,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com grande surpresa e preocupação lemos em sua entrevista à revista Veja de 3 de maio de 2008, páginas amarelas, algumas declarações questionáveis, mas sobretudo as seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “ Não tem sentido, por exemplo, o Brasil fortalecer sua pesquisa em física de partículas. Tivemos aqui pesquisadores importantes na década de 40, como Mário Schenberg e César Lattes, que fizeram pesquisa de fronteira e publicaram artigos preciosos. Mas acabou aí. Depois nisso ninguém fez mais nada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “A física de partículas é hoje uma ciência bilionária. Depende de investimentos que nenhum pais faz sozinho. O Brasil vai participar desse jogo para que? E vai botar quanto dinheiro nisso?    “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Essas afirmações são inteiramente fora da realidade e são uma ofensa a  brasileiros que têm dado contribuições fundamentais a essa área e se impuseram na comunidade internacional de físicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Desejamos inicialmente fazer duas correções. A primeira, Mário Schenberg nunca trabalhou em física de partículas elementares. Trabalhou no que chamamos “teoria de campos”, que em alguns aspectos às vezes tem conexão com física de partículas mas não é física de partículas. A segunda, os únicos trabalhos importantes feitos em física de partículas no Brasil na década de 40 foram os do professor Gleb Wataghin e seus colaboradores diretos no Departamento de Física da ex-Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP, tanto em teoria quanto em experiências. Entre eles, a primeira teoria estatística sobre produção de mésons de Gleb Wataghin, trabalho pioneiro de 1942, e a descoberta experimental dos “chuveiros penetrantes” em colaboração com Marcello Damy de Souza Santos e Paulus Aulus Pompéia, de 1940. Esta experiência foi repetida na Inglaterra com técnica diferente e contribuiu para uma das mais importantes descobertas da física do século XX, a das “partículas estranhas”. São trabalhos que ficaram na história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Sua afirmação:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;   “Mas acabou aí. Depois disso ninguém fez mais nada”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;   é uma ofensa a brasileiros que contribuíram e continuam contribuindo para esse campo da física. Contrariamente à sua afirmação, há centenas de trabalhos em física de partículas feitos com colaboração de brasileiros. Alguns deles, pela sua importância, ficaram na história da Física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Por exemplo, um grupo de físicos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, contribuiu para a descoberta do “quark top”. Sabemos que a maioria das partículas são compostas de seis partículas chamadas “quarks”. O “top” por ser o mais pesado foi o de detecção mais difícil. Foi descoberto numa experiência realizada no Fermilab nos Estado Unidos, da qual participou o grupo brasileiro. Uma parte da análise dos eventos que prova que se tratava realmente do “quark top” foi inteiramente realizada no Rio. O anúncio dessa descoberta foi feito com uma declaração à imprensa no mesmo dia e na mesma hora, levando-se em consideração os fusos horários, em Nova York, em Paris e no Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Em novembro passado os jornais de todo o mundo publicaram a notícia de que a colaboração internacional conhecida como “Projeto Auger” descobriu origens de raios cósmicos de altíssimas energias, um dos grandes desafios da física deste século. A colaboração Auger tem forte participação de grupos brasileiros de várias de nossas universidades, de um lado com equipamento importante integralmente construído pela indústria nacional, de outro com a elaboração de programas de computadores para análise dos dados. Dois físicos brasileiros fazem parte do comitê internacional de direção da colaboração. O financiamento da parte brasileira foi feito pelo CNPq e pela FAPESP, cujas direções expressaram publicamente sua satisfação com o resultado obtido. Queremos também esclarecer que esta experiência é uma experiência em física de partículas elementares, os raios cósmicos sendo partículas, todo o equipamento é o mesmo utilizado em física de partículas junto a aceleradores. Todos os físicos da experiência tiveram sua formação em física de partículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Vejamos suas outras afirmações:   &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;   “A física de partículas é hoje uma ciência bilionária. Depende de investimentos que nenhum país faz sozinho. O Brasil vai participar desse jogo para que? E vai botar quanto dinheiro nisso?“&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;   Dizer que a física de partículas é uma “ciência bilionária com investimentos que nenhum país faz sozinho” exige uma explicação, porque o grande público não conhece a estrutura dessa disciplina e vai pensar que o Brasil gasta ou vai gastar fortunas fabulosas, bilhões de reais ou de dólares, o que seria um absurdo. Sua declaração nos dá o direito de pensar que o senhor também não conhece a estrutura da disciplina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A realidade é a seguinte. As experiências são realizadas por colaborações internacionais junto a grandes aceleradores de partículas, dos quais os mais importantes são o Tevatron do Fermilab nos Estados Unidos, agora em fins de utilização depois de mais de 30 anos, e o novo acelerador Large Hadron Collider (LHC) do CERN, situado em Genebra, na Suíça. A construção dos aceleradores, de todas as  suas partes, os contratos com as indústrias, a infra-estrutura técnica, oficinas, computadores, salários de engenheiros, de técnicos e de físicos com contratos permanentes são pagos integralmente pelos governos dos países que são os donos dos laboratórios. No caso do Tevatron, o governo do Estados Unidos. No caso do CERN, que é um laboratório internacional europeu pertencente a 20 paises da Europa, os governos desses 20 países, que financiam um orçamento anual. O Brasil, como todos os outros países que não são membros do CERN, não paga absolutamente nada para construção e manutenção do laboratório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   As experiências são realizadas por colaborações internacionais cujos financiamentos são feitos em parte pelo próprio CERN, mas na maior parte pelos paises que participam da colaboração. Há um espírito de colaboração, cada país contribui dentro de suas possibilidades. Grupos brasileiros estão participando de quatro grandes experiências no LHC do CERN, que entrará em funcionamento normal daqui a dois ou três meses. Participam dessas experiências 150 países, e dentre eles pelo menos 140 são mais pobres que o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   É preciso levar em consideração também que a física de partículas elementares está na vanguarda da tecnologia, que beneficia o Brasil. Um grupo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e outro da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” estão colaborando com o CERN em nova filosofia para cálculos de experiências com grandes números de dados e fizeram que centenas de computadores fossem construídos pela indústria nacional, utilizados por várias de nossas universidades; são pólos da América Latina para receber dados diretamente de Genebra e transmiti-los aos outros países. O grupo da UERJ  está auxiliando a Faculdade de Medicina em informática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Se não houvesse física de altas energias o senhor não teria internet, pois o www foi inventado no CERN.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Como resposta à sua pergunta&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;   “E vai botar quanto dinheiro nisso?“&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   queremos informar que em física de partículas elementares o Brasil gasta muito menos do que em outras áreas da física e da pesquisa científica. A astronomia, ciência importante que deve ser apoiada e cada vez mais exige trabalhos em colaborações internacionais, tem orçamento anual fixado por lei, maior do que a verba total de todas as experiências de partículas elementares, incluindo viagens e estadias no exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Queremos informar de que está havendo uma preocupação extremamente salutar em cientistas brasileiros de todas as idades e de várias ciências, como física, matemática, química, bioquímica, farmacologia, ciências médicas, genética, com a qualidade dos trabalhos efetuados no Brasil. Nossa produção científica aumenta incontestavelmente, mas a preocupação é: qual o impacto dos trabalhos feitos no Brasil ? Pouquíssimo, a não ser alguns trabalhos. A experiência internacional nos ensina que o caminho mais curto para se chegar ao impacto é o de colaborações internacionais. E a física de partículas elementares está dando o exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Para responder à sua pergunta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “O Brasil vai participar desse jogo para que?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   queremos dizer inicialmente que não é um jogo, é Cultura. Somos um país de 180 milhões de habitantes, um povo empreendedor, grande proporção de jovens, é nosso dever de universitários de estimular a curiosidade e a cultura das novas gerações, de fazê-las participar de grandes movimentos culturais do mundo, de não mantê-las isoladas. É nosso dever contribuir para acabar definitivamente com a idéia retrógrada de “é bom para a Europa ou os Estados Unidos mas não é bom para o Brasil”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   As informações erradas que o senhor transmitiu em sua entrevista são ainda agravadas pelo fato de o senhor ser membro titular da Academia Brasileira de Ciências, o que lhe dá certo prestígio perante o público, mas os leitores de Veja não sabem que um acadêmico também pode errar.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;/span&gt;  Cordialmente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Professor Alberto Santoro,   Diretor,  Departamento de Física de Altas Energias,  Instituto de Física,   Universidade do Estado do Rio de Janeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Professor Roberto Salmeron, Diretor de Pesquisa Emérito, Laboratoire Leprince-Ringuet, Ecole Polytechnique, França&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-4326099835807315545?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/4326099835807315545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=4326099835807315545' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4326099835807315545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4326099835807315545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/05/roberto-salmeron-e-alberto-santoro.html' title='Roberto Salmeron e Alberto Santoro: Física de Partículas'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-393225163658865393</id><published>2008-05-04T23:39:00.004-03:00</published><updated>2008-05-05T16:33:45.637-03:00</updated><title type='text'>É preciso ir à luta!</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Com este título, A revista &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Veja&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;do dia 7 de maio de 2008 publica uma entrevista comigo nas &lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;"Páginas Amarelas", &lt;/span&gt;a propósito de uma pesquisa que realizamos sobre os vínculos entre a pesquisa acadêmica e suas aplicações práticas na América Latina. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Para quem tiver interesse, uma versão preliminar em português dos resultados da pesquisa, realizada na Argentina, Brasil, Chile e México, pode ser &lt;/span&gt;&lt;a style="font-style: italic;" href="http://www.schwartzman.org.br/simon/ciencialat/introd.htm"&gt;acessada aqui.&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; O texto da entrevista é o seguinte:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sociólogo Simon Schwartzman, 68 anos, ex-presidente do IBGE, é dono de uma vasta produção acadêmica, na qual o tema da educação ocupa lugar de destaque. Seu mais recente trabalho é uma análise comparativa de dezesseis centros de pesquisa universitários do Brasil, da Argentina, do México e do Chile, com foco na aplicação efetiva da produção científica ali desenvolvida. Nele são esquadrinhadas experiências em geral positivas: centros de excelência integrados ao mercado e afinados com as necessidades de cada país. Uma realidade bem distante da que se constata na maior parte das universidades brasileiras. Nesta entrevista, concedida em sua sala no Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), Schwartzman defende a maior integração entre universidade e empresas e a valorização dos centros de excelência. Ele também faz um alerta. O Brasil está ficando cada dia mais distante dos países desenvolvidos no que se refere a investimento em pesquisa. "Estamos perdendo o bonde."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja &lt;/span&gt;– As pesquisas feitas nas universidades brasileiras contribuem para o desenvolvimento do país?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Schwartzman &lt;/span&gt;– Não como deveriam. Em geral, elas ficam restritas ao âmbito acadêmico e não se transformam em produtos ou serviços úteis à sociedade. Não há transferência de conhecimento, nem mesmo quando se trata de uma pesquisa aplicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja &lt;/span&gt;– Por que isso acontece?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Schwartzman &lt;/span&gt;– Há vários fatores envolvidos. Um deles é que a universidade pública, onde se realiza boa parte da pesquisa acadêmica no país, não é estimulada a atender às demandas da sociedade e do setor empresarial, porque é integralmente financiada pelo dinheiro do governo. A experiência mostra que uma instituição só se volta para fora quando precisa buscar recursos. Uma universidade integralmente financiada pelo dinheiro público tem uma tendência à acomodação. Não precisa buscar parceiros e aliados externos. Ao mesmo tempo, a indústria brasileira, tradicionalmente, não tem demanda por tecnologia. Você não pode dizer que a responsabilidade é apenas das universidades se do outro lado não há procura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja &lt;/span&gt;– O melhor caminho é necessariamente a associação entre universidade e empresa?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Schwartzman&lt;/span&gt; – Na maioria das vezes, sim. Mesmo pesquisas importantes para a sociedade não são devidamente aproveitadas fora da academia quando não existe parceria com empresas. O pesquisador pode criar uma cura para determinada doença, mas transformar isso em um produto farmacêutico requer um investimento enorme e muitos anos de trabalho na etapa de desenvolvimento. Só o custo para registrar uma patente pode chegar a centenas de milhares de dólares. Não basta inscrevê-la num único escritório, a patente tem de ser registrada na Ásia, nos Estados Unidos e na Europa, que são os principais mercados. Isso muitas vezes só é possível com a ajuda de um parceiro privado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja &lt;/span&gt;– Qual a responsabilidade dos órgãos oficiais de financiamento à pesquisa nessa situação?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Schwartzman &lt;/span&gt;– O sistema de avaliação dos centros de pesquisa e pós-graduação utilizado pela Capes tem mais de trinta anos. E foi muito importante para o Brasil. Graças a ele, o país tem hoje uma pós-graduação que é de longe a melhor da América Latina. Mas já está ultrapassado. Ele dá muita ênfase aos trabalhos acadêmicos e desestimula qualquer iniciativa prática. Os critérios de qualidade levam em conta o número de artigos publicados, o número de doutores formados e a participação em congressos internacionais. A aplicação da pesquisa não é valorizada. Com isso, os pesquisadores só querem publicar artigos em revistas internacionais e, assim, contar pontos  para seu departamento. Depois de o artigo ter sido publicado, eles não se interessam em procurar uma empresa para desenvolver o produto. Consideram mais vantajoso à carreira iniciar outra pesquisa, para publicar um novo artigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja &lt;/span&gt;– O que o Brasil perde com isso?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Schwartzman &lt;/span&gt;– Há dois tipos de perda. O setor privado perde uma excelente oportunidade de evoluir tecnologicamente. E o governo também perde, pois não usa o saber acadêmico para auxiliá-lo na formulação de políticas públicas. Há uma série de demandas por pesquisa em diversas áreas. Em saúde, por exemplo, para controlar a dengue. Na formulação de políticas de segurança, na administração de complexos urbanos. São linhas de estudo que o governo deveria estimular – e usar. O Brasil precisa do melhor conhecimento para lidar com suas questões econômicas e sociais, e não pode abrir mão dos centros de excelência das universidades. Veja só a área da educação, em que o país vive uma tragédia. Temos um sistema educacional que não ensina. As crianças entram na escola e saem semi-analfabetas com 13 ou 14 anos de idade. Faltam estudos para entender o que está acontecendo, quais as saídas, o que funciona e o que não funciona. A área do meio ambiente é pior ainda. Eu nunca vi um estudo sério e competente sobre a transposição do Rio São Francisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja &lt;/span&gt;– Como mudar esse quadro?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Schwartzman &lt;/span&gt;– Por um lado, o governo precisa ser melhor usuário de pesquisas. Embora ele tenha institutos próprios, como o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), há sempre um risco quando o pesquisador recebe seu salário diretamente do ministério. E se o ministro não gostar da pesquisa? Outro papel do governo é estimular as empresas privadas a investir em inovação. Ele tem de compartilhar o risco desse investimento. No que diz respeito à universidade, há duas maneiras de pensar uma mudança: de cima para baixo e de baixo para cima. No primeiro sentido seria criando normas para regular o funcionamento das instituições. Isso já foi tentado no Brasil com a criação da Lei de Inovação, que facilita a ligação da universidade com a indústria. Mas nunca funcionou muito bem. Acho que o melhor caminho é de baixo para cima. Ou seja, dando mais autonomia às universidades e estimulando para que elas não fiquem restritas ao meio acadêmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja &lt;/span&gt;– De que forma é possível fazer isso?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Schwartzman&lt;/span&gt; – As universidades públicas seguem a lógica do serviço público. Não têm flexibilidade para pagar melhor determinado pesquisador nem para tratar de forma diferenciada um departamento que tem potencial para produzir mais. Elas precisam poder ser mais flexíveis na sua administração. Esse é um ponto. De outro lado, as instituições têm de ser motivadas a buscar parceria com as empresas. Precisam ganhar alguma coisa com isso, mas também têm de perder se não o fizerem. Vou dar uma sugestão. Se cada departamento da universidade recebesse apenas 50% do seu orçamento e tivesse de levantar os outros 50%, já seria um grande estímulo. Poderia ser estipulado que o pesquisador receberá seu salário em dobro se o departamento conseguir mais dinheiro, mas receberá a metade se não conseguir nada. Isso os tiraria da inércia. Quando eu estudava na Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, fecharam o departamento de biologia porque estava obsoleto. E é uma universidade pública. O departamento era antigo, tinha pesquisadores experientes e famosos, mas considerados ultrapassados. Depois de fechá-lo, a universidade foi ao mercado buscar uma nova geração de pesquisadores para substituir a antiga. E por que fizeram isso? Porque sabiam que se tivessem um departamento forte e atualizado conseguiriam dinheiro com mais facilidade junto ao governo e às empresas privadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja&lt;/span&gt; – Que critérios uma universidade brasileira segue para definir suas linhas de pesquisa?&lt;br /&gt;Schwartzman – As decisões são individuais. A lógica é a que está na cabeça de cada pesquisador. Isso pode ser bom para a carreira dele, mas não é interessante para o país porque não há uma linha coerente. O pesquisador morre de medo de alguém dizer a ele o que deve pesquisar. E às vezes tem boas razões para isso. Concordo que o governo não pode definir o que deve ser pesquisado no país. Mas acho que cada instituição tem de eleger prioridades estratégicas, voltadas para as demandas da sociedade. Não tem sentido, por exemplo, o Brasil fortalecer sua pesquisa em física de partículas. Tivemos aqui pesquisadores importantes na década de 40, como Mario Schenberg e Cesar Lattes, que fizeram pesquisa de fronteira e publicaram artigos preciosos. Mas acabou aí. Depois disso ninguém fez mais nada. A física de partículas é hoje uma área bilionária. Depende de investimentos que nenhum país faz sozinho. O Brasil vai participar desse jogo para quê? E vai botar quanto dinheiro nisso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja &lt;/span&gt;– O governo distribui corretamente seus investimentos em pesquisa?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Schwartzman&lt;/span&gt; – Esse é outro problema. O governo pulveriza muito os recursos. E os projetos contemplados não conseguem crescer. O CNPq (responsável pelo financiamento de pesquisas universitárias) criou o Instituto do Milênio, cuja idéia inicial era fortalecer alguns centros. Mas isso foi sendo pulverizado. Em vez de concentrar o dinheiro em centros de excelência, a estratégia foi diluir. É um critério democrático, mas com isso você não cria densidade. Dessa forma é impossível dar um salto de qualidade. A atividade científica é cara e concentrada. Não é para qualquer grupo. Hoje, a legislação brasileira exige que todas as universidades façam pesquisa. Isso só estimula uma mimetização. O professor participa de um congresso qualquer ou publica um artigo numa revista que ninguém lê. É algo que tem aparência de pesquisa, mas não produz conhecimento. Fazer pesquisa significa participar de um grupo seleto e muito exigente de pessoas que estão produzindo conhecimento de fronteira. É uma atividade que pouca gente faz. Por isso o investimento deveria ser concentrado, como acontece em países desenvolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja&lt;/span&gt; – Sua pesquisa analisou universidades que conseguem associar ciência de excelência à relevância social ou econômica. Elas têm algum ponto em comum?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Schwartzman &lt;/span&gt;– O principal fator é o humano. Em todos os casos que estudamos, havia um pesquisador com mentalidade empresarial, que liderou o processo de integração com o mercado. Mesmo nas universidades públicas, o líder de um departamento, além de ser bom na sua área, deve ter um perfil empreendedor. Precisa estar o tempo todo antenado com o que acontece fora da universidade para saber quais temas de pesquisa estão surgindo, quais as linhas mais promissoras e onde estão as oportunidades. Ele tem de saber convencer os outros da importância do seu trabalho. Isso cria uma dinâmica. Foi o que aconteceu no Instituto Tecnológico de Aeronáutica, que virou padrão internacional na área de engenharia. Por que o Exército ou a Marinha não conseguiram fazer nada parecido? Não foi por questão política. Foi porque colocaram gente de talento lá dentro. É preciso dar mais liberdade para que líderes de departamento com capacidade empreendedora possam agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja &lt;/span&gt;– Como isso acontece nos países desenvolvidos?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Schwartzman &lt;/span&gt;– Na Inglaterra, todas as universidades são públicas, mas são administradas como se fossem do setor privado. Elas têm agilidade para buscar recursos, identificar prioridades, contratar ou demitir gente e, principalmente, pagar de forma diferente profissionais diferentes. Um grande médico ou um grande químico não podem ganhar o mesmo que um professor de história, como acontece nos universidades públicas brasileiras. Nada contra os historiadores, mas esses profissionais são pagos de forma diferente no mercado. Se a universidade não fizer o mesmo, os mais qualificados irão atrás de oportunidades melhores na iniciativa privada. Nos Estados Unidos, as universidades trabalham com todo tipo de convênio e de parceria. Evidentemente produzem muito mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja&lt;/span&gt; – O mau uso de verbas públicas por fundações ligadas a universidades originou um escândalo que resultou no afastamento do reitor da Universidade de Brasília. No Brasil, essa liberdade não pode dar margem a abusos?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Schwartzman&lt;/span&gt; – Não há respostas óbvias para isso. Tudo precisa ser regulado. O caso das fundações é bastante interessante. Elas foram criadas para contornar a rigidez na administração das universidades públicas. Claro que há possibilidade de abusos, como aconteceu em Brasília. Mas fechá-las seria um desastre. Acho muito importante manter as fundações, sobretudo enquanto as universidades públicas estiverem submetidas à camisa-de-força do serviço público. Precisamos ver caso a caso se as irregularidades são de fato ações desonestas ou o exercício efetivo da flexibilidade para o qual elas foram criadas. Fundações estão submetidas à legislação própria de responsabilidade e transparência no uso de recursos, e, se há irregularidades, a solução não é fechá-las, mas aplicar as regras que existem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja &lt;/span&gt;– A economia brasileira está vivendo um período notável. A pesquisa acadêmica não tem se beneficiado disso?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Schwartzman &lt;/span&gt;– Não o bastante. O Brasil está perdendo o bonde. O volume de investimento em pesquisa tem crescido a uma velocidade bem maior nos países desenvolvidos do que aqui. A distância está aumentando muito. O país não tem capacidade para atrair um investimento de qualidade porque não tem massa crítica. O atual governo fala muito sobre a questão da inclusão. Seu tema principal é o acesso à universidade. Acho isso um equívoco. Você não tem tanta gente para colocar na universidade porque o ensino médio está muito ruim. Essa política dá acesso a gente que não vai conseguir muita coisa. Não acho que o problema da desigualdade social passe pela inclusão na universidade. Seria melhor oferecer uma educação básica de qualidade. A função da universidade é produzir competência, gente bem formada e pesquisa de qualidade. A universidade tem de ter liberdade e estímulo para eleger prioridades. Hoje ela não tem nem uma coisa nem outra. O que devemos discutir é se essa universidade tem bons engenheiros, bons cientistas e se tem capacidade para oferecer serviços. O resto é secundário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-393225163658865393?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/393225163658865393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=393225163658865393' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/393225163658865393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/393225163658865393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/05/preciso-ir-luta.html' title='É preciso ir à luta!'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-7544645034820808995</id><published>2008-05-01T17:13:00.003-03:00</published><updated>2008-05-01T17:22:00.578-03:00</updated><title type='text'>Novas adesões à carta contra as leis raciais</title><content type='html'>A carta "Cento e treze cidadãos anti-racistas contra as leis raciais",  entregue ontem ao STF, poderia ter recebido milhares de assinaturas, se  não houvesse uma limitação de tempo para a conquista de adesões. A  limitação também teve um outro sentido: o documento não podia se tornar  público antes de ser recebido oficialmente pelo STF.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o documento é público, está aberto a novas adesões, e está &lt;a href="http://www.petitiononline.com/antiraca/petition.html"&gt;disponível aqui&lt;/a&gt;. Nesse site, os aderentes devem confirmar sua assinaturas com seus endereços eletrônicos. Estes emais NÃO se tornarão públicos, para respeitar o direito à privacidade de cada um.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-7544645034820808995?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/7544645034820808995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=7544645034820808995' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7544645034820808995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7544645034820808995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/05/novas-adeses-carta-contra-as-leis.html' title='Novas adesões à carta contra as leis raciais'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-8557412140414658724</id><published>2008-04-30T21:02:00.003-03:00</published><updated>2008-04-30T21:28:51.929-03:00</updated><title type='text'>Cento e treze cidadãos anti-racistas contra as leis raciais</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Este é o texto da carta entregue hoje, 30 de abril, ao Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Mendes, contra as leis raciais no Brasil, que também assinei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cento e treze cidadãos anti-racistas contra as leis raciais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Excelentíssimo Sr. Ministro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI 3.330 e ADI 3.197) promovidas pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), a primeira contra o programa PROUNI e a segunda contra a lei de cotas nos concursos vestibulares das universidades estaduais do Rio de Janeiro, serão apreciadas proximamente pelo STF. Os julgamentos terão significado histórico, pois podem criar jurisprudência sobre a constitucionalidade de cotas raciais não só para o financiamento de cursos no ensino superior particular e para concursos de ingresso no ensino superior público como para concursos públicos em geral. Mais ainda: os julgamentos têm o potencial de enviar uma mensagem decisiva sobre a constitucionalidade da produção de leis raciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, intelectuais da sociedade civil, sindicalistas, empresários e ativistas dos movimentos negros e outros movimentos sociais, dirigimo-nos respeitosamente aos Juízes da corte mais alta, que recebeu do povo constituinte a prerrogativa de guardiã da Constituição, para oferecer argumentos contrários à admissão de cotas raciais na ordem política e jurídica da República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na seara do que Vossas Excelências dominam, apontamos a Constituição Federal, no seu Artigo 19, que estabelece: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”. O Artigo 208 dispõe que: “O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um”. Alinhada com os princípios e garantias da Constituição Federal, a Constituição Estadual do Rio de Janeiro, no seu Artigo 9, § 1º, determina que: “Ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado em razão de nascimento, idade, etnia, raça, cor, sexo, estado civil, trabalho rural ou urbano, religião, convicções políticas ou filosóficas, deficiência física ou mental, por ter cumprido pena nem por qualquer particularidade ou condição”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras da Lei emanam de uma tradição brasileira, que cumpre exatos 120 anos desde a Abolição da escravidão, de não dar amparo a leis e políticas raciais. No intuito de justificar o rompimento dessa tradição, os proponentes das cotas raciais sustentam que o princípio da igualdade de todos perante a lei exige tratar desigualmente os desiguais. Ritualmente, eles citam a Oração aos Moços, na qual Rui Barbosa, inspirado em Aristóteles, explica que: “A regra da igualdade não consiste senão em aquinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade.” O método de tratar desigualmente os desiguais, a que se refere, é aquele aplicado, com justiça, em campos tão distintos quanto o sistema tributário, por meio da tributação progressiva, e as políticas sociais de transferência de renda. Mas a sua invocação para sustentar leis raciais não é mais que um sofisma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os concursos vestibulares, pelos quais se dá o ingresso no ensino superior de qualidade “segundo a capacidade de cada um”, não são promotores de desigualdades, mas se realizam no terreno semeado por desigualdades sociais prévias. A pobreza no Brasil tem todas as cores. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2006, entre 43 milhões de pessoas de 18 a 30 anos de idade, 12,9 milhões tinham renda familiar per capita de meio salário mínimo ou menos. Neste grupo mais pobre, 30% classificavam-se a si mesmos como “brancos”, 9% como “pretos”, e 60% como “pardos”. Desses 12,9 milhões, apenas 21% dos “brancos” e 16% dos “pretos” e “pardos”  haviam completado o ensino médio, mas muito poucos, de qualquer cor, continuaram estudando depois disso. Basicamente, são diferenças de renda, com tudo que vem associado a elas, e não de cor, que limitam o acesso ao ensino superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentadas como maneira de reduzir as desigualdades sociais, as cotas raciais não contribuem para isso, ocultam uma realidade trágica e desviam as atenções dos desafios imensos e das urgências, sociais e educacionais, com os quais se defronta a nação. E, contudo, mesmo no universo menor dos jovens que têm a oportunidade de almejar o ensino superior de qualidade, as cotas raciais não promovem a igualdade, mas apenas acentuam desigualdades prévias ou produzem novas desigualdades:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span&gt;As cotas raciais exclusivas, como aplicadas, entre outras, na Universidade de Brasília (UnB), proporcionam a um candidato definido como “negro” a oportunidade de ingresso por menor número de pontos que um candidato definido como “branco”, mesmo se o primeiro provém de família de alta renda e cursou colégios particulares de excelência e o segundo provém de família de baixa renda e cursou escolas públicas arruinadas. No fim, o sistema concede um privilégio para candidatos de classe média arbitrariamente classificados como “negros”.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span&gt;As cotas raciais embutidas no interior de cotas para candidatos de escolas públicas, como aplicadas, entre outras, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), separam os alunos proveniente de famílias com faixas de renda semelhantes em dois grupos “raciais” polares, gerando uma desigualdade “natural” num meio caracterizado pela igualdade social. O seu resultado previsível é oferecer privilégios para candidatos definidos arbitrariamente como “negros” que cursaram escolas públicas de melhor qualidade, em detrimento de seus colegas definidos como “brancos” e de todos os alunos de escolas públicas de pior qualidade.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;A PNAD de 2006 informa que 9,41 milhões de estudantes cursavam o ensino médio, mas apenas 5,87 milhões freqüentavam o ensino superior, dos quais só uma minoria de 1,44 milhão estavam matriculados em instituições superiores públicas. As leis de cotas raciais não alteram em nada esse quadro e não proporcionam inclusão social. Elas apenas selecionam “vencedores” e “perdedores”, com base num critério altamente subjetivo e intrinsecamente injusto, abrindo cicatrizes profundas na personalidade dos jovens, naquele momento de extrema fragilidade que significa a disputa, ainda imaturos, por uma vaga que lhes garanta o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queremos um Brasil onde seus cidadãos possam celebrar suas múltiplas origens, que se plasmam na criação de uma cultura nacional aberta e tolerante, no lugar de sermos obrigados a escolher e valorizar uma única  ancestralidade em detrimento das outras. O que nos mobiliza não é o combate à doutrina de ações afirmativas, quando entendidas como esforço para cumprir as Declarações Preambulares da Constituição, contribuindo na redução das desigualdades sociais, mas a manipulação dessa doutrina com o propósito de racializar a vida social no país. As leis que oferecem oportunidades de emprego a deficientes físicos e que concedem cotas a mulheres nos partidos políticos são invocadas como precedentes para sustentar a admissibilidade jurídica de leis raciais. Esse segundo sofisma é ainda mais grave, pois conduz à naturalização das raças. Afinal, todos sabemos quem são as mulheres e os deficientes físicos, mas a definição e delimitação de grupos raciais pelo Estado é um empreendimento político que tem como ponto de partida a negação daquilo que nos explicam os cientistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raças humanas não existem. A genética comprovou que as diferenças icônicas das chamadas “raças” humanas são características físicas superficiais, que dependem de parcela ínfima dos 25 mil genes estimados do genoma humano. A cor da pele, uma adaptação evolutiva aos níveis de radiação ultravioleta vigentes em diferentes áreas do mundo, é expressa em menos de 10 genes! Nas palavras do geneticista Sérgio Pena: “O fato assim cientificamente comprovado da inexistência das ‘raças’ deve ser absorvido pela sociedade e incorporado às suas convicções e atitudes morais Uma postura coerente e desejável seria a construção de uma sociedade desracializada, na qual a singularidade do indivíduo seja valorizada e celebrada. Temos de assimilar a noção de que a única divisão biologicamente coerente da espécie humana é em bilhões de indivíduos, e não em um punhado de ‘raças’.” (“Receita para uma humanidade desracializada”,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Ciência Hoje Online, &lt;/span&gt;setembro de 2006).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi a existência de raças que gerou o racismo, mas o racismo que fabricou a crença em raças. O “racismo científico” do século XIX acompanhou a expansão imperial européia na África e na Ásia, erguendo um pilar “científico” de sustentação da ideologia da “missão civilizatória” dos europeus, que foi expressa celebremente como o “fardo do homem branco”.  Os poderes coloniais, para separar na lei os colonizadores dos nativos, distinguiram também os nativos entre si e inscreveram essas distinções nos censos. A distribuição de privilégios segundo critérios etno-raciais inculcou a raça nas consciências e na vida política, semeando tensões e gestando conflitos que ainda perduram. Na África do Sul, o sistema do apartheid separou os brancos dos demais e foi adiante, na sua lógica implacável, fragmentando todos os “não-brancos” em grupos étnicos cuidadosamente delimitados. Em Ruanda, no Quênia e em tantos outros lugares, os africanos foram submetidos a meticulosas classificações étnicas, que determinaram acessos diferenciados aos serviços e empregos públicos. A produção política da raça é um ato político que não demanda diferenças de cor da pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O racismo contamina profundamente as sociedades quando a lei  sinaliza às pessoas que elas pertencem a determinado grupo racial – e que seus direitos são afetados por esse critério de pertinência de raça. Nos Estados Unidos, modelo por excelência das políticas de cotas raciais, a abolição da escravidão foi seguida pela produção de leis raciais baseadas na regra da “gota de sangue única”. Essa regra, que é a negação da mestiçagem biológica e cultural, propiciou a divisão da sociedade em guetos legais, sociais, culturais e espaciais. De acordo com ela, as pessoas são, irrevogavelmente, “brancas” ou “negras”. Eis aí a inspiração das leis de cotas raciais no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu tenho o sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação na qual não serão julgados pela cor da sua pele mas pelo conteúdo de seu caráter”. Há 45 anos, em agosto, Martin Luther King abriu um horizonte alternativo para os norte-americanos, ancorando-o no “sonho americano” e no princípio político da igualdade de todos perante a lei, sobre o qual foi fundada a nação. Mas o desenvolvimento dessa visão pós-racial foi interrompido pelas políticas racialistas que, a pretexto de reparar injustiças, beberam na fonte envenenada da regra da “gota de sangue única”. De lá para cá, como documenta extensamente Thomas Sowell em Ação afirmativa ao redor do mundo: um estudo empírico (Univer Cidade, 2005), as cotas raciais nos Estados Unidos não contribuíram em nada para reduzir desigualdades mas aprofundaram o cisma racial que marca como ferro em brasa a sociedade norte-americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É um impasse racial no qual estamos presos há muitos anos”, na constatação do senador Barack Obama, em seu discurso pronunciado a 18 de março, que retoma o fio perdido depois do assassinato de Martin Luther King. O “impasse” não será superado tão cedo, em virtude da lógica intrínseca das leis raciais. Como assinalou Sowell, com base em exemplos de inúmeros países, a distribuição de privilégios segundo critérios etno-raciais tende a retroalimentar as percepções racializadas da sociedade – e em torno dessas percepções articulam-se carreiras políticas e grupos organizados de pressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, algo se move nos Estados Unidos. Há pouco, repercutindo um desencanto social bastante generalizado com o racialismo, a Suprema Corte declarou inconstitucionais as políticas educacionais baseadas na aplicação de rótulos raciais às pessoas. No seu argumento, o presidente da Corte, juiz John G. Roberts Jr., escreveu que “o caminho para acabar com a discriminação baseada na raça é acabar com a discriminação baseada na raça”. Há um sentido claro na reiteração: a inversão do sinal da discriminação consagra a raça no domínio da lei, destruindo o princípio da cidadania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele julgamento, o juiz Anthony Kennedy alinhou-se com a maioria, mas proferiu um voto separado que contém o seguinte protesto: “Quem exatamente é branco e quem é não-branco? Ser forçado a viver sob um rótulo racial oficial é inconsistente com a dignidade dos indivíduos na nossa sociedade. E é um rótulo que um indivíduo é impotente para mudar!”. Nos censos do IBGE, as informações de raça/cor abrigam a mestiçagem e recebem tratamento populacional. As leis raciais no Brasil são algo muito diferente: elas têm o propósito de colar  “um rótulo que um indivíduo é impotente para mudar” e, no caso das cotas em concursos vestibulares, associam nominalmente cada jovem candidato a uma das duas categorias “raciais” polares, impondo-lhes uma irrecorrível identidade oficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O juiz Kennedy foi adiante e, reconhecendo a diferença entre a doutrina de ações afirmativas e as políticas de cotas raciais, sustentou a legalidade de iniciativas voltadas para a promoção ativa da igualdade que não distinguem os indivíduos segundo rótulos raciais. Reportando-se à realidade norte-americana da persistência dos guetos, ele mencionou, entre outras, a seleção de áreas residenciais racialmente segregadas para os investimentos prioritários em educação pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, difunde-se a promessa sedutora de redução gratuita das desigualdades por meio de cotas raciais para ingresso nas universidades. Nada pode ser mais falso: as cotas raciais proporcionam privilégios a uma ínfima minoria de estudantes de classe média e conservam intacta, atrás de seu manto falsamente inclusivo, uma estrutura de ensino público arruinada. Há um programa inteiro de restauração da educação pública a se realizar, que exige políticas adequadas e vultosos investimentos. É preciso elevar o padrão geral do ensino mas, sobretudo, romper o abismo entre as escolas de qualidade, quase sempre situadas em bairros de classe média, e as escolas devastadas das periferias urbanas, das favelas e do meio rural. O direcionamento prioritário de novos recursos para esses espaços de pobreza beneficiaria jovens de baixa renda de todos os tons de pele – e, certamente, uma grande parcela daqueles que se declaram “pardos” e “pretos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meta nacional deveria ser proporcionar a todos um ensino básico de qualidade e oportunidades verdadeiras de acesso à universidade. Mas há iniciativas a serem adotadas, imediatamente, em favor de jovens de baixa renda de todas as cores que chegam aos umbrais do ensino superior, como a oferta de cursos preparatórios gratuitos e a eliminação das taxas de inscrição nos exames vestibulares das universidades públicas. Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o Programa de Cursinhos Pré-Vestibulares Gratuitos, destinado a alunos egressos de escolas públicas, atendeu em 2007 a 3.714 jovens, dos quais 1.050 foram aprovados em concursos vestibulares, sendo 707 em universidades públicas. Medidas como essa, que não distinguem os indivíduos segundo critérios raciais abomináveis, têm endereço social certo e contribuem efetivamente para a amenização das desigualdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade brasileira não está livre da chaga do racismo, algo que é evidente no cotidiano das pessoas com tom de pele menos claro, em especial entre os jovens de baixa renda. A cor conta, ilegal e desgraçadamente, em incontáveis processos de admissão de funcionários. A discriminação se manifesta de múltiplas formas, como por exemplo na hora das incursões policiais em bairros periféricos ou nos padrões de aplicação de ilegais mandados de busca coletivos em áreas de favelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por certo existe preconceito racial e racismo no Brasil, mas o Brasil não é uma nação racista. Depois da Abolição, no lugar da regra da “gota de sangue única”, a nação brasileira elaborou uma identidade amparada na idéia anti-racista de mestiçagem e produziu leis que criminalizam o racismo. Há sete décadas, a República não conhece movimentos racistas organizados ou expressões significativa de ódio racial. O preconceito de raça, acuado, refugiou-se em expressões oblíquas envergonhadas, temendo assomar à superfície. A condição subterrânea do preconceito é um atestado de que há algo de muito positivo na identidade nacional brasileira, não uma prova de nosso fracasso histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quem exatamente é branco e quem é não-branco?” – a indagação do juiz Kennedy provoca algum espanto nos Estados Unidos, onde quase todos imaginam conhecer a identidade “racial” de cada um, mas parece óbvia aos ouvidos dos brasileiros. Entre nós, casamentos interraciais não são incomuns e a segregação residencial é um fenômeno basicamente ligado à renda, não à cor da pele. Os brasileiros tendem a borrar as fronteiras “raciais”, tanto na prática da mestiçagem quanto no imaginário da identidade, o que se verifica pelo substancial e progressivo incremento censitário dos “pardos”, que saltaram de 21% no Censo de 1940 para 43% na PNAD de 2006, e pela paralela redução dos “brancos” (de 63% para 49%) ou “pretos” (de 15% para 7%).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A percepção da mestiçagem, que impregna profundamente os brasileiros, de certa forma reflete realidades comprovadas pelos estudos genéticos. Uma investigação já célebre sobre a ancestralidade de brasileiros classificados censitariamente como “brancos”, conduzida por Sérgio Pena e sua equipe da Universidade Federal de Minas Gerais, comprovou cientificamente a extensão de nossas miscigenações. “Em resumo, estes estudos filogeográficos com brasileiros brancos revelaram que a imensa maioria das patrilinhagens é européia, enquanto a maioria das matrilinhagens (mais de 60%) é ameríndia ou africana” (PENA, S. “Pode a genética definir quem deve se beneficiar das cotas universitárias e demais ações afirmativas?”, Estudos Avançados 18 (50), 2004). Especificamente, a análise do DNA mitocondrial, que serve como marcador de ancestralidades maternas, mostrou que 33% das linhagens eram de origem ameríndia, 28% de origem africana e 39% de origem européia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os estudos de marcadores de DNA permitem concluir que, em 2000, existiam cerca de 28 milhões de afrodescendentes entre os 90,6 milhões de brasileiros que se declaravam “brancos” e que, entre os 76,4 milhões que se declaravam “pardos” ou “pretos”, 20% não tinham ancestralidade africana. Não é preciso ir adiante para perceber que não é legítimo associar cores de pele a ancestralidades e que as operações de identificação de “negros” com descendentes de escravos e com “afrodescentes” são meros exercícios da imaginação ideológica. Do mesmo modo, a investigação genética evidencia a violência intelectual praticada pela unificação dos grupos censitários “pretos” e “pardos” num suposto grupo racial “negro”.&lt;br /&gt;Mas a violência não se circunscreve à esfera intelectual. As leis de cotas raciais são veículos de uma engenharia política de fabricação ou recriação de raças. Se, individualmente, elas produzem injustiças singulares, socialmente têm o poder de gerar “raças oficiais”, por meio da divisão dos jovens estudantes em duas raças polares. Como, no Brasil, não sabemos quem exatamente é “negro” e quem é “não-negro”, comissões de certificação racial estabelecidas pelas universidades se encarregam de traçar uma fronteira. A linha divisória só se consolida pela validação oficial da autodeclaração dos candidatos, num processo sinistro em que comissões universitárias investigam e deliberam sobre a “raça verdadeira” dos jovens a partir de exames de imagens fotográficas ou de entrevistas identitárias. No fim das contas, isso equivale ao cancelamento do princípio da autodeclaração e sua substituição pela atribuição oficial de identidades raciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na UnB, uma comissão de certificação racial composta por professores e militantes do movimento negro chegou a separar dois irmãos gêmeos idênticos pela fronteira da raça. No Maranhão, produziram-se fenômenos semelhantes. Pelo Brasil afora, os mesmos candidatos foram certificados como “negros” em alguma universidade mas descartados como “brancos” em outra. A proliferação das leis de cotas raciais demanda a produção de uma classificação racial geral e uniforme. Esta é a lógica que conduziu o MEC a implantar declarações raciais nominais e obrigatórias no ato de matrícula de todos os alunos do ensino fundamental do país. O horizonte da trajetória de racialização promovida pelo Estado é o estabelecimento de um carimbo racial compulsório nos documentos de identidade de todos os brasileiros. A história está repleta de barbaridades inomináveis cometidas sobre a base de carimbos raciais oficialmente impostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propaganda cerrada em favor das cotas raciais assegura-nos que os estudantes universitários cotistas exibem desempenho similar ao dos demais. Os dados concernentes ao tema são esparsos, contraditórios e pouco confiáveis. Mas isso é essencialmente irrelevante, pois a crítica informada dos sistemas de cotas nunca afirmou que estudantes cotistas seriam incapazes de acompanhar os cursos superiores ou que sua presença provocaria queda na qualidade das universidades. As cotas raciais não são um distúrbio no ensino superior, mas a face mais visível de uma racialização oficial das relações sociais que ameaça a coesão nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crença na raça é o artigo de fé do racismo. A fabricação de “raças oficiais” e a distribuição seletiva de privilégios segundo rótulos de raça inocula na circulação sanguínea da sociedade o veneno do racismo, com seu cortejo de rancores e ódios. No Brasil, representaria uma revisão radical de nossa identidade nacional e a renúncia à utopia possível da universalização da cidadania efetiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao julgar as cotas raciais, o STF não estará deliberando sobre um método de ingresso nas universidades, mas sobre o significado da nação e a natureza da Constituição. Leis raciais não ameaçam uma “elite branca”, conforme esbravejam os racialistas, mas passam uma fronteira brutal no meio da maioria absoluta dos brasileiros. Essa linha divisória atravessaria as salas de aula das escolas públicas, os  ônibus que conduzem as pessoas ao trabalho, as ruas e as casas dos bairros pobres. Neste início de terceiro milênio, um Estado racializado estaria dizendo aos cidadãos que a utopia da igualdade fracassou – e que, no seu lugar, o máximo que podemos almejar é uma trégua sempre provisória entre nações separadas pelo precipício intransponível das identidades raciais. É esse mesmo o futuro que queremos?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;21 de abril de 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adel Daher – Diretor do Sindicato dos Ferroviários de Bauru e MS&lt;br /&gt;Adelaide Jóia – Socióloga e Mestre em Educação Infantil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)&lt;br /&gt;Adriana Atila – Doutora em Antropologia Cultural, IFCS, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)&lt;br /&gt;Aguinaldo Silva – Jornalista, telenovelista&lt;br /&gt;Alba Zaluar – Titular de Antropologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Livre-docente da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), colunista da Folha de S. Paulo&lt;br /&gt;Almir Lima da Silva – Jornalista, Centro de Cultura Negra de Macaé-RJ&lt;br /&gt;Alzira Alves de Abreu – Pesquisadora do CPDOC da Fundação Getulio Vargas&lt;br /&gt;Amâncio Paulino de Carvalho – Professor da Faculdade de Medicina Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)&lt;br /&gt;Ana Maria Machado – Escritora, membro da Academia Brasileira de Letras&lt;br /&gt;Ana Teresa A. Venancio – Pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz&lt;br /&gt;Ângela Porto – Pesquisadora Titular, Fundação Oswaldo Cruz&lt;br /&gt;Antonio Cicero – Poeta e ensaísta&lt;br /&gt;Antonio Risério – Antropólogo&lt;br /&gt;Arlindo Belo da Silva – Conselheiro Fiscal da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Químico (CNQ–CUT)&lt;br /&gt;Bernardo Lewgoy – Professor Adjunto do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)&lt;br /&gt;Bernardo Sorj – Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)&lt;br /&gt;Bernardo Vilhena – Poeta&lt;br /&gt;Bila Sorj – Professora Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)&lt;br /&gt;Bolivar Lamounier – Cientista Político&lt;br /&gt;Caetano Veloso&lt;br /&gt;Carlos A. de L. Costa Ribeiro – Professor e Consultor em Ciências do Meio Ambiente&lt;br /&gt;Carlos Pio – Professor da Universidade de Brasília (UNB)&lt;br /&gt;Carlos José Serapião – Professor Titular aposentado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Professor Titular da Universidade da Região de Joinville–SC&lt;br /&gt;Celso Castro – Antropólogo, professor do CPDOC da Fundação Getulio Vargas&lt;br /&gt;César Benjamin – Editor&lt;br /&gt;Charles Pires – Diretor do Sindicato dos Funcionários Publicos Municipais de Florianópolis e membro da Executiva da CUT-SC&lt;br /&gt;Cremilda Medina – Jornalista e professora Titular da Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;Cynthia Maria Pinto da Luz – Advogada, Conselheira Nacional do Movimento Nacional em Defesa dos Direitos Humanos&lt;br /&gt;Claudia Travassos – Pesquisadora Titular, Fundação Oswaldo Cruz&lt;br /&gt;Darcy Fontoura de Almeida – Professor Emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)&lt;br /&gt;Demétrio Magnoli – Sociólogo, integrante do Grupo de Análises de Conjuntura Internacional (Gacint) da Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;Diomédes Matias da Silva Filho – Diretor do Sindicato dos Professores do Estado de Pernambuco&lt;br /&gt;Domingos Guimaraens – Poeta e artista plástico&lt;br /&gt;Edmar Lisboa Bacha – Economista&lt;br /&gt;Eduardo Giannetti – Economista&lt;br /&gt;Eduardo Pizarro Carnelós – Advogado, ex-presidente da Associação dos Advogados de São Paulo e do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça&lt;br /&gt;Elizabeth Balbachevsky – Professora Associada do Departamento de Ciência Política e pesquisadora sênior do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;Esteffane Emanuelle Ferreira – Estudante, Coordenação do DCE da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)&lt;br /&gt;Eunice Durham – Professora Emérita da FFLCH da Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;Fernando Gomes Martins – Associação de Moradores do Parque Bandeirantes e Movimento Hip Hop Sumaré-SP&lt;br /&gt;Ferreira Gullar – Poeta&lt;br /&gt;Flávio Rabelo Versiani – Professor Titular do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UNB)&lt;br /&gt;Francisco João Lessa – Advogado, Direção do PT-SC&lt;br /&gt;Francisco Johny Rodrigues Silva – Coordenador do Fórum Afro da Amazônia (FORAFRO)&lt;br /&gt;Francisco Martinho – Professor do Departamento de História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)&lt;br /&gt;Francisco Mauro Salzano – Professor Emérito do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)&lt;br /&gt;George de Cerqueira Leite Zarur – Professor Internacional da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (FLACSO)&lt;br /&gt;Gerald Thomas – Dramaturgo, criador e diretor da Companhia de Ópera Seca&lt;br /&gt;Gilberto Horchman – Pesquisador, Fundação Oswaldo Cruz&lt;br /&gt;Gilberto Velho – Professor Titular de Antropologia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da Academia Brasileira de Ciências&lt;br /&gt;Gilda Portugal – Professora de Sociologia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)&lt;br /&gt;Gilson Schwartz – Professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador da Cidade do Conhecimento&lt;br /&gt;Glaucia Kruse Villas Bôas – Professora Associada de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)&lt;br /&gt;Gursen De Miranda – Professor Adjunto da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e Presidente da Academia Brasileira de Letras Agrárias&lt;br /&gt;Helda Castro de Sá – Coordenadora da Associação dos Caboclos e Ribeirinhos da Amazônia&lt;br /&gt;Helena Severo – Cientista social, pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas (NEP) do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro&lt;br /&gt;Helga Hoffmann – Economista, integrante do Grupo de Análises de Conjuntura Internacional (Gacint) da Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;Heloisa Helena T. de Souza Martins – Professora aposentada de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;Isabel Lustosa – Pesquisadora Titular da Fundação Casa de Rui Barbosa&lt;br /&gt;João Rodarte – Empresário&lt;br /&gt;João Ubaldo Ribeiro – Escritor&lt;br /&gt;José Álvaro Moisés – Professor Titular do Departamento de Ciência Política e Diretor do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;José Arbex Jr. – Jornalista e professor do Departamento de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)&lt;br /&gt;José Augusto Guilhon Albuquerque – Professor Titular (aposentado) de Relações Internacionais da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;José Carlos Miranda – Coordenador Nacional do Movimento Negro Socialista&lt;br /&gt;José Goldemberg – Ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;José de Souza Martins – Professor Titular (aposentado) de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;José Roberto Pinto de Góes – Historiador e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)&lt;br /&gt;Karina Kuschnir – Antropóloga, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)&lt;br /&gt;Leão Alves – Presidente do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro&lt;br /&gt;Leonel Munhoz Coimbra – Analista de Controle Externo, Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental da Escola Nacional de Administração Pública&lt;br /&gt;Lourdes Sola – Presidente da Associação Internacional de Ciência Política e professora aposentada da Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;Luciana Villas-Boas – Diretora do Grupo Editorial Record&lt;br /&gt;Luciene G. Souza – Mestre em Saúde Pública, Fundação Nacional de Saúde&lt;br /&gt;Luiz Alphonsus – Artista Plástico&lt;br /&gt;Luiz Fernando Dias Duarte – Professor Associado do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)&lt;br /&gt;Luiz Werneck Vianna – Professor Titular do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ)&lt;br /&gt;Lya Luft – Escritora&lt;br /&gt;Manolo Garcia Florentino – Professor do Departamento de Historia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)&lt;br /&gt;Marcelo Hermes-Lima – Professor de Bioquímica Médica da Universidade de Brasília (UNB)&lt;br /&gt;Marcos Chor Maio – Pesquisador da da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz&lt;br /&gt;Margarida Cintra Gordinho – Editora&lt;br /&gt;Maria Alice Resende de Carvalho – Socióloga&lt;br /&gt;Maria Cátira Bortolini – Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)&lt;br /&gt;Maria Conceição Pinto de Góes – Professora do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)&lt;br /&gt;Maria Herminia Tavares de Almeida – Cientista Política&lt;br /&gt;Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti – Professora Associada do Instituto de Filosofia e Ciencias Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)&lt;br /&gt;Maria Sylvia Carvalho Franco – Professora Titular da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)&lt;br /&gt;Mariza Peirano – Professora Titular, Antropologia, Universidade de Brasília (UNB)&lt;br /&gt;Maurício Soares Leite – Professor Adjunto, Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)&lt;br /&gt;Moacyr Góes – Diretor de teatro e cineasta&lt;br /&gt;Monica Grin – Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)&lt;br /&gt;Nelson Motta – Produtor musical, jornalista e escritor&lt;br /&gt;Patrícia Vanzella – Professora Adjunta, Departamento de Música da&lt;br /&gt;Universidade de Brasília (UNB)&lt;br /&gt;Pedro Paulo Poppovic – Empresário&lt;br /&gt;Peter Henry Fry – Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)&lt;br /&gt;Reinaldo Azevedo – Jornalista, articulista da revista VEJA e editor do “Blog do Reinaldo Azevedo”&lt;br /&gt;Renata Aparecida Vaz – Coordenação do Movimento Negro Socialista–SP&lt;br /&gt;Renato Lessa – Professor Titular de Teoria Política do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), Presidente do Instituto Ciência Hoje&lt;br /&gt;Ricardo Ventura Santos – Pesquisador titular da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz e Professor Adjunto do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)&lt;br /&gt;Roberta Fragoso Menezes Kaufmann – Procuradora do Distrito Federal, Mestre em Direito pela Universidade de Brasília (UNB) e Professora de Direito Constitucional&lt;br /&gt;Roberto Romano da Silva – Professor Titular da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)&lt;br /&gt;Rodolfo Hoffmann – Professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)&lt;br /&gt;Ronaldo Vainfas – Professor Titular da Universidade Federal Fluminense (UFF)&lt;br /&gt;Roque Ferreira – Coordenação da Federação Nacional de Trabalhadores de Transporte sobre Trilho–CUT&lt;br /&gt;Ruth Correa Leite Cardoso – Antropóloga&lt;br /&gt;Serge Goulart – Secretário da Esquerda Marxista do PT&lt;br /&gt;Sergio Danilo Pena – Professor Titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e  membro titular da Academia Brasileira de Ciências&lt;br /&gt;Simon Schwartzman – Pesquisador do Instituto de  Estudos do Tabalho e Sociedade (IETS)&lt;br /&gt;Simone Monteiro – Pesquisadora Associada, Fundação Oswaldo Cruz&lt;br /&gt;Wanderley Guilherme dos Santos – Cientista Político&lt;br /&gt;Wilson Trajano Filho – Professor do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UNB)&lt;br /&gt;Yvonne Maggie – Professora Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-8557412140414658724?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/8557412140414658724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=8557412140414658724' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8557412140414658724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8557412140414658724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/04/cento-e-treze-cidados-anti-racistas.html' title='Cento e treze cidadãos anti-racistas contra as leis raciais'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-6791962470784969792</id><published>2008-04-03T07:59:00.004-03:00</published><updated>2008-04-03T08:14:03.243-03:00</updated><title type='text'>A volta dos pelegos e a corrupção</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/R_S75nIM2uI/AAAAAAAAAE0/bhUpNT2fEgI/s1600-h/lupi.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/R_S75nIM2uI/AAAAAAAAAE0/bhUpNT2fEgI/s200/lupi.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5184975669440600802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É deprimente ver a volta triunfante dos pelegos pelas mãos de quem abriu a esperança, no inicio dos anos 80, de um novo sindicalismo, apoiado nos trabalhadores, e não no eterno imposto sindical. Aliás, já estamos em pleno vale-tudo da campanha pelo terceiro mandato de Lula, só não vê quem não quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano passado, escrevi um texto um pouco longo sobre o tema da corrupção, que acredito que continue atual, embora a opinião pública no Brasil, e muito de nossos dirigentes e intelectuais, achem que isto não tem a menor importância.  Para quem quiser ver e comentar, o texto está &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/corrrucao.pdf"&gt;disponível aqui.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-6791962470784969792?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/6791962470784969792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=6791962470784969792' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/6791962470784969792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/6791962470784969792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/04/volta-dos-pelegos-e-corrupo.html' title='A volta dos pelegos e a corrupção'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/R_S75nIM2uI/AAAAAAAAAE0/bhUpNT2fEgI/s72-c/lupi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-8533019496347965494</id><published>2008-02-22T10:56:00.003-03:00</published><updated>2008-02-22T11:06:22.136-03:00</updated><title type='text'>Ainda sobre a educação e o dinheiro</title><content type='html'>O projeto da Secretaria de Educação de São Paulo de introduzir um sistema de incentivo financeiro para escolas que conseguirem melhor o desempenho de seus alunos levantou uma grande discussão, parte dela refletida neste blog. Creio que os pontos principais da discussão são os seguintes :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como medir os resultados, e que resultados recompensar? Esta é sobretudo uma questão técnica, e acredito que a proposta da Secretaria está bem encaminhada neste sentido. Haveria uma escala de competências de três ou quatro níveis, todos eles facilmente inteligíveis para professores e pais de alunos: por exemplo, os que não conseguem ler, os que lêem de forma mecânica sem entender, os que lêem e entendem mas não conseguem interpretar o texto, e os que lêem, entendem e interpretam. Seriam premiadas as escolas que, entre uma avaliação e outra, conseguirem que um determinado numero de alunos passem de um patamar a outro, sem aumentar a evasão ou a repetência. Ainda não está claro, para mim, como se combinariam os desempenhos em português e matemática e mais os dados de evasão e repetência, em um único índice de desempenho. Talvez a melhor maneira fosse usar o índice para ver o conjunto, mas divulgar não um número abstrato do índice de cada escola, mas os resultados separados de cada dimensão.  Uma outra questão técnica é como medir as competências, e como ir aperfeiçoando os sistemas de avaliação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual o efeito da remuneração por desempenho no trabalho dos professores e no funcionamento das escolas? Felipe Schwartzman, no seu comentário, indica duas objeções que se fazem normalmente a este tipo de política. A primeira é que,  como a avaliação está limitada a coisas mensuráveis, isto levaria a uma concentração exclusiva da escola na preparação para os testes, deixando de lado outras disciplinas e conteúdos que não estão sendo avaliados.  Uma primeira resposta a esta objeção é que se nossas escolas públicas somente ensinassem português e matemática a seus alunos,  e nada mais, já seria uma maravilha. A segunda, mais complexa, é que na verdade não há como avançar muito no desenvolvimento da leitura  e da matemática se a educação não for rica em conteúdos que os estudantes possam absorver e entender. O problema fundamental nos anos iniciais das escolas públicas brasileiras é o número enorme de estudantes que permanecem como analfabetos funcionais, o que pode ser corrigido pelo uso correto de métodos fônicos de alfabetização e materiais pedagógicos de apoio de qualidade. A partir daí, no entanto,  passam a ser importantes os conteúdos. Uma escola que se concentrasse exclusivamente na preparação para os testes não iria muito longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda critica é que metas quantitativas, associadas a recompensas financeiras, estimulariam entre professores e alunos o surgimento de comportamentos oportunistas para enganar o sistema, e substituiriam o valor da educação enquanto tal por valores mercantilistas.  Sem dúvida, qualquer sistema de avaliação, sobretudo quando associado a prêmios e punições (o que em inglês se denomina “high stakes”), estimula comportamentos oportunistas, como treinar os estudantes para as provas, eliminar da escola os de pior desempenho, e até mesmo colar e falsificar os resultados. Mas estes comportamentos oportunistas podem ser controlados em certa medida,  punindo, por exemplo, as escolas que reprovam ou forçam a saída dos alunos de pior desempenho. A pergunta, aí, é o que é preferível, um sistema bem avaliado e sujeito a este tipo de problemas, ou um sistema sem avaliação, mas cujos resultados agregados são reconhecidamente desastrosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho dúvidas, também, se existe esta oposição tão forte entre os valores da educação e os valores do mercado como dizem. Todos sabemos que os mercados, muitas vezes, buscam o dinheiro em detrimento da qualidade,  com programas de auditório tomando o lugar dos concertos,  os livros de auto-ajuda substituindo os de literatura,  e os hamburgers substituindo a cozinha sofisticada. Mas existem também mercados de qualidade, e os bons profissionais – músicos clássicos, escritores e chefs – são valorizados e ganham dinheiro pela competência e qualidade com que trabalham.  O problema não é, me parece, o da oposição entre atividades “nobres” e fora do mercado e atividades prostituídas pelo mercado (coisa que elaborei no blog anterior) mas entre mercados que estimulam bons resultados e os que não o fazem. O mercado da educação, deixado por ele mesmo, tende a se segmentar entre os dois extremos, o da oferta barata de títulos vazios e o da oferta de títulos e qualificações muitas vezes sobre-valorizadas, e isto ocorre tanto entre as instituições públicas quanto entre as privadas. Dai a necessidade de políticas públicas claras de sinalização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, Márcio da Costa coloca a questão de como valorizar a atuação de escolas que, embora sem resultados visíveis em termos de desempenho escolar, conseguem outros objetivos importantes, como criar um ambiente sadio e de inclusão para seus alunos. O que me parece é que uma escola que faz isto não é, na realidade, uma escola, mas um outro tipo de instituição. Escolas são instituições que ensinam um conjunto limitado e importante de coisas,  e não se deve pedir a elas mais do que elas podem ou devem fazer. Existe uma tendência a querer que as escolas resolvam todos os problemas que a sociedade tem e não  consegue resolver – ontem mesmo havia um deputado propondo a obrigatoriedade do ensino de comportamento no trânsito nas escolas, para reduzir o nível de acidentes. Com isto, a escola não cumpre seu papel, e a sociedade deixa de buscar estes outros objetivos pelos meios apropriados. A instituição descrita por Márcio merece todo o apoio, mas, para ser escola e ser reconhecida como tal, os alunos têm que aprender.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-8533019496347965494?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/8533019496347965494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=8533019496347965494' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8533019496347965494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8533019496347965494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/02/ainda-sobre-educao-e-o-dinheiro.html' title='Ainda sobre a educação e o dinheiro'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-7552613796913720391</id><published>2008-02-15T07:55:00.005-02:00</published><updated>2008-02-15T12:38:26.765-02:00</updated><title type='text'>Da nobreza, da cultura e do dinheiro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://tbn0.google.com/images?q=tbn:XB1KGAsIWTRFOM:http://www.biografiasyvidas.com/biografia/w/fotos/weber.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px;" src="http://tbn0.google.com/images?q=tbn:XB1KGAsIWTRFOM:http://www.biografiasyvidas.com/biografia/w/fotos/weber.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de premiar financeiramente os educadores de bom desempenho, como a que está sendo implantada agora no Estado de São Paulo, provoca muitas vezes, uma reação instintiva:  não estaria errado associar educação e cultura a dinheiro, e transformar os educadores em mercenários?   É a mesma reação que existe, muitas vezes, contra o ensino privado, que seria incompatível com uma educação de qualidade, que não fosse um simples treinamento para o mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta idéia de separar as atividades nobres do dinheiro é antiga, e tem uma história conhecida. Nas sociedades aristocráticas, os nobres não precisavam nem deviam se preocupar com dinheiro. Sua posição na sociedade vinha do berço, e suas principais responsabilidades eram manter a honra e o etilo de vida de sua casta, e ajudar e tratar com benevolência seus súditos. O dinheiro vinha naturalmente, sobretudo da renda da terra, que não podia ser vendida nem comprada. O pior, para a nobreza, era o “dinheiro novo” nas suas diversas formas, ganho no comercio ou nas transações financeiras: os burgueses, os “parvenus”, e, claro, os judeus.  Os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gentlemen&lt;/span&gt; ingleses, que inventaram o futebol, só deveriam praticar esportes como amadores, sem a obsessão de ganhar; deveriam freqüentar as melhores universidades, Oxford e Cambridge, para estudar história, literatura ou filosofia, nunca a engenharia, que ficava relegada aos institutos de tecnologia. Nada mais &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ungentlemanlike&lt;/span&gt; do que estudar demasiado ou querer ganhar sempre nos esportes. Trabalhar, quando o faziam, era pela Pátria ou pelo Império, nunca para o enriquecimento pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As profissões universitárias, sobretudo a medicina e o direito, herdaram muito desta idéia de nobreza. Neste modelo que quase não existe mais, o médico trabalha pela saúde dos pacientes, e o advogado, pela defesa de seus direitos.   Pacientes e clientes não compram os serviços dos médicos e advogados.  Eles se colocam em suas mãos, fazem o que lhes é dito, e, em reconhecimento, honram os profissionais com uma contribuição financeira - os honorários. Da mesma maneira, os cientistas deveriam trabalhar pelo bem da ciência e pelo avanço do conhecimento, sem se preocupar com o uso prático ou os custos de suas pesquisas; e os professores deveriam se dedicar à educação dos jovens, e sobretudo à sua formação cultural e moral, mais do que prepará-los para uma profissão lucrativa. Todas estas nobres atividades requerem dinheiro, necessários para manter a dignidade dos cargos, e este dinheiro deveria vir de honorários e doações das pessoas e salários e verbas do Estado,  sempre desvinculados de qualquer associação com serviços ou a produção de resultados específicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível que este belo modelo tenha funcionado por algum tempo em algumas partes, mas não é preciso muito esforço para perceber o quanto de hipocrisia havia e ainda há por detrás deles.  A revolução burguesa traz uma nova ética, associada não mais aos direitos da nobreza, mas ao valor do trabalho. São as abelhas, com seu trabalho miúdo, que constroem as colméias, não as rainhas ou seus zangões. As grandes virtudes de uma sociedade rica, livre e igualitária, só poderiam surgir da agregação dos pequenos egoísmos, vícios e ambições individuais, livres para trabalhar e ganhar dinheiro em um mercado aberto e competitivo. Estas idéias, formuladas por Adam Smith no século 18, ganhariam nova formulação no início do século 20 por Max Weber, com o conceito de ética do trabalho. O que move o capitalismo, dizia Weber, não é a simples liberação dos vícios hedonistas das pessoas, mas o puritanismo da ética do trabalho, trazida pela Reforma Protestante, e originária da tradição judaica e cristã. O puritano trabalha compulsivamente não para ganhar dinheiro, mas para provar a si mesmo que ele foi escolhido por Deus como homem justo e virtuoso, ou por algum outro imperativo moral. O enriquecimento seria um sub-produto da ética do trabalho, para ser reinvestido em projetos cada vez mais ambiciosos e rentáveis,  sem afetar o estilo de vida despojado e ascético do empresário. O mesmo tipo de ética do trabalho explicaria a devoção dos professores, médicos e simples trabalhadores às suas profissões e ofícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto que as sociedades de mercado de hoje ainda se movem pela ética puritana e ascética de Weber, ou, simplesmente, pela agregação dos empreendedores egoístas de Smith? Basta lembrar de Antônio Ermírio de Morais para darmo-nos conta de que empresários weberianos ainda existem, e o  tema da ética do trabalho continua de grande relevância. Mas o mais importante que nos fica de Smith e Weber é a idéia de que existe nobreza no trabalho; que ganhar dinheiro não é uma coisa vil, mas um reconhecimento do trabalho realizado; e que os juizes da qualidade e do valor de nosso trabalho não podem ser nós mesmos, mas a sociedade mais ampla que nos paga e recompensa pelos serviços prestados. É por isto que é uma boa idéia recompensar os bons professores e as boas escolas pelo seu desempenho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-7552613796913720391?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/7552613796913720391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=7552613796913720391' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7552613796913720391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7552613796913720391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/02/da-nobreza-da-cultura-e-do-dinheiro.html' title='Da nobreza, da cultura e do dinheiro'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-7890588454878131150</id><published>2008-02-12T16:49:00.000-02:00</published><updated>2008-02-12T17:11:20.615-02:00</updated><title type='text'>Maria Helena Guimarães Castro: premiar o mérito</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/R7Hq-t21XfI/AAAAAAAAAEo/Vn9QL_xAmg0/s1600-h/secretariafotoveja.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/R7Hq-t21XfI/AAAAAAAAAEo/Vn9QL_xAmg0/s320/secretariafotoveja.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166168610753043954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Secretária de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães Castro, que foi também quem estruturou o INEP na gestão de Paulo Renato de Souza no Ministério da Educação, deu à revista Veja a entrevista abaixo,  nas Páginas Amarelas, edição de 13 de fevereiro de 2008 (n. 2047)  sobre a educação brasileira e seus projetos atuais. Vale a pena ler:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como secretária estadual de Educação em São Paulo, a professora Maria Helena Guimarães de Castro, 61 anos, comanda uma rede de 5 500 escolas, 250 000 professores e 5 milhões de alunos. Nenhuma outra no país chega perto de tais números. É justamente nesse universo que será implantado pela primeira vez no Brasil um sistema segundo o qual as escolas passarão a ter metas acadêmicas no horizonte e receberão mais verbas caso consigam cumpri-las. O tal bônus será distribuído entre os funcionários. Depois de anunciado o novo sistema, a secretária passou a receber dezenas de e-mails de professores, alguns deles furiosos. "Eles querem aumento de salário, sim, mas dissociado do desempenho. Estão na contramão", diz a secretária. Cientista social de formação, desde 1993, quando assumiu a Secretaria de Educação em Campinas, Maria Helena ocupou diversos cargos públicos, entre eles o de secretária executiva do Ministério da Educação (MEC), durante o governo FHC, onde é lembrada por ter liderado a construção de um valioso sistema de avaliação das escolas brasileiras. Casada, mãe de três filhos e avó de quatro netos, ela concedeu a VEJA a seguinte entrevista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – Nas próximas semanas, as escolas estaduais de São Paulo se tornarão as primeiras no país a ter metas acadêmicas a cumprir – e a ser premiadas com mais dinheiro caso consigam atingi-las. Quais resultados a senhora espera alcançar com tais medidas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Helena – O objetivo é criar incentivos concretos para o progresso das escolas, a exemplo da bem-sucedida experiência de outros países do mundo desenvolvido, como Inglaterra e Estados Unidos. Eles não inventaram nenhuma fórmula mirabolante, mas, sim, conseguiram pôr em prática sistemas capazes de distinguir e premiar, com base em critérios objetivos, as escolas com bom desempenho acadêmico. As pesquisas mostram que, em todos os lugares onde uma política de reconhecimento ao mérito foi implantada, a educação avançou. No Brasil, esse é um debate novo e, infelizmente, ainda contraria uma parcela dos educadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – Qual é exatamente o motivo das críticas ao novo sistema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Helena – Em pleno século XXI, há pessoas que persistem em uma visão sindicalista ultrapassada e corporativista, segundo a qual todos os professores merecem ganhar o mesmo salário no fim do mês. Essa velha política da isonomia salarial passa ao largo dos diferentes resultados obtidos em sala de aula, e aí está o erro. Ao ignorar méritos e deméritos, ela deixa de jogar luz sobre os mais talentosos e esforçados e, com isso, contribui para a acomodação de uma massa de profissionais numa zona de mediocridade. Por isso, demos um passo na direção oposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – Os professores se queixam de salários baixos. A senhora dá razão a eles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Helena – Na comparação com outros profissionais no Brasil e também com professores de escolas particulares, um conjunto de pesquisas já demonstrou que os salários dos docentes na rede pública chegam a ser até mais altos. Esse é um fato, ancorado em números. Apesar disso, acho, sim, que faz parte das atribuições do estado criar estímulos financeiros à carreira, de modo a valorizá-la e conseguir atrair mais gente boa para as escolas públicas. O que não se pode fazer é defender aumento de salário indiscriminado para professor ruim, desinteressado ou que mal aparece na escola. Quem merece mais dinheiro no fim do mês são os bons professores e aquelas escolas públicas capazes de oferecer um raro ensino de qualidade, apesar das evidentes dificuldades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – Como funcionará o novo sistema de premiação dos professores em São Paulo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Helena – Criamos um indicador para aferir a situação atual de cada escola e, com base nele, estabelecer metas concretas. O desempenho dos alunos em provas aplicadas pela própria secretaria terá o maior peso. Esse é, não resta dúvida, um excelente medidor do sucesso acadêmico de uma escola. Outro é o tempo que um aluno leva para concluir os ciclos escolares. Da combinação desses e mais fatores resultará o tal índice. Depois de um ano, ele voltará a ser calculado. Só as escolas que conseguirem melhorar nas estatísticas vão receber mais dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – De quanto será o prêmio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Helena – O bônus pode chegar ao equivalente a mais três salários num ano. Isso para cada funcionário da escola, da faxineira ao diretor. Foi com um sistema bem semelhante a esse que a cidade de Nova York alcançou avanços notáveis. Fizemos aqui uma adaptação necessária à realidade brasileira: os professores mais faltosos serão automaticamente excluídos da lista dos premiados. É apenas o justo. O Brasil ainda está pouco habituado a encarar as políticas para a educação sob uma ótica mais voltada para os alunos. Eles merecem, afinal, assistir a uma boa aula – e por isso estamos deixando de premiar os professores campeões em ausência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – De acordo com os mais recentes dados da OCDE (organização que reúne países da Europa e os Estados Unidos), os estudantes brasileiros aparecem nas últimas colocações em leitura, ciências e matemática. Como mudar esse cenário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Helena – Um passo fundamental é fazer a escola se sentir responsável pelos resultados dos estudantes, algo ainda bastante longínquo, mas possível de alcançar com a cobrança de metas. Fiz uma pesquisa sobre o assunto na qual professores entrevistados em diferentes estados brasileiros repetiam a mesmíssima ladainha: "As notas dos alunos são ruins porque a escola pública é carente de recursos e os professores ganham mal". Não acho que seja razoável atribuir tudo a fatores externos. Segundo essa mentalidade atrasada e comodista, a culpa pelo péssimo desempenho geral é invariavelmente do estado brasileiro, nunca dos próprios professores, muitos dos quais incapacitados para dar uma boa aula. A falta de professores preparados para desempenhar a função é, afinal, um mal crônico do sistema educacional brasileiro. Sem desatar esse nó, não dá para pensar em bom ensino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – Qual seria o melhor caminho para elevar o nível dos professores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Helena – Num mundo ideal, eu fecharia todas as faculdades de pedagogia do país, até mesmo as mais conceituadas, como a da USP e a da Unicamp, e recomeçaria tudo do zero. Isso porque se consagrou no Brasil um tipo de curso de pedagogia voltado para assuntos exclusivamente teóricos, sem nenhuma conexão com as escolas públicas e suas reais demandas. Esse é um modelo equivocado. No dia-a-dia, os alunos de pedagogia se perdem em longas discussões sobre as grandes questões do universo e os maiores pensadores da humanidade, mas ignoram o básico sobre didática. As faculdades de educação estão muito preocupadas com um discurso ideológico sobre as múltiplas funções transformadoras do ensino. Elas deixam em segundo plano evidências científicas sobre as práticas pedagógicas que de fato funcionam no Brasil e no mundo. Com isso, também prestam o desserviço de divulgar e perpetuar antigos mitos. Ao retirar o foco das questões centrais, esses mitos só atrapalham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – A senhora pode dar alguns exemplos desses mitos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Helena – Um dos mais populares é aquele segundo o qual o aumento no salário dos professores leva sempre à melhoria do ensino. As pesquisas mostram que, quando o dinheiro vem dissociado de uma política de reconhecimento do mérito, ele surte pouco ou nenhum efeito. Um segundo mito bastante divulgado diz respeito ao tamanho das classes. Os educadores afirmam por aí ser impossível oferecer uma boa aula diante de classes cheias, mas os estudos sobre o assunto indicam que, tirando as séries iniciais, esse é um fator de pouca relevância. Escolas de diferentes países decidiram inclusive aumentar o número de alunos em sala de aula para resolver outra questão – esta, sim, de grande efeito positivo. Eles estão esticando as horas de permanência dos estudantes nas escolas e, para arcar com os custos da medida, precisam fazer caber mais gente numa mesma sala. Resta ainda o mito do livro didático. Os estudantes de faculdades de pedagogia aprendem a encarar os livros como uma espécie de camisa-de-força, e não como uma base a partir da qual podem ampliar os horizontes em sala de aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – O currículo escolar também é visto com certa reticência pelos professores brasileiros, segundo mostram as pesquisas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Helena – De novo, os professores se sentem tolhidos na sua liberdade de ensinar – baboseira ideológica que passa ao largo de uma questão central. Sem contar com um currículo, o professor de escola pública no Brasil, de modo geral, continua a encarar as classes sem uma referência mínima na qual se mirar. Poucos estados brasileiros (entre as exceções, São Paulo, Minas Gerais e o Tocantins) dispõem de um currículo para oferecer às escolas, no qual estejam incluídos os assuntos a ser abordados em cada matéria, no detalhe. É uma pena. A experiência mostra que professores com um apoio didático dessa natureza vão mais longe em sala de aula. Investir na construção de um currículo, como fizeram alguns dos países da Europa dois séculos atrás, é certamente um destino mais adequado para as verbas públicas do que esparramar canteiros de obras Brasil afora – um caminho tão comum para o orçamento da educação no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – Quais são as melhores aplicações para o dinheiro destinado à educação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Helena – Três tipos de uso do dinheiro surtem mais efeito em sala de aula, conforme apontam as pesquisas: além do investimento em produção de material didático, os cursos para melhorar a formação dos professores e os programas de valorização aos bons docentes também resultam em melhorias concretas no nível do ensino. Não dá para fugir ainda de gastos extras com escolas sem a infra-estrutura mínima. À frente dos 5 500 colégios estaduais de São Paulo, tenho visto de tudo. Em algumas das escolas, a diretora precisa retirar diariamente lâmpadas e fiações ao final das aulas, para evitar roubos por parte dos próprios alunos. Eles costumavam trocar esses objetos por drogas. Outras escolas se tornaram verdadeiros emaranhados de "puxadinhos", extensões labirínticas do prédio original feitas pela própria comunidade. São apenas alguns retratos da desordem que precisamos enfrentar. Diante de tantas precariedades, a velha tradição brasileira de fazer pirotecnia com o dinheiro público da educação não parece ter o menor sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – A que tipo de "pirotecnia" a senhora se refere?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Helena – À construção de escolas monumentais, repletas de quadras poliesportivas, piscinas olímpicas e centenas de computadores, por exemplo. Em geral, elas são um convite à gastança de dinheiro sem nenhuma evidência de retorno para a sala de aula a longo prazo. Isso porque, segundo indica a experiência, em pouco tempo essas escolas entram em decadência por exigir uma manutenção cara demais para os cofres públicos. Volto à mesma tecla: o que dá certo na educação é a aplicação disciplinada de um conjunto de medidas bem mais básicas – e não aquelas de efeito festivo e mais vistosas, como ainda preferem alguns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – Como algumas escolas públicas conseguem sobressair diante das demais, apesar do mesmo orçamento apertado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Helena – Há um fator comum a todas as escolas nota 10, e ele merece a atenção das demais: trata-se da presença de um diretor competente, com atributos de liderança semelhantes aos de qualquer chefe numa grande empresa. Sob sua batuta, os professores trabalham estimulados, os alunos desfrutam um clima positivo para o aprendizado e os pais são atraídos para o ambiente escolar. Se tais diretores fossem a maioria, o ensino público não estaria tão mal das pernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – Na sua opinião, o Ministério da Educação (MEC) tem tomado medidas acertadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Helena – No geral, sim. Os esforços concentrados para melhorar a educação básica e a ênfase dada às avaliações das escolas são dois dos pontos positivos. Para mim, ver a educação de volta aos trilhos é um alívio. No primeiro mandato do governo Lula, tive meus momentos de tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Helena – Foi um período de paralisia para a educação, com um retrocesso: o desmantelamento do antigo Provão, uma prova criada durante o governo Fernando Henrique para aferir a qualidade das universidades. Funcionava bem, mas acabou vítima de um velho hábito da política brasileira: o de não dar continuidade às medidas adotadas pelos antecessores. Numa área como a educação, de resultados de longo prazo, o tradicional bota-abaixo a cada troca de governo é algo a ser combatido, tal qual fizeram países como a Irlanda e a Coréia do Sul, hoje modelos na educação. Eles só conseguiram abandonar o atoleiro de notas vermelhas depois de firmar uma espécie de pacto nacional, capaz de sobreviver às sucessivas trocas de governo ao longo de décadas. O Brasil tem hoje uma meta, para daqui a quinze anos, e há um bom consenso em torno das estratégias para alcançá-la. Precisa, daqui para a frente, começar a dar mostras de maturidade política para conseguir deixar a rabeira nos rankings internacionais de ensino – e, quem sabe um dia, aparecer entre os melhores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-7890588454878131150?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/7890588454878131150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=7890588454878131150' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7890588454878131150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7890588454878131150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/02/maria-helena-guimares-castro-premiar-o.html' title='Maria Helena Guimarães Castro: premiar o mérito'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/R7Hq-t21XfI/AAAAAAAAAEo/Vn9QL_xAmg0/s72-c/secretariafotoveja.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-3356627734251717465</id><published>2008-02-08T17:11:00.000-02:00</published><updated>2008-02-09T22:29:13.552-02:00</updated><title type='text'>O escândalo dos cartões</title><content type='html'>O mais deprimente nesta história dos cartões corporativos é que eles eram, na verdade, uma ótima idéia. Quem já trabalhou no serviço público conhece a burocracia e a morosidade com que são feitas as compras e pagamentos, que geram ineficiência, aumentam os custos e não conseguem evitar a corrupção quando ela se oculta por detrás das concorrências ritualizadas. Com o cartão, associado a uma definição clara de tipos e teto de gastos, e um processo transparente de prestação de contas, tudo fica mais fácil e mais ágil. Quem poderia ser contra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na montanha de denúncias que vão aparecendo nos jornais, fica difícil saber o que é gasto abusivo e o que não é. O IBGE, aparentemente, foi o maior usuário dos cartões 2006, para os gastos do dia a dia com as atividades de censo, e isto deve ter facilitado imensamente o trabalho dos milhares de entrevistadores por este Brasil afora, o que não significa, é claro, que não possa ter havido algum mal uso aqui e ali, facilmente detectáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já é mais difícil entender o dinheiro tirado na boca da caixa e usado sem comprovação de gastos, as compras no free shop, os jantares em restaurantes de luxo ou a decoração de residência de reitores. Para muitos, parece que de fato os cartões viraram festa à custa da viúva. O resultado provável é que a rigidez e a burocracia no uso dos recursos públicos aumentem ainda mais, reforçando o princípio  perverso de que todos os funcionários públicos são corruptos até prova em contrario, e não o de que são honestos e bem intencionados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que, quando o funcionário é realmente desonesto, não há formalismo burocrático que o segure.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-3356627734251717465?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/3356627734251717465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=3356627734251717465' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3356627734251717465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3356627734251717465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/02/o-escndalo-dos-cartes.html' title='O escândalo dos cartões'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-8365429104062754980</id><published>2008-02-03T15:43:00.001-02:00</published><updated>2008-02-03T15:51:21.972-02:00</updated><title type='text'>Bernardo Sorj: Racismo, Carnaval e Liberdade de Expressão</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Globo de 1 de fevereiro de 2008 publicou o seguinte texto de Bernardo Sorj:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradição diz que a sabedoria é o caminho do meio. Nem empurrar realidades desagradáveis embaixo do tapete por medo do conflito, nem insuflar os fatos além de suas reais dimensões.    Tempo atrás a porta de minha sala na UFRJ foi pixada com uma suástica. Fui convidado por lideranças da comunidade judaica  a denunciar publicamente a “existência de anti-semitismo na universidade”.  Recebi a solidariedade de todos meus colegas e alunos, e minha intuição – informada por outras pixações que tinha sofrido -  era de que ela  foi feita por um aluno ressentido com minhas críticas.  Com certeza não estava frente a um fenômeno de “anti-semitismo na universidade” e a solidariedade de meus colegas me pareceu suficiente. Achava que valorizar o evento seria dar publicidade indevida a um ato isolado e alimentar uma imagem distorcida da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O respeito pela  sensibilidade alheia, e mais ainda no espaço publico, seja em relação a objetos sagrados ou de  grupos que sofreram  discriminação, humilhação  e perseguição é fundamental para construir uma sociedade  onde ninguém sinta negada sua dignidade humana.  Este objetivo porem é um ideal em direção ao qual procuramos encaminhar, mas que é construído a partir de uma bagagem cultural, onde hábitos lingüísticos, formas de humor   e preconceitos inconscientes estão presentes. Não se trata de justificar nenhum deles, mas também de reconhecer que um comentário mal elaborado em torno a raça, religião, sexo ou  etnia não transforma alguém em racista, anti-semita, homofóbico ou sexista. O conceito racismo esconde uma diversidade de situações. Um comentário racista não significa que o individuo esteja disposto a entrar o Klu Klux Klan ou o partido nazista, ou que esteja imbuído de ódio racial. As maiorias das pessoas que fazem estes comentários se desculpam quando se conscientizam que feriram a sensibilidade de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aclaremos, não estamos justificando  expressões indevidas. Elas devem ser combatidas, mas com a ponderação devida em cada caso. Porque infelizmente o racismo, sexismo, etc., pode produzir uma indústria de vitimização,   de lideres e instituições que se  projetam pela denuncia, levando-os a apresentar uma versão distorcida ou inflacionada dos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem áreas onde a luta contra o preconceito apresenta dimensões complexas e difíceis de resolver. O humor sem duvida é uma delas. Muitas charges muitas vezes ferem a sensibilidade de  indivíduos e grupos.  O humor deve ser censurado, a pesar de que  ele explicitamente se reconhece como tal, isto é gozação, distorção e caricatura do real? A minha reação é que não, que o humor é parte constitutiva de uma sociedade democrática, pois ela representa a forma mais eficaz de  criticar, questionar, duvidar e ironizar, nos obrigando a aceitar visões diferentes daquilo que  nós “adoramos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora volta a surgir, como  já aconteceu em carnavais passados, a questão do lugar  da liberdade de expressão das escolas de samba, e, em particular, seus carros alegóricos.    Como sabemos, o carnaval é uma parodia da realidade e as escolas de samba tratam dos mais diversos temas, desde a violência na cidade, que contou com a participação de vitimas diretas e familiares, à escravidão no Brasil. Todo tema pode ser “carnavalizado”. A questão, portanto, não é o tema, pois ninguém tem monopólio sobre ele, mas a forma em que ele é tratado e a mensagem que procura-se  veicular. Uma discussão ponderada sobre o carro alegórico dedicado ao holocausto deveria  focalizar somente esta questão. Idealmente, um diálogo aberto, público, entre todas as partes interessadas é o caminho a trilhar nestas situações, onde não existem razões para duvidar da boa fé de todos os envolvidos.  É possível que no final do dia tenhamos  posições diferentes, mas sem preconceitos e com clareza sobre os pontos em que divergimos, dentro de uma lição de convivência democrática.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-8365429104062754980?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/8365429104062754980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=8365429104062754980' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8365429104062754980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8365429104062754980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/02/bernardo-sorj-racismo-carnaval-e.html' title='Bernardo Sorj: Racismo, Carnaval e Liberdade de Expressão'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-4318069805880899449</id><published>2008-01-26T04:42:00.000-02:00</published><updated>2008-01-26T04:55:08.761-02:00</updated><title type='text'>Etanol a preço de banana</title><content type='html'>Coskata, uma companhia norte-americana financiada pela General Motors e outras fontes, anunciou que desenvolveu uma tecnologia para a produção de etanol a partir de qualquer material orgânico ao preço de menos de um dólar por galão, que é parecido com custo do etanol produzido no Brasil, e bem abaixo do produzido nos Estados Unidos a partir do milho. A notícia é importante para o Brasil porque, se confirmada, ela poderia ter um forte impacto no projeto de transformar o país em um fornecedor internacional deste combustível. &lt;a href="http://www.wired.com/cars/energy/news/2008/01/ethanol23"&gt;O artigo da revista Wired descrevendo o processo pode ser lido aqui,&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-4318069805880899449?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/4318069805880899449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=4318069805880899449' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4318069805880899449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4318069805880899449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/01/etanol-preo-de-banana.html' title='Etanol a preço de banana'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-2773541867620856140</id><published>2008-01-05T12:01:00.000-02:00</published><updated>2008-02-10T20:07:05.780-02:00</updated><title type='text'>Ainda sobre o Sistema Unificado de Saúde</title><content type='html'>Mauro Osório, comentando minha nota anterior sobre  a CPMF e o SUS,  diz que “estranhei não ver em sua análise uma avaliação dos benefícios que o secretário Osmar Terra aponta como o SUS já tendo gerado. Ou ele não é tão ruim como você deduz na sua análise, ou os dados do Osmar estariam errados.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, nem uma coisa nem outra. As estatísticas de mortalidade infantil e expectativa de vida tem melhorado no Brasil, mas não por causa do SUS. O que explica esta melhoria são coisas como o acesso a água tratada nas cidades, o uso do soro caseiro no controle da diarréia infantil e as grandes campanhas de vacinação. Tradicionalmente, estas coisas, próprias da medicina preventiva, eram feitas pelo Ministério da Saúde, enquanto que a medicina curativa, muito mais cara, era proporcionada pelo Ministério da Previdência. Não era somente uma divisão burocrática: o Ministério da Saúde dependia do orçamento geral, enquanto que o atendimento médico  era financiado com as contribuições de empregados e patrões dentro do sistema previdenciário. O que ocorreu foi que, ao mesmo tempo em que a Constituição de 1988 decretava o direito universal ao atendimento médico pelo sistema unificado, os serviços  médicos deixaram de ser financiados com os recursos da previdência, que já não davam conta de cobrir os gastos de aposentadoria e pensões. A crise financeira da saúde faz parte da crise da previdência, e não é possível equacionar uma sem equacionar também a outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mauro Osório nos dá um bom exemplo de gestão do sistema previdenciário, que infelizmente não teve continuidade, e todos os dias ouvimos histórias de horror de hospitais sem recursos mínimos, filas intermináveis, contaminações hospitalares, ambulâncias que despejam doentes do interior na porta dos hospitais das capitais, médicos que não comparecem ou cobram por fora....  O que significa que uma boa administração pode fazer  diferença, mas não existe nenhum sistema de informações que indique qual é o desempenho dos serviços médicos proporcionados diretamente pelo SUS ou contratados do setor privado, e nenhum mecanismo que estimule  premie o bom uso dos recursos públicos, e desestimule ou puna seu uso incompetente, ainda que honesto e bem intencionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fazer com o SUS?  Existem muitas propostas, várias delas bem interessantes, disponíveis por exemplo em documento recente do IPEA,  &lt;a href="http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/publicacoes/tds/td_1234.pdf"&gt;Uma Agenda para o Crescimento Econômico e a Redução da Pobreza,&lt;/a&gt; organizado por Paulo Mansur Levy e Renato Villela, de novembro de 2006, que recomendo. Meu propósito aqui é somente insistir em que o SUS não pode ser considerado mais uma jabuticaba, que é excelente e só existe no Brasil. É um sistema com graves problemas de concepção e gestão, de custos crescentes e aparentemente incontroláveis, e  que não pode ser discutido unicamente em termos de seu financiamento, que, por mais CPMFs que hajam, nunca será suficiente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-2773541867620856140?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/2773541867620856140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=2773541867620856140' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2773541867620856140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2773541867620856140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/01/ainda-sobre-o-sistema-unificado-de-sade.html' title='Ainda sobre o Sistema Unificado de Saúde'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-1429315830267468534</id><published>2008-01-01T22:11:00.000-02:00</published><updated>2008-01-01T22:22:08.783-02:00</updated><title type='text'>O fim da CPMF e o melhor sistema de saúde pública do mundo</title><content type='html'>Nas discussões sobre a CPMF, falou-se muito da necessidade de garantir os recursos para o financiamento do Sistema Unificado de Saúde, o SUS, que, na opinião de Osmar Terra, Secretário de Saúde do Rio Grande do Sul, em artigo no&lt;span style="font-style: italic;"&gt; O Globo &lt;/span&gt;de 1/1/2008, é “a proposta mais avançada de política pública de saúde existente no mundo”. Pena que não tem dinheiro e funciona tão mal, mesmo quando o dinheiro existe.  Esta idéia da maravilha que é  o SUS é muito comum entre os que trabalham na área, mas não passa de um mito, igualzinho ao de que o Brasil teria o sistema previdenciário mais avançado do mundo, que se dizia antes, mas que hoje ninguém mais fala. A crise de financiamento trazida pelo fim da CPMF deveria ser uma boa oportunidade para começar a desmontar este mito, e encarar de frente os graves problemas de saúde pública do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O principal problema com o “avanço” do sistema de saúde, assim como o da previdência, é que eles prometem uma cobertura universal e generosa para a qual não há nem haverá recursos. Na Constituição de 1988, estava previsto que o sistema de saúde seria coberto com 30% dos recursos federais do sistema da previdência social, os dois financiados pelas contribuições dos trabalhadores, empresas e governo. Quando o sistema previdenciário começou a ficar insolúvel, cessou a transferência de recursos para a saúde, que saiu da previdência e se socorreu na CPMF para continuar funcionando, embora de forma precária. Na medida em que a população envelhece e a medicina avança, os custos do atendimento médico tendem a crescer, com medicamentos e equipamentos cada vez mais complexos, tempos prolongados de internação, e profissionais de saúde que querem ser remunerados de acordo com seus esforços e sua capacidade. Mesmo os paises ricos que tem sistemas universais de saúde pública, como a Inglaterra ou a França, embora gastem cerca de 10% do PIB em saúde, encontram dificuldades crescentes para manter os sistemas funcionando. Nos Estados Unidos, que gasta cerca de 15% do PIB com saúde, as dificuldades são ainda maiores. O Brasil gasta menos de 4%. Quanto a sociedade estaria disposta a gastar? Tirando de onde? Não há solução fácil para isto, mas um bom sistema de saúde, da mesma forma que um bom sistema de previdência social, seria aquele que focalizasse os poucos recursos públicos disponíveis nas populações mais carentes e nos atendimentos mais críticos, e estimulasse a que a maior parte possível da população fosse coberta por sistemas de seguro financiados pelos contribuintes ou seus empregadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disto, a organização do sistema SUS é inviável. O princípio é que seria um sistema descentralizado, controlado pelos governos locais e conselhos comunitários, que deveriam zelar pelo bom atendimento dos serviços, mas não pela administração de recursos, que fica basicamente com o governo federal. Um sistema em que um lado só gasta, e outro paga a conta, não tem como dar certo, já que não há interesse por parte dos que gastam em usar eficientemente os recursos disponíveis. A idéia por trás deste sistema é que os recursos públicos para a saúde seriam infinitos, e apareceriam na medida em que a sociedade, através dos conselhos e administrações  locais consiga se mobilizar e aumentar sua demanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem muitos outros problemas com o sistema SUS, entre os quais o do relacionamento do sistema público com o setor privado de saúde, que não há como discutir aqui. O ponto principal é que estes problemas, distorções e mal funcionamento não são acidentes de percurso e perturbações menores de um sistema que seria “o mais avançado do mundo”, e sim conseqüências inevitáveis de um sistema ambicioso e mal concebido, que precisa ser urgentemente revisto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-1429315830267468534?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/1429315830267468534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=1429315830267468534' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/1429315830267468534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/1429315830267468534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2008/01/o-fim-da-cpmf-e-o-melhor-sistema-de.html' title='O fim da CPMF e o melhor sistema de saúde pública do mundo'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-25788317398619849</id><published>2007-12-26T07:02:00.001-02:00</published><updated>2007-12-26T07:11:00.643-02:00</updated><title type='text'>Feliz 2008!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/R3IZIpDMgJI/AAAAAAAAAEg/DdvMMFfy73E/s1600-h/chanina.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/R3IZIpDMgJI/AAAAAAAAAEg/DdvMMFfy73E/s400/chanina.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148204960286802066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-25788317398619849?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/25788317398619849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=25788317398619849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/25788317398619849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/25788317398619849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/12/feliz-2008.html' title='Feliz 2008!'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/R3IZIpDMgJI/AAAAAAAAAEg/DdvMMFfy73E/s72-c/chanina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-2480857637973000998</id><published>2007-12-23T07:46:00.000-02:00</published><updated>2007-12-23T21:18:39.912-02:00</updated><title type='text'>O ENEM brasileiro e o GCSE inglês</title><content type='html'>Enquanto no Brasil se comemora a expansão do ENEM, o Exame Nacional do Ensino Médio, com 2.7 milhões de participantes em 2007, a Inglaterra abandona o projeto de criar um Diploma Geral para o  ensino médio associado ao “General Certificate of Secondary Education” (GSCE), que deveria certificar a obtenção de competências gerais dos estudantes de nível médio naquele país. Quem está errado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A razão pela qual os ingleses estão abandonando o diploma geral, segundo a &lt;a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/education/7155843.stm"&gt;notícia da BBC,&lt;/a&gt; é que ele poderia entrar em conflito e desqualificar uma série de diplomas profissionais e técnicos que estão sendo promovidos pelos diversos ministérios daquele país. O ENEM foi saudado, inclusive por mim, como uma importante tentativa de estabelecer um padrão de qualidade para o ensino médio brasileiro que não existia até então, cumprindo uma função semelhante à do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;SAT Reasoning Test &lt;/span&gt;nos Estados Unidos e os exames nacionais europeus como o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Abitur &lt;/span&gt;alemão e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Baccalauréat &lt;/span&gt;francês. Eles buscam medir habilidades genéricas, associadas sobretudo à capacidade de leitura, escrita e de uso de matemática, consideradas criticas para todo o tipo de formação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema com estes tipos de exame (mesmo supondo que eles sejam tecnicamente bem feitos, o que não é claro no caso do ENEM) é que eles dividem os estudantes em duas categorias: os acadêmicos e generalistas, que vão para as universidades e entram nas carreiras mais prestigiadas, e os técnicos e especialistas, menos capacitados, que ficam em atividades de menor prestígio e remuneração. A maioria dos paises europeus, como a Alemanha e a França, estabeleceu estas divisões muito tempo atrás (o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Abitur&lt;/span&gt; alemão é do século XVIII), e foram muitas vezes bem sucedidos em proporcionar uma capacitação de qualidade para os que seguiam o caminho das profissões técnicas, sobretudo nos países germânicos. Em muitos outros paises, no entanto, e inclusive na América Latina, esta divisão acabou criando um sistema educacional divido entre um ensino para a elite e outro para o povo, em geral de péssima qualidade.  Hoje, a tendência nos paises europeus é substituir os antigos sistemas duais por uma pluralidade de exames e qualificações, ao mesmo tempo em que se reconhece que todos eles requerem níveis adequados de competência de leitura, escrita e matemática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil se fala muito em ensino técnico, de vez em quando se tomam algumas iniciativas, mas até hoje não começamos a discutir a sério que tipo de formação o ensino médio deveria proporcionar. Se os ingleses estão certos, pareceria que o ENEM está na contramão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-2480857637973000998?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/2480857637973000998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=2480857637973000998' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2480857637973000998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2480857637973000998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/12/o-enem-brasileiro-e-o-gcse-ingls.html' title='O ENEM brasileiro e o GCSE inglês'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-4123107441816010036</id><published>2007-12-02T08:10:00.001-02:00</published><updated>2007-12-02T08:22:44.660-02:00</updated><title type='text'>Adiós Muchachos</title><content type='html'>Leio, com muito atraso, “Adiós muchachos: una memoria de la revolución sandinista”  de Sérgio Ramírez, publicada em 1999. Sérgio Ramírez é um importante escritor nicaraguense, que participou ativamente da revolução sandinista desde seu começo, coordenando o que ficou conhecido como o “grupo dos 12”, de apoio à Frente Sandinista de Liberación Nacional (FSLN), e integrou a junta de governo de 1979 a 1984, quando foi eleito vice-presidente com Daniel Ortega.  Em 1996, depois de criar o Movimiento de Renovación Sandinista, de rompimento com o FSLN, foi candidato derrotado à presidência da república. Deste então, ao que consta, se dedica integralmente ao trabalho de escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história da revolução sandinista é como tantas outras. Havia na Nicarágua uma ditadura terrível e corrupta, apoiada pelos americanos, e a população pegou em armas para derrubá-la, em nome de nobres ideais, e à custa de muitas mortes e sacrifícios. Alguns anos depois, veio o fracasso, causado em  parte pelo contexto internacional desfavorável, e em parte pelo fracasso das políticas sociais e econômicas do  novo regime, assim como pela deterioração ética e moral dos princípios humanistas que haviam levado tantas pessoas  à morte na guerra civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto que o fracasso da revolução se explica pelas pressões externas, e quanto pelos próprios problemas?  Não há dúvida que a atuação do governo Reagan, financiando os “contras” e bloqueando a Nicarágua, causou um grande dano. Mas Ramirez mostra também como a revolução já continha, desde o início, o germe de sua destruição.  A começar pelo poder dos mortos sobre os vivos. Como diz ele,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“El que ningún mérito pudiera compararse entre los vivos y el mérito mismo de la muerte, fue toda una filosofia que al momento del triunfo de la revolución asumió un peso ético aplastante. Los únicos heroes eran los muertos, los caídos, y a ellos se lo debíamos todo, ellos habian sido los mejores, y todo lo demás, referente a los vivos, debía ser reprimido como vanidad mundana”(p. 47).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, mais adiante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Al triunfar la revolución, ser un buen militante significó estar dispuesto a acatar el código de conducta establecido por los muertos: pero desde la jerarquía del partido, este código pasó a ser interpretado por los vivos. Fue cuando comenzó a burocratizarse la santidad”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esta combinação de uma ética absoluta da santidade, típica da teologia da libertação, com o poder absoluto da hierarquia, típica do leninismo marxista, que vai marcar a atuação do governo sandinista em seus poucos anos de existência. Tudo era possível fazer, os inimigos deviam ser afastados e liquidados, e quem não estava ao lado da revolução era aliado do imperialismo e da burguesia. Ramirez lista  uma série de erros fundamentais cometidos pelo governo, ao tentar coletivizar as terras, alienando os camponeses; ao tentar destruir a cultura dos índios miskitos; ao tentar comandar a economia por decreto, criando inflação descontrolada e desabastecimento; ao tentar empreender projetos grandiosos e inviáveis de estradas e aeroportos (a começar pelo grande aeroporto para operar os caças MIG que viriam da Rússia e nunca chegaram).  Tudo isto criou um terreno fértil para os Contra, que não tinham somente o apoio da  CIA, mas também dos camponeses e dos indígenas, sem falar nos empresários e nas classes medias assustados e acuados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/R1KFEs6CYFI/AAAAAAAAAEY/JwwoKtjlw0o/s1600-R/pinata.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/R1KFEs6CYFI/AAAAAAAAAEY/VXldczqc2Oc/s400/pinata.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5139316440603713618" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, quando tudo estava perdido e era a hora de passar o governo para as mãos de Violeta Chamorro, veio “la piñata”, a apropriação de propriedades e empresas públicas e nacionalizadas pelo movimento sandinista e seus lideres no momento de deixar o poder. Ramírez fala de suas longas discussões com Ortega e outros companheiros sobre a questão do direito à propriedade, que era visto como algo inaceitável desde a ética das catacumbas, mas que acabou se transformando na base de sustentação do novo Ortega que, anos mais tarde, voltaria a ser eleito presidente da Nicarágua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do movimento sandinista, primeiro, e fora dele depois, Ramírez fez o possível para fazer da Nicarágua uma sociedade que respeitasse a memória e os valores de seus mortos, mas que também evitasse a ditadura, a onipotência e a corrupção dos vivos. A lição que fica, me parece, é que isto só pode ocorrer, quando ocorre, em uma verdadeira democracia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-4123107441816010036?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/4123107441816010036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=4123107441816010036' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4123107441816010036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4123107441816010036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/12/adis-muchachos.html' title='Adiós Muchachos'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/R1KFEs6CYFI/AAAAAAAAAEY/VXldczqc2Oc/s72-c/pinata.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-4621951073884261851</id><published>2007-11-16T05:34:00.000-02:00</published><updated>2007-11-16T06:12:00.812-02:00</updated><title type='text'>Sérgio Fausto, Lula e a tentação do hiper-presidencialismo</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Acho difícil não interpretar a defesa veemente de Chaves feita dias atrás pelo Presidente Lula como o início da campanha para permanecer no poder indefinidamente, através de alguma reforma constitucional ou plebiscito. Segundo Lula, a única crítica que se pode fazer a Chaves é de excesso de democracia, dadas as vezes em que ele realizou e ganhou eleiçoes e plebiscitos. Lula não é ingênuo, e sabe muito bem que democracia não é só mobilização popular e votos, mas também instituições - legislativo e judiciário independente, pluralidade partidária, liberdade de expressão, garantia dos direitos das minorias. Presidencialismo plebiscitário tem outro nome: fascismo. Pelo critério de Lula, Mussolini, Hitler, Fujimori e Perón, sem falar em Getúlio Vargas, seriam também grandes democratas.  Se ele prefere ignorar isto, não deve ser à toa. Não há dúvida, também, que esta ambição continuista mal-disfaraçada se apóia na desmoralização do legislativo, que atingiu níveis impensáveis.&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;No dia 11 de novembro, poucos dias antes do lançamento da campanha de reeleição de Lula, Sérgio Fausto publicou no O Estado de São Paulo um excelente artigo em que analiza muito bem o tema  do hiper-presidencialismo.  O artigo está reproduzido abaixo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;VADE RETRO&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Um espectro ronda as Américas: a deformação dos regimes democráticos em hiper-presidencialismos aberta ou veladamente autoritários. O espectro materializou-se por completo na Venezuela, assumindo tendências totalitárias, com a formação de milícias leais ao presidente Chávez, doutrinação e mobilização ideológicas em larga escala, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O hiper-presidencialismo, no entanto, dá sinais de sua existência mesmo nos Estados Unidos, berço da democracia no continente, onde o governo Bush, em seus dois mandatos, promoveu a maior concentração de poderes em mãos do Executivo desde o New Deal de Roosevelt (e para fins bem menos proveitosos). Ali, o que era exceção tornou-se quase rotina: legislação por decretos presidenciais, utilização dos chamados "signing statements" para isentar a presidência do pleno cumprimento de leis aprovadas pelo Congresso, partidarização do aparelho do Estado, para não falar no cerceamento de liberdades individuais em nome da guerra contra o terror. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;br /&gt;Se é verdade que o fenômeno alcança os Estados Unidos, que portanto  não estão em boa situação para ensinar democracia a ninguém, é na América Latina que o hiper-presidencialismo encontra seu terreno mais fértil. Em primeiro lugar, por razões históricas: afinal, caudilhos, líderes populistas e generais-presidentes foram freqüentes "en nuestra América". Aqui, a personalização do poder e a relativa fraqueza do Legislativo e do Judiciário frente ao Executivo têm sido antes a regra que a exceção histórica. Em segundo lugar, por razões estruturais, isto é, a persistência de amplos contingentes da população em condições de pobreza, tornando-os suscetíveis aos apelos e benefícios do governo de plantão. Finalmente, por razões conjunturais, em particular o fato de que a recuperação das sucessivas crises da segunda metade dos anos 90 resultou, num ambiente externo favorável, na ampliação das receitas fiscais. Nas condições estruturais e institucionais da região, esses recursos financeiros adicionais se traduzem quase que diretamente em maiores recursos de poder dos presidentes eleitos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;br /&gt;Além da Venezuela, a presença do hiper-presidencialismo salta aos olhos na Argentina. Lá a concentração de poderes em mãos do presidente Nestor Kirchner só encontra paralelo histórico, afora as ditaduras, no primeiro governo de Perón. Legislação aprovada por um congresso subserviente lhe permite modificar a lei orçamentária, redirecionando gastos com uma simples canetada. O fenômeno está presente também no Equador e na Bolívia, embora neste país o hiper-presidencialismo esteja rapidamente cedendo lugar ao impasse político-institucional. No Brasil e na Colômbia, também é possível identificá-lo, apesar do melhor funcionamento das instituições democráticas. No nosso caso, basta ver o uso e abuso das medidas provisórias e o quase total controle do Executivo sobre a agenda do Congresso. Entre os países mais relevantes, a exceção fica por conta do Chile. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;br /&gt;O hiper-presidencialismo compreende, em graus variados, desequilíbrios cada vez maiores nas relações entre os poderes, em favor do Executivo e em prejuízo do Legislativo e do Judiciário, utilização do Estado para fins partidários, intervenção governamental nos meios de comunicação e não raro limitações às liberdades civis e políticas. Sintoma evidente da doença é a quantidade crescente de países em que a ampliação do número permitido de reeleições tornou-se tema político de primeira ordem, obviamente por coação, indução ou sugestão dos maiores interessados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;br /&gt;Não bastasse a concentração de poderes, os hiper-presidentes pretendem perpetuar-se no cargo. Se não pretendem explicitamente, sentem comichões de fazê-lo. Seguem, assim, a lição de Maquiavel de que não é suficiente conquistar o poder, senão que é necessário conservá-lo e ampliá-lo, tanto quanto possível, importando apenas a eficiência dos meios para obtenção dos fins. Essa máxima é incompatível com a democracia, que supõe controles sobre o Executivo, equilíbrio na competição política, alternância no poder e ampla liberdade de organização e expressão políticas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;br /&gt;No passado, as democracias na América Latina morreram de morte matada. Ainda que houvesse um processo de crise interna, o desenlace classicamente assumia a forma de um golpe militar. Hoje os riscos são de uma morte mais lenta, por degeneração progressiva, mais ou menos veloz, uma morte em vida, por assim dizer, em que se preservam somente as aparências de vitalidade. O certo é que se o hiper-presidencialismo não encontrar resistência à altura, a democracia não sobreviverá para valer. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;br /&gt;Por isso, todo repúdio é pouco à tese de permitir uma terceira reeleição sucessiva ao presidente Lula. Seria um retrocesso incalculável e aproximaria o Brasil do grupo de países latino-americanos que descem em marcha batida ou zigue-zagueando o plano inclinado do autoritarismo político e do arcaísmo econômico. O Brasil assumiria a vanguarda do atraso, quando pode exercer uma liderança capaz de pesar em favor da democracia e do desenvolvimento da região. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;Fez bem o presidente Lula em negar o patrocínio dessa tese e determinar que seus auxiliares mais próximos também o fizessem, embora em todas as declarações, até aqui, o acento tenha recaído sobre a inconveniência política, mais do que sobre a questão de princípio.  Assim, não nos iludamos: o repúdio da sociedade deve ser proporcional à tentação de um terceiro mandato. Proporcional e reiterado, pois ainda há tempo pela frente e a tentação é enorme para um partido que se vê sem candidato competitivo nas próximas eleições presidenciais e já deu mostras de sobra de uma grande vocação para servir-se do poder.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;(Publicado em  O Estado de São Paulo, 11 de novembro de 2007)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-4621951073884261851?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/4621951073884261851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=4621951073884261851' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4621951073884261851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4621951073884261851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/11/srgio-fausto-lula-e-tentao-do-hiper.html' title='Sérgio Fausto, Lula e a tentação do hiper-presidencialismo'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-5467920625803827936</id><published>2007-11-09T07:33:00.000-02:00</published><updated>2007-11-09T12:03:16.981-02:00</updated><title type='text'>Ensino de ciências e  educação básica</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: times new roman;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;A Academia Brasileira de Ciências está divulgando um documento entitulado "Ensino de ciências e educação básica: propostas para superar a crise", escrito por um grupo de trabalho do qual participei,  cujo texto completo está disponível no &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.abc.org.br/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: times new roman;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;site da Academia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: times new roman;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;, e também &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/pub_artigos.htm"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: times new roman;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: times new roman;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;. Este documento reflete uma preocupação recente dos membros da Academia com os temas da educação, que levou também à criação de um outro grupo de trabalho sobre educação infantil.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: times new roman;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: times new roman;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt; Diz  este documento, na introdução:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;O desenvolvimento social, científico e tecnológico do Brasil requer uma reformulação profunda da estrutura educacional em nosso país. A reforma da educação superior foi discutida em documento anterior da Academia Brasileira de Ciências (“Subsídios para a Reforma da Educação Superior”), que propõe uma reestruturação dos cursos de graduação, adiando a especialização, promovendo a interdisciplinaridade dentro de uma estrutura de ciclos, e a expansão das matrículas através da diversificação das instituições de ensino superior. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A necessidade imperiosa de melhorar o ensino básico no Brasil e, em particular, o ensino de ciências, é o tema do presente documento. O ensino adequado de ciências estimula o raciocínio lógico e a curiosidade, ajuda a formar cidadãos mais aptos a enfrentar os desafios da sociedade contemporânea e fortalece a democracia, dando à população em geral melhores condições para participar dos debates cada vez mais sofisticados sobre temas científicos que afetam nosso quotidiano. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A universalização desejada do ensino fundamental, alcançada através de um esforço de vários governos, e que se constituiu portanto em uma verdadeira política de Estado, foi acompanhada de uma deterioração crescente desse nível de ensino, levando a uma situação que prejudica o desenvolvimento do Pais, corrói a democracia, e gera um grande número de jovens com péssima formação e com alternativas limitadas de inserção na sociedade brasileira. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A correção do quadro atual requer um esforço continuado que deve ser, por isso mesmo, resultante de uma política de Estado, fruto de um consenso sobre o caráter altamente prioritário dessa ação. Entre as medidas a serem adotadas, destacam-se como imprescindíveis o aumento dos investimentos em educação para no mínimo 6% do PIB, a melhoria substancial da remuneração dos professores, o aumento da duração do turno escolar e a efetiva alfabetização infantil. Sem elas, todas as outras propostas do documento terão efeito reduzido na transformação da educação básica em nosso país.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-5467920625803827936?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/5467920625803827936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=5467920625803827936' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5467920625803827936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5467920625803827936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/11/ensino-de-cincias-e-educao-bsica.html' title='Ensino de ciências e  educação básica'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-6819928495642373978</id><published>2007-11-07T07:08:00.001-02:00</published><updated>2007-11-07T07:32:31.089-02:00</updated><title type='text'>Pobreza, população e desigualdade</title><content type='html'>Participei no dia 5 de novembro, em Belo Horizonte, do "Seminário sobre população, pobreza e desigualade", organizado pela Associação Brasileira de Estudos Poulacionais e a Comissão Nacional de População e Desenvolvimento. Meu painel tinha o nome de "Dinâmica populacional e as oportunidades de políticas públicas", e foi coordenado por Eduardo Rios Neto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos três apresentadores, Eduardo Pereira, do Ministério da Previdência Social, foi o único que tratou efetivamente de dinâmica populacional. Ele mostrou que, com o envelhecimento da população, o sistema previdenciário brasileiro é insunstentável a longo prazo, porque haverá um número crescente de velhos recebendo benefícios para um número decrescente de jovens. E que isto não muda com a economia crescendo, porque, se tiver mais gente pagando a previdência hoje, haverá mais gente também recebendo depois, e vivendo muito mais tempo. O Ministério preparou estes dados, na forma de várias simulações, para apresentar ao Forum Nacional da Previdência Social, aonde estão representados os sindicatos, aposentados, pensionistas, empregadores e o governo federal, e, pelo que parece, ninguém lá gostou da tese de que os benefícios da previdência deveriam mudar. O problema é que os principais interessados na reforma, nossos filhos, que vão ter que pagar a conta ou conviver com um sistema previdenciário falido, não estavam presentes, e não havia ninguém no fórum, aparentemente, que defendesse seus interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro apresentador foi Pedro Olinto, do Banco Mundial, que antecipou os principais resultados de uma avaliação que o Banco está fazendo de um grande número de programas de tipo Bolsa Família que o Banco vem apoiando e incentivando em um número crescente de países, inclusive o Brasil. O ponto principal foi mostrar como estes programas são, em geral, bem focalizados, e de fato melhoram em alguma medida as condições de vida das populações mais pobres. O que me pareceu mais novo foi a conclusão de que os programas não tem impacto sobre o acesso à escola em países em que a quase totalidade da população já está na educação básica, como no Brasil; e que o impacto sobre a qualidade da educação parece ser inclusive negativo. Eu já vinha dizendo e discutindo isto há vários anos, e fico contente em ver que agora o Banco Mundial reconhece isto. Aliás, se entendi bem, a avaliação do bolsa família brasileiro feita por Eduardo Rios-Neto mostra a mesma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/RzGElCdz8jI/AAAAAAAAAEQ/6ZLIMvr3PU8/s1600-h/medio.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/RzGElCdz8jI/AAAAAAAAAEQ/6ZLIMvr3PU8/s400/medio.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5130027222403641906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minha apresentação, eu mostrei dados da PNAD sobre a evolução da educação brasileira nos diferentes níveis, e discuti um pouco sobre cada um deles e sobre as prioridades. Um dos dados que mostrei foi como o acesso ao ensino médio, que havia crescido muito na década de 90, parece estar estacionando a um nível muito baixo, inferior a 60% de cobertura nas regiões mais ricas (veja o gráfico), quando deveríamos estar caminhando para os 100%, e isto sem falar na qualidade, que, por tudo que sabemos, está muito mal. A expansão do ensino superior, enquanto isto, parece ser a prioridade do governo federal, sem preocupação aparente com sua qualidade, o que parece ser um erro evidente de foco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-6819928495642373978?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/6819928495642373978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=6819928495642373978' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/6819928495642373978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/6819928495642373978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/11/pobreza-populao-e-desigualdade.html' title='Pobreza, população e desigualdade'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/RzGElCdz8jI/AAAAAAAAAEQ/6ZLIMvr3PU8/s72-c/medio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-2910778803828786175</id><published>2007-10-23T15:57:00.000-02:00</published><updated>2007-11-07T06:25:03.494-02:00</updated><title type='text'>Edição eletrônica de "Bases do Autoritarismo Brasileiro"</title><content type='html'>&lt;img src="http://lh6.google.com/sschwartzman/RzF2ISdz8fI/AAAAAAAAAD0/-atZYHAFPQA/publit.jpg?imgmax=800" alt="publit.jpg" border="0" width="113" height="149" /&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0in;"&gt;Está disponível uma nova edição de meu livro &lt;span lang="pt-BR"&gt;&lt;i&gt;Bases do Autoritarismo Brasileiro, &lt;/i&gt;que havia sido publicado pela última vez em 1988. O livro agora pode comprado em formato PDF ou em papel via Internet pela &lt;a href="http://www.publit.com.br/detalhes_produto2.asp?L=A&amp;amp;IDProduto=1083"&gt;Publit Soluções Editorial &lt;/a&gt; e continua também disponível &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/bases/bases.htm"&gt;no meu site&lt;/a&gt; em formato html.  O que facilita esta nova edição é que o livro é impresso cada vez que é encomendado, o que evita os altos custos de grandes tiragens.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0in;" lang="pt-BR"&gt;O livro mantém o texto integral da edição de 1988, com uma pequena nova apresentação, aonde observo que, quase vinte anos percorridos, uma das principais proposições do livro pareceria ter se cumprido. O que procurei mostrar em 1973 era como a dinâmica da vida política brasileira tinha tido sempre, uma característica central, a relativa marginalização do centro econômico e mais organizado da "sociedade civil" no país, localizado predominantemente em São Paulo, e o núcleo do poder central, muito mais fixado no eixo Rio de Janeiro – Brasília, em aliança com as oligarquias políticas tradicionais dos estados mais pobres. Mais do que diferenças geográficas, que têm sua importância, o que me importava eram as diferentes formas de organização da vida econômica, social e política que coexistiam e disputavam espaço no país.   &lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0in;" lang="pt-BR"&gt;No prefácio de 1988 eu dizia que “foi de São Paulo que surgiram as pressões sociais mais fortes contra os poderes concentrados no Governo federal, tanto por parte de grupos empresariais quanto pelo movimento sindical organizado; é em São Paulo, em última análise, que se joga a possibilidade de constituição de um sistema político mais aberto e estável, que possa dar ao processo de abertura uma base mais permanente”.   &lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0in;" lang="pt-BR"&gt;A partir de 1995, com os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio da Silva e as candidaturas presidenciais de José Serra e Geraldo Alckmin, o centro de gravidade da política brasileira se transfere para São Paulo. Nas eleições de 1994 e 1998, a oposição entre PSDB e PT se aproximou bastante do que poderíamos descrever como a disputa entre dois partidos políticos modernos, um com mais apoio nas classes médias e no empresariado, outro com mais apoio nos sindicatos e nos movimentos sociais independentes. Desde então, no entanto, os partidos políticos perderam substância, o clientelismo se ampliou, o sindicalismo e os movimentos socais independentes desapareceram ou foram cooptados, e boa parte das elites patrimonialistas mantiveram seu poder de sempre, agora como meras cleptocracias.  O período “moderno” da política brasileira teve fôlego curto, e a política antiga está demonstrando ter uma enorme capacidade de sobrevivência e metamorfose.  Fica para os eleitores a pergunta de por quê isto é assim, e o que podemos esperar para o futuro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0in;" lang="pt-BR"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0in;" lang="pt-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-2910778803828786175?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/2910778803828786175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=2910778803828786175' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2910778803828786175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2910778803828786175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/10/edio-eletrnica-de-bases-do.html' title='Edição eletrônica de &amp;quot;Bases do Autoritarismo Brasileiro&amp;quot;'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-5228094867141121163</id><published>2007-10-19T06:43:00.000-02:00</published><updated>2007-10-19T07:11:02.099-02:00</updated><title type='text'>"O crítico da ciência"</title><content type='html'>A &lt;a href="http://www.revistapesquisa.fapesp.br/"&gt;Revista Pesquisa FAPESP,&lt;/a&gt; n. 140, Outubro, pp 12-17, publica uma longa entrevista minha com Carlos Fioravanti, aonde antecipo algumas dos resultados da pesquisa  que coordenei sobre 16 grupos de pesquisa universitários na Argentina, Brasil, Chile e México que conseguem associar o trabalho acadêmico à produção de conhecimentos relevantes à economia e à sociedade, e faço um pequeno histórico de meus trabalhos anteriores sobre o tema. O título, "o crítico da ciência", é dele, e o texto completo &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/revfapesp.pdf"&gt;pode se baixado clicando aqui.&lt;/a&gt;  Os resultados da pesquisa devem ser publicados em forma de livro nos próximos meses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-5228094867141121163?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/5228094867141121163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=5228094867141121163' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5228094867141121163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5228094867141121163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/10/o-crtico-da-cincia.html' title='&quot;O crítico da ciência&quot;'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-4758985987660035557</id><published>2007-10-14T11:30:00.000-02:00</published><updated>2007-10-14T11:37:45.079-02:00</updated><title type='text'>Merval Pereira: O mal-estar na América Latina (2)</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O jornal &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O Globo&lt;/span&gt; publica no domingo, 14 de outubro, a segunda parte de seu artigo a propósito da pesquisa de Coesão Social:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Apesar de ter apontado a democracia como a melhor forma de governo, uma ampla pesquisa sobre coesão social na América Latina, que integra o projeto “Bases para uma Agenda de Coesão Social em Democracia na América Latina”, financiado com recursos da União Européia, mostra que há diferenças entre concepções e valores. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso, em conjunto com a Universidade Católica do Chile e a Corporación de Estudios para Latinoamérica, também chileno, com amostra de dez mil pessoas, em seis países da América Latina: Argentina, Guatemala, Brasil, Chile, México, Colômbia e Peru. Os valores democráticos são mais fortes na Argentina e Brasil, e menores na Colômbia, Chile e Guatemala. O que as pessoas entendem por democracia, no entanto, pode variar muito de pessoa a pessoa e de país a país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas pessoas valorizam a democracia, mas não entendem que ela supõe a garantia dos direitos individuais de todas as pessoas que fazem parte dela, ressalt ao sociólogo Simon Schwartzman,  do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), que atuou na pesquisa. No Brasil e no Chile, metade dos entrevistados não crê que os criminosos têm os mesmos direitos que as pessoas honestas. A principal queixa é em relação à polícia, considerada ruim ou péssima por 30 a 40% da população, exceto no Chile.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, a maior queixa em relação à polícia ocorre no Rio de Janeiro, enquanto que em São Paulo a queixa maior é em relação às escolas públicas. A população dos países pesquisados vive insegura. Nas casas, durante o dia, 16% das pessoas se sentem inseguras; o centro das cidades é praticamente inacessível, com uma sensação de insegurança próxima de 80%. Os níveis de vitimização, ou seja, roubos e assaltos efetivamente sofridos, chegam a ser surpreendentemente altos em países como a Argentina e Chile, cujas capitais têm uma longa tradição de segurança. A pesquisa mostra que os bairros estão deteriorados, com a propriedade privada ameaçada e riscos de violência, roubos, assaltos e a presença de tráfico de drogas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, a cidade que aparece como mais insegura é Porto Alegre, acima dos níveis do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Um número significativo de respondentes, 15%, acredita que se justifica ter arma de fogo em casa para se defender. Comparado com outros países, o Brasil, e mais especialmente a cidade de São Paulo, é onde as pessoas são menos favoráveis às armas de fogo; Porto Alegre, por outro lado, se aproxima dos demais países da região, aonde a aprovação da posse de arma de fogo varia entre 30 e 40%.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O expresidente Fernando Henrique Cardoso identifica, em entrevista recente à rede de televisão inglesa BBC, que existe um mal-estar difuso na sociedade devido aos péssimos serviços prestados pelo governo, à violência e à tensão política — o que impediria um novo consenso nacional que proporcione maior coesão social.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Alguns trechos de um artigo de Joaquim Villalobos, consultor para conflitos internacionais e ex-comandante guerrilheiro em El Salvador, publicado no jornal “Clarín”, da Argentina, ajudam a entender esse “malestar” na região. Na América Latina, escreve ele, “enfrentamos o que alguns qualificam como guerra civil continental contra o crime organizado, as quadrilhas urbanas, a delinqüência comum e a violência social. A produção e o tráfico de drogas estão ligados à globalização cosmopolita, mas, em nossos países, geram fragmentação social. Esse fenômeno supera em extensão as rebeliões políticas que existiram durante a Guerra Fria, e, em proporções diferentes, afeta todos os países”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o cenário descrito, numa crítica à atuação de certos setores da esquerda na América Latina, Villalobos diz que “incentivar sistematicamente a violência de rua e deslegitimar as instituições das democracias emergentes é multiplicar a impunidade e a insegurança. A generalização da desordem ajuda os grupos criminosos e coloca a demanda por segurança acima das demandas sociais. Isto abre caminho para os autoritarismos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a popularidade de Lula continua alta, e a pesquisa reafirma o desprestígio das instituições junto à população, o sociólogo Simon Schwartzman crê que temos aí um problema para a democracia “porque é essa combinação, exatamente, que dá margem ao surgimento de governos unipessoais e autoritários, que passam por cima das instituições em nome de seu prestígio junto às massas”. A fraqueza dos partidos políticos e do Congresso, como atualmente no Brasil, facilitaria o surgimento de líderes populistas, como já ocorre na América L atina. Schwartzman lembra que “um Congresso fraco e desprestigiado é uma presa fácil de políticos que possam propor seu fechamento, ou sua substituição por uma assembléia constituinte, por exemplo, que possa criar as bases para um regime centralizado e autoritário”. Como explicar o sentimento de esperanças no futuro e desânimo no presente, em especial no Brasil, onde a redução da desigualdade está acontecendo e o nível de vida das populações mais pobres está melhorando ? Schwartzman tem uma visão nada otimista dessa realidade constatada pela EcosociAL: “As esperanças se dão no nível da vida quotidiana das pessoas, enquanto o desânimo é sobretudo em relação ao contexto mais amplo, os governos e as instituições públicas. Vale a pena notar que essas esperanças, na verdade, são bastante irrealistas, porque, mesmo nos melhores cenários, dificilmente a população brasileira terá tanta mobilidade educacional e econômica quanto as pessoas esperam”.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-4758985987660035557?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/4758985987660035557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=4758985987660035557' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4758985987660035557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4758985987660035557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/10/merval-pereira-o-mal-estar-na-amrica.html' title='Merval Pereira: O mal-estar na América Latina (2)'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-7806087025571485381</id><published>2007-10-13T15:52:00.000-03:00</published><updated>2007-10-16T17:13:34.649-02:00</updated><title type='text'>Merval Pereira: Realidade e Sonho na América Latina</title><content type='html'>&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;O jornal &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;O Globo&lt;/span&gt; de 13 de outubro publica o seguinte artigo de Merval Pereira, sobre a pesquisa ECosociAL:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;A América Latina é uma região onde a democracia se encontra fragilizada, embora a maioria das pessoas a considere a melhor forma de governo. Essa preferência não está associada, no entanto, a um apoio claro aos direitos individuais, e vem acompanhada de uma grande desconfiança em relação às instituições políticas e governamentais. Apesar de tudo, os latino-americanos são felizes, uma felicidade que não está relacionada a condições reais de bem estar, mas a experiências passadas e, sobretudo, a expectativas sobre o futuro. Esse pode ser o resumo de uma ampla pesquisa sobre coesão social na América Latina, a EcosociAL, que integra o projeto “Bases para uma Agenda de Coesão Social em Democracia na América Latina”, financiado com recursos da União Européia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisa foi realizada pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso, em conjunto com a Universidade Católica do Chile e a Corporación de Estudios para Latinoamérica, também daquele país, com amostra de dez mil pessoas, abrangendo sete países da América Latina: Argentina, Guatemala, Brasil, Chile, México, Colômbia e Peru. No Brasil, fizeram parte da amostra as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o sociólogo Simon Schwartzman, do Instituto de Estudo do Trabalho e Sociedade (IETS), que atuou no projeto, a lição da pesquisa é clara: “Existe um grande desafio para os países latino-americanos: dar maior substância aos seus regimes democráticos. E isso passa por aumentar a credibilidade de suas instituições, reduzir as incertezas e a insegurança nas grandes cidades, oferecer mais condições e oportunidades de trabalho e fazer da educação um meio efetivo de qualificação das pessoas e mobilidade social”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisa detectou que os países mais felizes são a Guatemala, onde paradoxalmente os índices de condição de vida são piores, e o Brasil. O país mais infeliz é o Peru, “talvez pela experiência recente de crises políticas e falta de perspectivas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Schwartzman, é possível especular, de muitas maneiras, sobre as causas dessa felicidade, “mas não há dúvida de que, combinada com as grandes expectativas de mobilidade, ela pode estar dando sustentação à frágil democracia e à débil coesão social latino-americana. É importante que as oportunidades reais de vida não continuem tão distanciadas, por muito tempo, das aspirações”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a pesquisa, quase metade dos entrevistados acredita que se justifica fazer uso da força para conquistar seus direitos. A pesquisa mostra que a grande maioria dos latinoamericanos confia pouco ou nada nas instituições políticas de seus países, sendo que a maior desconfiança é em relação aos partidos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em geral, existe menos desconfiança em relação ao governo nacional do que em relação às demais instituições, falta de confiança que influencia a preferência por governos fortes, embora a maioria dos que não confiem nas instituições continue preferindo a democracia. A grande maioria, 61,3% dos entrevistados em todos os países, não sente afinidade ou simpatia pelos respectivos governos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O distanciamento maior é na Guatemala, com 73,5% das pessoas sem nenhuma afinidade ou simpatia, e o menor é na Argentina, com 50,9%, seguida de perto por Brasil e Colômbia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chile e Colômbia são os países politicamente mais polarizados, com poucas pessoas indiferentes em relação ao governo, enquanto e o Brasil é o país com maior percentagem de pessoas indiferentes: 21,6%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a afinidade com os governos é baixa, a afinidade com os partidos e coalizões políticas no poder é ainda menor: somente 11% em toda a América Latina. A pesquisa mostra que ela é um pouco maior no Chile e no México, e extremamente baixa na Argentina, Brasil e Peru.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na análise de Simon Schwartzman, parte da desconfiança em relação às instituições e autoridades “pode estar associada à má qualidade dos serviços públicos que as pessoas recebem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa descrença e desconfiança se explicam, em grande parte, pela situação de insegurança e medo em que vivem as pessoas na região. Quase 80% se dizem inseguros ao andar noite no centro das cidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de 50% se sentem inseguros dentro da própria casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, as pessoas acreditam que o futuro será melhor para todos e vêem na educação dos filhos o principal caminho para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sociólogo Simon Schwartzman ressalta que pesquisa mostra principalmente “uma situação em que a população desiste da esfera pública — dos governantes, das instituições, da sociedade como um todo — e se refugia no mundo da família, do bairro e dos amigos. A pesquisa não identifica, nem no Brasil nem em outros países, com as exceções do Chile e da Guatemala, situações de polarização e conflito, mas também não identifica os elementos de coesão social e confiança na sociedade que existem nas sociedades mais desenvolvidas e dinâmicas, como as da Europa e Extremo Oriente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de existirem diferenças importantes em relação esses valores e percepções, o que mais chama a atenção para Schwartzman é que eles “são bastante semelhantes entre países e classes sociais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) já havia detectado esse ambiente na região em um livro sobre coesão social na América Latina, com a visão de vários autores que se apresentaram em seminário realizado no Panamá. A preocupação crescente com a coesão social recomenda que as políticas públicas atuem “sobre os obstáculos que impedem o avanço de uma cidadania efetiva”, com os altos índices de pobreza e a persistente concentração de renda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Diferenças raciais, de gênero, étnicas e culturais recriam hierarquias e discriminações que se expressam em desigualdades e exclusão de oportunidades econômicas", diz o estudo da Cepal. (Continua amanhã)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-7806087025571485381?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/7806087025571485381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=7806087025571485381' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7806087025571485381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7806087025571485381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/10/merval-pereira-realidade-e-sonho-na.html' title='Merval Pereira: Realidade e Sonho na América Latina'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-4372995240521775252</id><published>2007-10-08T11:59:00.000-03:00</published><updated>2007-10-08T12:22:24.792-03:00</updated><title type='text'>Ecosocial - Pesquisa sobre coesão social na América Latina</title><content type='html'>Estamos divulgando os primeiros resultados da pesquisa ECosociAL, sobre coesão social na América Latina. A pesquisa foi realizada nas principais cidades da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Guatemala, México e Peru, em um total de 10 mil entrevistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisa mostra que, nos países pesquisados, a democracia está fragilizada. Embora a maioria das pessoas ainda considere que a democracia é a melhor forma de governo, esta preferência não está associada a um apoio claro ao direitos individuais, vem acompanhada de uma grande desconfiança em relação às instituições políticas e governamentais, aos partidos políticos, aos governantes e às pessoas em geral, e quase metade dos entrevistados acredita que se justifica fazer uso da força para conquistar seus direitos. Existem diferenças importantes em relação a estes valores e percepções, mas o que mais chama a atenção é que eles são bastante semelhantes entre países e classes sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta descrença e desconfiança se explica, em grande parte, pela situação de insegurança e medo em que vivem as pessoas. O retraimento e a desconfiança em relação à sociedade mais ampla e ao sistema político é compensado, em alguns países mais do que outros, pela criação de relações locais de amizade, pela religião e pela família. Apesar de tudo, as pessoas acreditam que o futuro será melhor para todos, e vêm na educação dos filhos o principal caminho para isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lição da ECosociAL é clara. Existe um grande desafio, para os países latino-americanos, de dar mais substância ao seus regimes democráticos e ao tecido social, aumentando a credibilidade de suas instituições, reduzindo as incertezas e a insegurança da vida das pessoas nas grandes cidades, dando mais condições e oportunidades de trabalho, e fazendo da educação um meio efetivo de qualificação e formação das pessoas, mais do que uma simples quimera. É um trabalho difícil, mas não impossível, porque a população, apesar dos pesares, ainda acredita na democracia, e tem fé no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto completo desta primeira análise, com dados e algumas informações comparando as cidades de Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Salvador está &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/pub_artigos.htm"&gt;disponível aqui.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Informações mais amplas sobre o projeto e outras análises estão disponíveis n&lt;a href="http://www.ecosocialsurvey.org/inicio/index.php"&gt;o site do projeto.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-4372995240521775252?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/4372995240521775252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=4372995240521775252' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4372995240521775252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4372995240521775252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/10/ecosocial-pesquisa-sobre-coeso-social.html' title='Ecosocial - Pesquisa sobre coesão social na América Latina'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-2173442024836276335</id><published>2007-10-03T14:43:00.000-03:00</published><updated>2007-10-04T06:41:40.956-03:00</updated><title type='text'>A armadilha do HI5</title><content type='html'>Outro dia muitos de vocês receberam uma mensagem minha convidando para ser meu amigo no site de relacionamento chamado HI5. Eu, que sempre achei que era esperto em coisas de Internet, caí como um patinho. Eu recebi um convite como este de um amigo, e, na confiança como muitos de vocês, coloquei meu nome, e até uma fotografia. Quando me dei conta, o programa tinha pego toda minha lista de endereços que estava no gmail e enviado convites em meu nome. E muitos amigos aceitaram. Outros, mais desconfiados, me perguntaram antes se era isto mesmo, e se eu confirmava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo que andei averiguando, se trata de uma rede tipo Orkut, que dizem ser popular na Austália. Creio que não vão fazer mau uso dos endereços, mas,  de qualquer forma, entrei no site deles com a senha que tinha registrado e apaguei meu nome (nao é dificil, acho que é uma opção das preferencias, ou settings). Então, para os que se registraram, das três, uma. Ou continuem lá, vendo como é e aproveitem; ou saiam como eu; ou esqueçam.  E desculpem pela minha ingenuidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lado bom é que, neste processo, recebi mensagens de muitos amigos verdadeiros com quem não me comunicava há muito tempo. Então, para algo serviu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-2173442024836276335?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/2173442024836276335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=2173442024836276335' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2173442024836276335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2173442024836276335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/10/armadilha-do-hi5.html' title='A armadilha do HI5'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-4350759671257372864</id><published>2007-09-25T05:57:00.000-03:00</published><updated>2007-09-25T11:21:13.694-03:00</updated><title type='text'>Por uma nova política de educação superior</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/RvjhtL2RsNI/AAAAAAAAADQ/8fVNUDHLIUg/s1600-h/rendasup.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/RvjhtL2RsNI/AAAAAAAAADQ/8fVNUDHLIUg/s400/rendasup.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5114085543270002898" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convidado pelo PSDB, participei no dia 24 de setembro de um seminário sobre educação, aonde fiz uma apresentação que está &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/poledsup.pdf"&gt;disponível aqui,&lt;/a&gt;  e que tem a vantagem de ter somente seis páginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que houve bastante consenso entre os participantes da mesa - César Sá Barreto, Carlos Brito Cruz e Abílio Baeta Neves - exceto em um ponto, que é  o da cobrança de anuidades no ensino superior público,  como já acontece em praticamente  todo o mundo, incluindo o México, a Argentina, o Chile, a França e a China. Brito Cruz discordou, e, no encerramento, o governador José Serra também disse que era contra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um forte argmento contra esta cobrança é que ela não traria  muitos recursos, seria complicada de implantar, e criaria um enorme problema político. Por outro lado, os recursos podem ser significativos, e as universidades poderiam utilizá-los, por exemplo, em programas de apoio a estudantes efetivamente carentes,  contribuindo assim para reduzir a dupla iniqüidade da educação superior pública brasileira - o subsídio a quem não necessita, e a falta de apoio para as pessoas que necessitam não somente de gratuidade, mas de apoio financeiro para continuar estudando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o gráfico acima mostra, hoje o ensino superior público tem mais estudantes de baixa renda do que o privado, e menos pessoas de renda mais elevada. Ambos, porém, contém predominantemente estudantes de renda alta - no setor público, 30% dos estudantes vêm do décimo superior de renda familiar, e 53% dos dois décimos superiores, contra somente 2% dos dois décimos inferiores. No setor privado, as proporções são de 38%, 64% e 1.2%, respectivamente. Os mais ricos estão começando a emigrar da educação pública  para a privada, como aconteceu anos atrás com a educação média; mas ambos os setores continuam predominante ocupados por estudantes de famílias de renda mais alta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou de acordo que existem muitas outras questões prioritárias no ensino superior, como a busca de excelência acadêmica, a qualidade da educação superior de massas, a diferenciação institucional, a avaliação, etc. Mas a introdução do princípio do pagamento serviria para deixar claro que a educação superior pública não é um beneficio que a sociedade deve aos estudantes, mas um privilégio que deve ser correspondido com senso de responsabilidade e retribuição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-4350759671257372864?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/4350759671257372864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=4350759671257372864' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4350759671257372864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4350759671257372864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/09/por-uma-nova-poltica-de-educao-superior.html' title='Por uma nova política de educação superior'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/RvjhtL2RsNI/AAAAAAAAADQ/8fVNUDHLIUg/s72-c/rendasup.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-179292382879089517</id><published>2007-09-20T08:32:00.000-03:00</published><updated>2007-09-22T08:17:52.432-03:00</updated><title type='text'>O crescimento do ensino superior e as mudanças nos salários dos professores</title><content type='html'>A PNAD 2006 mostra um extraordinário aumento de 12% do número de pessoas estudando em cursos de graduação no Brasil em relação ao ano anterior – de 4.684.653 para 5.262.568, um aumento de 578 mil estudantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui olhar mais de perto o que teria acontecido, e encontrei algumas coisas interessantes. A primeira é que o aumento se deu sobretudo no setor privado, 14%, contra 7% no setor público. Com isto, a proporção de estudantes no setor privado cresceu de 75.1% para 76.3%. Depois, este aumento se deu sobretudo nas faixas de renda mais alta: 17% na faixa de 2 a 3 salários mínimos, 25% na faixa de 3 a 5 salários, e 21% na faixa de mais de 5 salários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro dado é que, em 2005, haviam 316 mil estudantes que eram professores de nível fundamental e médio, e, em 2006, 611 mil, quase o dobro. É aí, principalmente, que está o crescimento, e há uma razão clara para isto, o grande aumento da renda dos professores estaduais e municipais neste período: 20,1% nos estados, e 16,2% nos municípios. Enquanto isto, a renda dos professores no setor privado caiu em média em 4.3%, e seu valor, de 1.237,06 reais, é hoje inferior ao dos professores estaduais, de 1.511,30 (renda média de todos os trabalhos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes aumentos devem estar associados à obtenção dos títulos de nível superior, e os professores ainda sem qualificação estão entrando em grande número nas faculdades privadas para obter seus títulos. Resta saber se, com isto, a qualidade do ensino que os alunos recebem também vai melhorar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-179292382879089517?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/179292382879089517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=179292382879089517' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/179292382879089517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/179292382879089517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/09/o-crescimento-do-ensino-superior-e-as.html' title='O crescimento do ensino superior e as mudanças nos salários dos professores'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-4160376053133578578</id><published>2007-09-19T22:51:00.000-03:00</published><updated>2007-09-19T23:02:31.307-03:00</updated><title type='text'>O impacto da ampliação da bolsa família para os jovens (2)</title><content type='html'>A publicação dos dados da PNAD 2006 permite uma análise mais fina do possível impacto da anunciada ampliação da  bolsa família para jovens de 16 e 17 anos (antes, eu tinha feito uma primeira análise com os dados de 2005).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora, o auxílio era dado para todas as famílias que tenham até 60 reais de renda familiar per capita, e para famílias com filhos até 15 anos que tenham renda familiar per capita de até 120 reais.  O auxílio para cada família é de 60 reais mensais, mais 15 reais por até três filhos. Com a constatação que o programa estava mal focalizado do ponto de vista da educação, porque a grande maioria das crianças até 15 anos está na escola de qualquer maneira,  o governo anunciou que vai ampliar o auxílio também para famílias com jovens de 16 e 17 anos. Há ainda a promessa de aumentar estes valores, mas eles foram utilizados aqui para estes cálculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O tamanho do problema.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil tem hoje cerca de 7 milhões de jovens de 16 e 17 anos de idade,  dos quais 5.5 milhões estudam, e 1.5 milhões não.. Dos que estudam, 1.7 milhões trabalham, e outros 570 mil dizem que estão buscando trabalho. Dos 1.5 milhões que não estudam, 620 mil também não trabalham. Dos 5.5 milhões que estudam, 1.6 milhões estão ainda no ensino básico, o que significa que têm grandes chances de não completar sua educação. O problema, portanto, é fazer com que os 1.5 milhões for a da escola completem sua educação, e que os 1.6 milhões que estão atrasados não fiquem pelo caminho. Pouco mais de 3 milhões precisando de alguma política educativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O tamanho da solução&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos destes poderiam se beneficiar da ampliação da bolsa família?  Para estimar isto, é necessário eliminar as famílias que têm mais de 120 reais mensais de renda familiar per capita;  e também as famílias com menos de 60 reais mensais, porque já se qualificam para a bolsa de qualquer maneira. Além disto, se a família tiver um outro filho em casa de até 15 anos, ela já se qualifica, e a inclusão do jovem de 16 e 17 anos vai acrescentar somente 15 reais mensais à família, isto se ela já não ver três filhos estudando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazendo todas estas eliminações, chegamos a um total de 318  mil jovens e suas famílias. Destes, 179 mil estudam, e, entre os que estudam, 45 mil trabalham, o que mostra que o trabalho não é necessariamente um impedimento para o estudo. Dos 138 mil que não estudam, 38 mil trabalham, e 28 mil buscam trabalho; 80 mil não fazem nada. Dos que estudam, 90 mil estão ainda no ensino fundamental, e mais 30 mil na primeira série do ensino médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na melhor das hipóteses, pois, a ampliação do programa para jovens de 16 e 17 anos poderia trazer de volta à escola 130 mil jovens, e apoiar outros 80 ou 90 mil em risco de abandonar por excesso de atraso escolar – menos de 10% do grupo alvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto supondo, naturalmente, que a bolsa seria suficiente para que eles de fato voltassem à escola. A renda média dos que estudam, trabalham e têm remuneração é de 104 reais mensais; a dos que trabalham e não estudam, 150 reais, ou metade, aproximadamente, da renda familiar (são famílias pequenas, que não têm outros filhos menores), e dificilmente eles trocariam seu trabalho por uma bolsa de metade do valor, E supondo, também que o atraso ou o abandono da escola se deva à necessidade de trabalhar, coisa que o grande número de estudantes que estudam e trabalham, assim como o de jovens que nem estudam nem trabalham, mostra que está longe de ser verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não custa repetir: a principal causa do abandono escolar é a má qualidade da escola, e sua incapacidade de dar aos jovens, principalmente os mais pobres, conhecimentos e competências que lhes interessem e que eles possam assimilar. Nada contra dar  uma pequena bolsa a 318 mil famílias necessitadas. Mas isto não tem nada a ver com educação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-4160376053133578578?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/4160376053133578578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=4160376053133578578' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4160376053133578578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4160376053133578578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/09/o-impacto-da-ampliao-da-bolsa-famlia.html' title='O impacto da ampliação da bolsa família para os jovens (2)'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-5240084859084324529</id><published>2007-09-16T09:32:00.000-03:00</published><updated>2007-09-16T09:42:38.227-03:00</updated><title type='text'>O Napoleãozinho de Campinas</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Mandarim - História da Infância da Unicamp,&lt;/span&gt; do jornalista Eustáquio Gomes, publicado em 2006 pela própria Universidade, é sobretudo a história dos mandos e desmandos de seu fundador, Zeferino Vaz, que havia sido antes interventor na Universidade de Brasília e, antes ainda, fundador da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto. O livro é bem escrito, baseado em depoimentos e documentos internos da Universidade, e um excelente exemplo do que pode e não pode fazer um ditador. Entre 1966 e 1978, Zeferino Vaz fez o que quis na UNICAMP, navegando nas águas turvas da ditadura militar, exibindo quando necessário suas credenciais de anti-comunista militante,  defendendo e até tirando da cadeia ¨seus comunistas¨, e manobrando todo o tempo para tirar do caminho as pessoas que questionavam seu poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeferino tinha uma qualidade, que era haver entendido desde cedo que  ¨instituições científicas, universitárias ou isoladas, constroem-se com cérebros e não com edifícios¨. Curiosamente, o livro não diz nada sobre o que Zeferino Vaz fez em sua própria área, de medicina e zoologia. Nas outras áreas, que não conhecia diretamente, buscou nomes de grande prestígio e reputação, trazendo para Campinas e dando total apoio a alguns cientistas brilhantes que haviam feito seu nome no exterior, especialmente Sérgio Porto, Rogério Cerqueira Leite, que criaram a nova área de física do estado sólido, e a grande estrela que era César Lattes, que permaneceu isolado. Na área das ciências sociais e humanas, começou, não se sabe por quê, entregando-a um obscuro professor de filosofia fenomenológica, que foi um desastre; em economia, optou por fazer da universidade a continuadora da tradição da CEPAL, então na moda na América Latina; e descobriu depois que, com o fim da ditadura que já se pressentia, era dos sociólogos marxistas que precisava, desde que não fizessem política nem se confrontassem com ele. Em 1975, promoveu um grande seminário internacional estrelado pelo historiador marxista Eric Hobsbaum que deu à universidade da ditadura uma áurea de centro avançado de pensamento de esquerda, preparada para os anos que viriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparada com a criação da USP trinta anos antes, que foi buscar nos centros universitários europeus os melhores talentos, chama a atenção o provincianismo do projeto da Unicamp, aonde o único estrangeiro de renome, que estava lá por acaso, era o geneticista Gustav Brieger, que cedo se indispôs com Zeferino e acabou se afastando. Zeferino entendia que sem cérebros não se constrói uma universidade, mas nunca entendeu ou aceitou que estes cérebros formam comunidades de pessoas ativas e pensantes, sem cuja participação as instituições não  têm como crescer e fortalecer. O livro é rico de documentos que mostram as brigas por poder na Universidade, mas nada que mostre a existência de deliberações e consultas sobre programas, prioridades, e política de recursos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro também vale pelas fofocas que revelam o estilo e o caráter de muitos personagens que ainda estão entre nós – mas isto fica para o juízo pessoal de cada um.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-5240084859084324529?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/5240084859084324529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=5240084859084324529' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5240084859084324529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5240084859084324529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/09/o-napoleozinho-de-campinas.html' title='O Napoleãozinho de Campinas'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-8330595523626190030</id><published>2007-09-10T21:21:00.000-03:00</published><updated>2007-09-10T21:38:34.659-03:00</updated><title type='text'>Juventude, educação e emprego no Brasil</title><content type='html'>O último número dos &lt;a href="http://www.adenauer.org.br/caderno.asp"&gt;Cadernos Adenauer&lt;/a&gt;, publicação da Fundação Konrad Adenauer, tem o título de Geração Futuro, e inclui vários artigos sobre a juventude brasileira, inclusive um de Maurício Blanco Cossio e meu, sobre juventude, educação e emprego, que está &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/pub_artigos.htm"&gt;disponível em versão original aqui.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto de partida foi a constatação de que,  nos últimos anos, tem havido muitas iniciativas e programas para aumentar a empregabilidade e o nível de remuneração dos jovens que já estão ocupados, mas estas iniciativas, em geral, não têm tido bons resultados. O desemprego entre os jovens é significativamente alto quando comparado com o resto da população economicamente ativa, e está aumentando, sobretudo entre aqueles com baixa escolaridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A principal dificuldade tem sido superar o círculo vicioso entre um nível educacional baixo – provocado principalmente pelo abandono escolar e as altas taxas de repetência – e as condições socioeconômicas precárias enfrentadas por esta faixa populacional. É muito freqüente a afirmação de que as altas taxas de evasão entre jovens de baixa renda são causadas pela necessidade dos jovens de se inserir prematuramente no mercado de trabalho. A solução derivada deste raciocínio é aparentemente óbvia: programas condicionais de renda mínima, que incentivem as famílias a fazer com que os seus filhos permaneçam na escola.&lt;br /&gt;Os resultados destes programas, no entanto, tem sido decepcionantes. No Brasil, como em outros países, estes programas podem resultar em um pequeno aumento da freqüência escolar entre setores sociais de renda mais baixa, mas não mostram resultados detectáveis na melhoria do desempenho escolar, nem na redução das taxas de abandono e repetência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dados nos permitem questionar a idéia de que o baixo nível educacional dos jovens é apenas produto das suas condições socioeconômicas, que explicaria a entrada prematura ao mercado de trabalho de milhões de jovens brasileiros, provocando por sua vez desemprego e baixas remunerações. Ao contrário, o que argumentamos  é que o problema principal se encontra no interior do sistema educacional e, que este problema incide, principalmente, nos jovens pobres e, em conseqüência, nas suas oportunidades de encontrar melhores empregos. É devido à educação deficiente que as crianças pobres enfrentam maiores dificuldades e altas taxas de repetência desde os primeiros anos da escola, o que incide, posteriormente, no alto grau de evasão escolar, fazendo com que ingressem ao mercado de trabalho sem condições adequadas.  Se isto é verdade, então o trabalho fundamental para romper o círculo vicioso da má educação e trabalho precário e mal remunerado precisa ser feito junto ao sistema escolar, e não no mercado de trabalho, e nem por subsídios à demanda por educação, embora políticas específicas nestas áreas possam também ter seu lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-8330595523626190030?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/8330595523626190030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=8330595523626190030' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8330595523626190030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8330595523626190030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/09/juventude-educao-e-emprego-no-brasil.html' title='Juventude, educação e emprego no Brasil'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-7146072619828536586</id><published>2007-08-31T00:37:00.000-03:00</published><updated>2007-08-31T01:50:19.593-03:00</updated><title type='text'>Bolsa família para jovens de 15 a 17 anos: vai funcionar?</title><content type='html'>Em 2004 fiz uma &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/2006_Bolsaesc.pdf"&gt;análise dos dados da PNAD/IBGE dos beneficiados com programas de bolsa escola,&lt;/a&gt; e mostrei que havia um erro grave de focalização: a bolsa era para famílias com crianças até 15 anos, mas a deserção escolar só ocorria, de forma mais significativa, a partir dos 15 anos de idade. Outros estudos mostraram a mesma coisa, e agora, finalmente, o governo resolveu ampliar a bolsa para famílias com jovens de 15 a 17 anos. Será que vai resolver?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tabela abaixo, extraída da PNAD 2005, mostra que, dos 3.1 milhões de jovens de 15 a 17 anos em famílias de renda familiar per capita inferior a 120 reais por mês, que é o critério do programa,  75% estuda, e não precisa da bolsa. Dos que não estudam, 42% trabalham e ganham em média 75 reais por mês, que é aproximadamente o que sua familia receberia se já não estivesse recebendo a bolsa por causa de filhos menores (60 reais para a familia e mais 15 por estudante, até 3 por familia).  Existem 105 mil que estão buscando trabalho, e  outros  359 mil que não trabalham nem estudam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/RteOUrbNJ-I/AAAAAAAAAC0/ALiird1zkig/s1600-h/bolsa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/RteOUrbNJ-I/AAAAAAAAAC0/ALiird1zkig/s400/bolsa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5104705188553107426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que 25% destes jovens fazem parte de familias de 4  ou mais filhos, e por isto já recebem pelo teto do programa, e mais 50% estão em famílias de 2 e 3 filhos, e poderiam receber no máximo um adicional de 15 reais. Sobram um quarto, ou 200 mil jovens  que não estudam e cujas familias poderiam receber o auxilio de 75 reais. Outras 595 mil familias poderiam também receber, cujos filhos já estão na escola de qualquer maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trazer de volta à escola 200 mil jovens seria importante, mas a grande dúvida é se eles realmente estão fora da escola por falta de dinheiro. Os dados mostram que só metade deste grupo de 800 mil jovens de familias pobres trabalha ou busca trabalho; por outro lado, existem 732 mil jovens de renda semelhante que trabalham e nem por isto deixam de estudar. Existem fortes razões para acreditar que os que abandonam a escola o fazem por que não conseguem aprender e acompanhar os cursos, dada a forte e conhecida relação entre nível socioeconomico, educação das famílias, e desempenho escolar dos filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reconhecimento, embora tardio, que o grupo alvo da política de reter os jovens na escola deve ser o da faixa de 15 a 17 anos é importante; mas o remédio, claramente, não é a bolsa familia, e sim o caminho mais difícil e trabalhoso de melhorar a qualidade das escolas públicas e torná-las atrativas e proveitosas para os jovens que as freqüentam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-7146072619828536586?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/7146072619828536586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=7146072619828536586' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7146072619828536586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7146072619828536586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/08/bolsa-famlia-para-jovens-de-15-17-anos.html' title='Bolsa família para jovens de 15 a 17 anos: vai funcionar?'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/RteOUrbNJ-I/AAAAAAAAAC0/ALiird1zkig/s72-c/bolsa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-384238194629750005</id><published>2007-08-28T08:16:00.000-03:00</published><updated>2007-08-28T08:22:50.135-03:00</updated><title type='text'>A invasão da Reitoria da USP</title><content type='html'>O Boston College Center for International Education tem uma publicação denominada &lt;a href="http://www.bc.edu/bc_org/avp/soe/cihe/newsletter/Number48/p16_Schwartzman.htm"&gt;International Higher Education &lt;/a&gt;que, no número 48, do verão de 2007, publicou um pequeno texto meu sobre a invasão da reitoria da USP, escrito ao final de maio deste ano. Para quem tiver interesse, a versão original do texto está disponível &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/2007usp.pdf"&gt;aqui.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-384238194629750005?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/384238194629750005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=384238194629750005' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/384238194629750005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/384238194629750005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/08/invaso-da-reitoria-da-usp.html' title='A invasão da Reitoria da USP'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-8526301587222108273</id><published>2007-08-26T10:33:00.001-03:00</published><updated>2007-08-26T10:45:53.836-03:00</updated><title type='text'>A obrigação de ensinar sociologia e filosofia na escola</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O jornal &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O Estado de São Paulo&lt;/span&gt; me pediu que escrevesse uma nota sobre o tema da obrigação de ensinar sociologia e filosofia na escola, em uma sessão  denominada "a questão é", no Caderno Aliás, na edição de 29/08/07. Eu opiniei contra, e tem lá um comentário a favor. O meu comentário foi o seguinte:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de que os jovens, na escola, aprendam sociologia e filosofia, pode ser importante, assim como é importante que eles aprendam economia, direito, antropologia, estatística, demografia, psicologia, ecologia, genética e epidemiologia, além do que já é, por tradição, obrigatório - física, quimica, biologia, história, geografia, inglês, matemática, português, artes, literatura,&lt;br /&gt;educação física. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tantas matérias, os programas são superficiais, os professores muitas vezes não entendem o que ensinam, os alunos estudam para passar e esquecem no dia seguinte o que decoraram para as provas ou vestibulares. Nos países em que a educação média é de qualidade, todos os estudantes aprendem bem a  ler a a usar a matemática, e se aprofundam em algumas áreas ou temas, conforme seus interesses e o que as escolas conseguem oferecer. Ao invés de incluir mais e mais matérias obrigatórias, o que se faz é tornar os cursos mais flexíveis, para que os estudantes possam realmente se educar e aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Introduzir mais cursos obrigatórios é tornar os currículos mais rígidos e mais burocráticos, sem nenhuma garantia de que os alunos vão ganhar algo com isto. Por que sociologia e filosofia, e não economia, direito ou antropologia? Além do mais, como estas áreas são controversas, e a maioria dos cursos superiores brasileiros nestas áreas não são bons, o mais provável é que ensino acabe sendo dado por professores sem a mínima condição de transmitir aos alunos os conteúdos realmente ricos e interessantes que a filosofia e sociologia podem ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obrigatoriedade destas disciplinas foi uma vitória dos sindicatos de sociólogos e de professores de fiosofia, que ganharam assim empregos garantidos para os que têm estes diplomas.  Bom para eles, mas um retrocesso a mais no péssimo ensino médio que temos no país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-8526301587222108273?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/8526301587222108273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=8526301587222108273' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8526301587222108273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8526301587222108273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/08/obrigao-de-ensinar-sociologia-e.html' title='A obrigação de ensinar sociologia e filosofia na escola'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-7566588238188869573</id><published>2007-08-06T21:58:00.000-03:00</published><updated>2007-08-06T22:17:31.296-03:00</updated><title type='text'>Politicas sociais e reformas educacionais</title><content type='html'>Quais são os novos desafios para as políticas sociais na América Latina?  No próximo dia 8 de agosto estarei falando sobre isto no “&lt;a href="http://www.fjp.mg.gov.br/escoladegoverno/forum/programacao.html"&gt;Forum Latinoamericano de Políticas Sociais&lt;/a&gt;”, que a Escola de Governo da Fundação João Pinheiro está promovendo. Fala-se muito de uma “nova geração de políticas sociais”, que substituiriam as mais antigas, e que seriam representadas sobretudo pelos novos programas de transferência de renda como o Bolsa Familia e seus similares em outros países. O que pretendo dizer é que, na verdade, precisamos fazer bem as coisas mais antigas que nunca fizemos: desenvolver um Estado profissional e competente, regular a relações entre o setor público, o setor empresarial e as organizações da sociedade civil, e tratar as políticas sociais, sobretudo na educação. como investimento na capacitação do país, e não, simplesmente, como distribuição de benefícios. O problema, claro, é como chegar lá, e infelizmente, não tenho uma fórmula mágica para isto. O texto preliminar de minha apresentação está &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/polsoc.pdf"&gt;disponível  aqui.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 13 estarei em Brasilia, participando do primeiro de uma série de três seminários internacionais organizados pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara de Deputados sobre “&lt;a href="http://www.educacaoseculoxxi.com.br/"&gt;A Educação no Século XXI: modelos de sucesso”&lt;/a&gt;. A grande pergunta é porque não conseguimos sair do atoleiro da educação de má qualidade, enquanto outros países, a partir de condições semelhantes às nossas, tiveram muito mais sucesso. A primeira sessão tratará das reformas da Irlanda e Coréia, que são grandes casos de sucesso, e a mim me tocou falar sobre o Chile, que tem uma história muito interessante de políticas educacionais audaciosas, mas sem conseguir ainda os resultados dos demais. A idéia básica, aqui, novamente, é que é preciso fazer bem aquilo que outros países já fazem: definir com clareza os conteúdos que os estudantes devem aprender, formar bem os professores, para que saibam o que  e como ensinar, e avaliar permanentemente o trabalho das escolas, incentivando os bons resultados e ajustando o percurso quando necessário. A versão preliminar de meu texto está &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/paperChile.pdf"&gt;disponível aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-7566588238188869573?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/7566588238188869573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=7566588238188869573' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7566588238188869573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7566588238188869573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/08/politicas-sociais-e-reformas.html' title='Politicas sociais e reformas educacionais'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-3750440264407895464</id><published>2007-07-09T05:07:00.000-03:00</published><updated>2007-07-09T05:15:51.243-03:00</updated><title type='text'>Ronald Levinsohn: o melhor emprego do mundo</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Creio que os leitores de seu blog gostarão de conhecer as vantagens do &lt;br /&gt;melhor emprego do mundo: Procurador da República:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; 1- 12.000 dólares de salário afora as vantagens;&lt;br /&gt; 2- Não tem despesa de escritório e se forem para Brasília a casa é de&lt;br /&gt;graça;&lt;br /&gt; 3- Não têm chefe, nem subordinados;&lt;br /&gt; 4- Não são empregadores, portanto não sabem o que é pagar encargo social;&lt;br /&gt; 5- são inamovíveis e vitalícios;&lt;br /&gt; 6- Não ganham por produtividade e trabalhando ou não o salário é o mesmo,&lt;br /&gt;sendo irredutível;&lt;br /&gt; 7- Não tem legitimação popular, mas dizem agir em nome do povo e sociedade;&lt;br /&gt; 8- Não têm horário, nem cartão de ponto;&lt;br /&gt; 9- Vivem viajando de graça, somente de avião, quase sempre 1a. classe;&lt;br /&gt; 10- Não pegam fila em aeroporto;&lt;br /&gt; 11- Mandam na Polícia Federal;&lt;br /&gt; 12- Não têm mandato;&lt;br /&gt; 13- Somente eles podem acionar juízes;&lt;br /&gt; 14- Nada pagam em congressos, seminários, cursos e etc;&lt;br /&gt; 15- Andam de carro oficial;&lt;br /&gt; 16- Para demiti-los o processo é mais difícil do que eleição de papa;&lt;br /&gt; 17- Não respondem por seus atos que causem danos  a terceiros.&lt;br /&gt; 18- Podem usar seus cargos em proveito de suas ideologias perseguindo e&lt;br /&gt;difamando os adversários.&lt;br /&gt; 19- Todo o mundo têm medo deles, juizes, jornalistas, políticos, advogados&lt;br /&gt;e empresários...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-3750440264407895464?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/3750440264407895464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=3750440264407895464' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3750440264407895464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3750440264407895464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/07/ronald-levinsohn-o-melhor-emprego-do.html' title='Ronald Levinsohn: o melhor emprego do mundo'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-1603570251681615534</id><published>2007-07-06T06:55:00.000-03:00</published><updated>2007-07-06T07:02:44.807-03:00</updated><title type='text'>Samuel Pessoa: reforma política e corrupção</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Escreve Samuel Pessoa, economista da Fundação Getúlio Vargas:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de compartilhar consigo meu posicionamento sobre o tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um primeiro momento sinto-me como as pessoas do grupo dos panglossianos. Acho, de fato, que nosso sistema político funciona melhor do que imaginamos e tenho muito receito que ao tentar melhorar o sistema acabemos reformando em direções ruins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos maiores problemas que vejo é que várias pessoas desejam ou defendem uma reforma política com a finalidade de reduzir a corrupção. Parece-me que se há um problema é melhor atacar a fonte principal do problema. A fonte primária da corrupção não é nosso sistema político mas sim nosso sistema jurídico. Há duas características que reduzem a praticamente zero a possibilidade de um corrupto ser punido. Primeiro, há uma quantidade imensa de recursos e, adicionalmente, o escopo do recurso é total (isto é, qualquer ato processual pode ser objeto de recurso). Segundo, a enorme complexidade processual faz com que seja quase impossível existir um processo sem que haja algum erro processual de sorte que as pendências acabam inválidas antes que elas sejam julgadas no mérito. Finalmente, é possível que haja um terceiro fator, que é a inexistência, pelo menos na prática, do princípio da razoabilidade da evidência (ou da prova). Isto é, quando se acumula um conjunto suficientemente grande de evidência numa direção inverte-se o ônus da prova. Esse deveria ser o princípio ao menos no processo civil (nos EUA esse princípio é aplicado mesmo em processo penal). No entanto, a impressão que tenho é que essa inversão de ônus da prova que ocorre em outros sistemas jurídicos em função do princípio da razoabilidade da prova (beyond any reasonable doubt) é encarada pelos juristas brasileiros como um atentado ao princípio de presunção da inocência. Se não mexermos nesses aspectos do funcionamento do nosso código de processos acredito ser muito difícil reduzir a corrupção com a reforma política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, se acredito que redução da corrupção depende essencialmente da reforma do judiciário, para quê reforma política? Evidentemente para reduzir a fragmentação do legislativo de sorte a produzir maiorias mais estáveis. Em segundo lugar reduzir o custo da política. Gostaria de atingir ambos os objetivos mexendo o mínimo no sistema atual de sorte a manter suas virtudes. Quando se trata de mudança institucional sou muito conservador. Penso que em geral quando avaliamos custos e benefícios de uma nova instituição somos tentados a superestimar os benefícios da alternativa (e subestimar os custos) e a subestimar os benefícios do status quo (e a superestimar os custos). Dessa forma penso que o processo de evolução institucional deve ser incremental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho muito medo com voto distrital unimodal – uma maioria frágil poderia alterar radicalmente as instituições. Não me parece apropriado para uma sociedade tão heterogenia quanto a brasileira. Distrital misto parece-me um franktein que não tem funcionado muito bem onde foi adotado. Atemoriza-me a lista fechada. Penso que uma mudança simples seria reduzir o distrito eleitoral. Poder-se-ia considerar que o máximo permitido para um distrito eleitoral seria de oito deputados. Os estados menores que tem somente oito deputados continuariam da forma como estão. Os estados maiores seriam divididos em distritos – na proporção da população – de no máximo oito deputados. Por exemplo, São Paulo teria uns dez distritos de sete deputados cada. Dentro de cada distrito manteríamos o modelo atual: voto proporcional com lista aberta. Cada indivíduo somente poderia candidatar-se em um distrito eleitoral. Essa medida reduziria o custo da campanha e funcionaria como uma cláusula de barreira reduzindo a fragmentação partidária. Segundo Lijphart no seu “Modelos de democracia” (página 179) distritos de 8 deputados corresponde a uma cláusula de barreira de aproximadamente 10% (relativamente elevada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me parece interessante nessa proposta é que ela muda em muito pouco nossa prática eleitoral e não tenta repactuar a representação legislativa entre os estados o que me parece ainda muito difícil além de não ser a fonte dos maiores problemas de nossa democracia (apesar de ser uma fonte de injustiça representativa, evidentemente). Com relação a fidelidade partidária acho que deveria ser uma opção do partido. Não gosto de uma proibição ao troca-troca de partidos. Prefiro que se reduza o estímulo a que as pessoas alterem de partido. Finalmente, acredito que poderíamos evoluir numa melhor normatização do financiamento, tornando crime o caixa dois – recentemente rebatizado de “recursos não contabilizados” – e impedindo que empresas prestadoras de serviço ao estado contribuam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-1603570251681615534?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/1603570251681615534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=1603570251681615534' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/1603570251681615534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/1603570251681615534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/07/samuel-pessoa-reforma-poltica-e-corrupo.html' title='Samuel Pessoa: reforma política e corrupção'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-3402703948815856207</id><published>2007-07-04T07:17:00.001-03:00</published><updated>2007-07-04T07:53:24.640-03:00</updated><title type='text'>Jhonatan Pereira de Souza: A Reforma Política e o Parto da Montanha</title><content type='html'>Jhonatan Pereira de Souza, da Escola de Formação de Governantes do Maranhão, enviou um texto bastante didático sobre as diferentes propostas de reforma política que estão sendo discutidas no momento - voto distrital, voto em listas, financiamento público de campanhas, fidelidade partidária - que estou &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/blog/ENFOQUE06ReformaPolitica.pdf"&gt;disponibilizando aqui.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ele diz, essencialmente, é que as reformas são importantes e necessárias, mas que dificilmente este congresso que está aí vai levá-las à frente.  O que levanta uma questão mais ampla, já &lt;a href="http://sschwartzman.blogspot.com/2005/06/roberto-jefferson-tica-de-don-corleone.html"&gt;discutida aqui tempos atrás&lt;/a&gt;, no auge da crise do mensalão: faz sentido insistir no tema da reforma política e dos limites à corrupção, na situação em que vivemos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ouvimos em volta, encontramos três tipos de resposta a esta questão. Uma é a dos panglossianos, a turma de Candide: o sistema político brasileiro funciona muito bem, é aberto e democrático, nossos políticos são a cara do nosso povo, sempre existiu corrupção, claro,  mas insistir nisto não passa de udenismo requentado. A outra é dos realistas conformados: nosso sistema democrático é uma porcaria, mas, com a pobreza e a má qualidade da educação da maioria dos brasileiros, não é possível ter nada muito diferente. A solução é tapar o nariz e acreditar que daqui a cinquenta ou cem anos tudo estará melhor, o Brasil é o país do futuro. A terceira, da qual participo, é que é necessário melhorar as instituições políticas que temos agora, e, embora difícil, isto não é impossível, na medida em que a opinião pública se mobilize para isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da dificuldade política de fazer com que este congresso faça qualquer coisa que não seja em causa própria, existe o fato de que muitas soluções que se apresentam  correm o risco de ser logo corrompidas e deturpadas. A eleição em lista afasta ainda mais os eleitores dos eleitos, e fortalece as máquinas partidárias; o financiamento público das campanhas seria um enorme desperdício de dinheiro, e nenhuma garantia contra a corrupção; o voto distrital esbarra na barreira de como desenhar os distritos, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é possível começar pelas coisas menos controversas, e ir avançando: exigir a fidelidade partidária, acabando com a troca-troca de partidos; reestabelecer as cláusulas de barreira; introduzir o voto distrital aos poucos, começando pelas câmaras de vereadores; e ir mudando as regras de proporcionalidade, para que o voto de um maranhense ou acreano não continue valendo tanto mais do que o voto de um paulista, como ocorre hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-3402703948815856207?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/3402703948815856207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=3402703948815856207' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3402703948815856207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3402703948815856207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/07/jhonatan-pereira-de-souza-reforma.html' title='Jhonatan Pereira de Souza: A Reforma Política e o Parto da Montanha'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-5254505804929173403</id><published>2007-07-02T21:14:00.000-03:00</published><updated>2007-07-02T21:22:12.053-03:00</updated><title type='text'>Pagando para passar</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como as taxas de repetência no Brasil parecem estar piorando, começaram a surgir propostas de pagar aos estudantes para que eles melhorem seu desempenho. Assim, a bolsa escola, ao invés de ser paga mensalmente, teria uma parte que ficaria como prêmio no final do ano, para quem passasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os americanos já tentaram isto, e não deu certo. Vejam abaixo a matéria recente do New York Times, distribuida na lista do chileno/americano Gregory Elacqua, que explica por quê.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NYTimes&lt;br /&gt;July 2, 2007&lt;br /&gt;Op-Ed Contributor&lt;br /&gt;Money for Nothing&lt;br /&gt;By BARRY SCHWARTZ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philadelphia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NEW YORK CITY has decided to offer cash rewards to some students based on their attendance records and exam performance. Diligent, high-achieving seventh graders will be able to earn up to $500 in a year. The plan is the brainchild of Roland G. Fryer, an economist who has been appointed as “chief equality officer” of the city’s Department of Education.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The assumption that underlies the project is simple: people respond to incentives. If you want people to do something, you have to make it worth their while. This assumption drives virtually all of economic theory.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sure, there are already many rewards in learning: gaining understanding (of yourself and others), having mysterious or unfamiliar aspects of the world opened up to you, demonstrating mastery, satisfying curiosity, inhabiting imaginary worlds created by others, and so on. Learning is also the route to more prosaic rewards, like getting into good colleges and getting good jobs. But these rewards are not doing the job. If they were, children would be doing better in school.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The logic of the plan reveals a second assumption that economists make: the more motives the better. Give people two reasons to do something, the thinking goes, and they will be more likely to do it, and they’ll do it better, than if they have only one. Providing some cash won’t disturb the other rewards of learning, rewards that are intrinsic to the process itself. They will only provide a little boost. Mr. Fryer’s reward scheme is intended to add incentives to the ones that already exist.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Unfortunately, these assumptions that economists make about human motivation, though intuitive and straightforward, are false. In particular, the idea that adding motives always helps is false. There are circumstances in which adding an incentive competes with other motives and diminishes their impact. Psychologists have known this for more than 30 years.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In one experiment, nursery school children were given the opportunity to draw with special markers. After playing, some of the children were given “good player” awards and others were not. Some time later, the markers were reintroduced to the classroom. The researchers kept track of which children used the markers, and they collected the pictures that had been drawn. The youngsters given awards were less likely to draw at all, and drew worse pictures, than those who were not given the awards.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Why did this happen? Children draw because drawing is fun and because it leads to a result: a picture. The rewards of drawing are intrinsic to the activity itself. The “good player” award gives children another reason to draw: to earn a reward. And it matters — children want recognition. But the recognition undermines the fun, so that later, in the absence of a chance to earn an award, the children aren’t interested in drawing.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Similar results have been obtained with adults. When you pay them for doing things they like, they come to like these activities less and will no longer participate in them without a financial incentive. The intrinsic satisfaction of the activities gets “crowded out” by the extrinsic payoff.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;An especially striking example of this was reported in a study of Swiss citizens about a decade ago. Switzerland was holding a referendum about where to put nuclear waste dumps. Researchers went door-to-door in two Swiss cantons and asked people if they would accept a dump in their communities. Though people thought such dumps might be dangerous and might decrease property values, 50 percent of those who were asked said they would accept one. People felt responsibility as Swiss citizens. The dumps had to go somewhere, after all.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But when people were asked if they would accept a nuclear waste dump if they were paid a substantial sum each year (equal to about six weeks’ pay for the average worker), a remarkable thing happened. Now, with two reasons to say yes, only about 25 percent of respondents agreed. The offer of cash undermined the motive to be a good citizen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It is as if, when asked the question, people asked themselves whether they should respond based on considerations of self-interest or considerations of public responsibility. Half of the people in the uncompensated condition of the study thought they should focus on their responsibilities. But the offer of money, in effect, told people that they should consider only their self-interest. And as it turned out, through the lens of self-interest, even six weeks’ pay wasn’t enough.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviously, the intrinsic rewards of learning aren’t working in New York’s schools, at least not for a lot of children. It may be that the current state of achievement is low enough that desperate measures are called for, and it’s worth trying anything. And we don’t know whether in this case, motives will complement or compete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But it is plausible that when students get paid to go to class and show up for tests, they will be even less interested in the work than they would be if no incentives were present. If that happens, the incentive system will make the learning problem worse in the long run, even if it improves achievement in the short run — unless we’re prepared to follow these children through life, giving them a pat on the head, or an M&amp;amp;M or a check every time they learn something new.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perhaps worse, the plan will distract us from investigating a more pertinent set of questions: why don’t children get intrinsic satisfaction from learning in school, and how can this failing of education be fixed? Virtually all kindergartners are eager to learn. But by fourth grade, many students need to be bribed. What makes our schools so dystopian that they produce this powerful transformation, almost overnight?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barry Schwartz, a professor of psychology at Swarthmore College, is the author of “The Paradox of Choice: Why More Is Less.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-5254505804929173403?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/5254505804929173403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=5254505804929173403' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5254505804929173403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5254505804929173403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/07/pagando-para-passar.html' title='Pagando para passar'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-9144325552093614088</id><published>2007-06-30T07:54:00.000-03:00</published><updated>2007-06-30T13:07:52.831-03:00</updated><title type='text'>A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre ação afirmativa</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Da longa documentação que acompanhou a decisão recente da Suprema Corte Americana colocando limites às políticas raciais naquele país, Peter Fry destacou o seguinte fragmento, do voto do Juiz  Anthony M. Kennedy , que diz  melhor  o que eu e muitos outros temos tentado dizer sobre as propostas de políticas raciais no Brasil. Esta é a tradução ao português, e, abaixo, o texto original em inglês:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O argumento a favor de marcar os individuos conforme sua raça ignora os perigos trazidos pelas classificações individuais, perigos que não são tão significativos quando os mesmos fins são obtidos por outros meios. Quando o governo classifica um indivíduo por raça, ele precisa primeiro definir o que ele entende por raça. Quem, exatamente, é branco ou não branco? Ser forçado a viver com um rótulo racial definido pelo governo é inconsistente com a dignidade dos indivíduos em nossa sociedade. É um rótulo que os indivíduos não têm o poder de mudar. Classificações governamentais que obrigam a pessoas a marchar em diferentes direções de acordo com tipologias raciais pode causar novas divisões. A prática pode levar a um discurso corrosivo, em que a raça deixa de ser elemento de nossa herança diversificada, e se transforma em uma ficha de negociação no processo político. Por outro lado, medidas que tomam a raça em consideração, mas que não se baseiam em tratamentos diferenciais baseados em classificações individuais, não têm este risco na mesma intensidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de que, se a raça é o problema, a raça é o instrumento pelo qual ele deveria ser solucionado, não pode ser aceita como um passo analítico à frente.  E se esta é uma frustrante dualidade da Cláusula de Igual Proteção [da Emenda 14 da Constituição dos Estados Unidos], isto reflete, simplesmente, a dualidade de nossa história e de nossas tentativas de promover a liberdade em um mundo que muitas vezes parece como disposto a impedí-la.  Em nossa Constituição o indivíduo, criança ou adulto, pode buscar sua própria identidade, definir sua propria persona, sem a intervenção do estado que o classifique conforme sua raça ou a cor de sua pele."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No original: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"The argument [in favour of marking individuals racially] ignores the dangers presented by individual classifications, dangers that are not as pressing when the same ends are achieved by more indirect means. When the government classifies an individual by race, it must first define what it means to be of a race. Who exactly is white and who is nonwhite? To be forced to live under a state-mandated racial label is inconsistent with the dignity of individuals in our society. And it is a label that an individual is powerless to change. Governmental classifications that command people to march in different directions based on racial typologies can cause a new divisiveness. The practice can lead to corrosive discourse, where race serves not as an element of our diverse heritage but instead as a bargaining chip in the political process. On the other hand race-conscious measures that do not rely on differential treatment based on individual classifications present these problems to a lesser degree.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The idea that if race is the problem, race is the instrument with which to solve it cannot be accepted as an analytical leap forward. And if this is a frustrating duality of the Equal Protection Clause it simply reflects the duality of our history and our attempts to promote freedom in a world that sometimes seems set against it.Under our Constitution the individual, child or adult, can find his own identity, can define her own persona, without state intervention that classifies on the basis of his race or the color of her skin."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-9144325552093614088?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/9144325552093614088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=9144325552093614088' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/9144325552093614088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/9144325552093614088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/06/deciso-da-suprema-corte-dos-estados.html' title='A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre ação afirmativa'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-8759356096918968568</id><published>2007-06-22T11:56:00.000-03:00</published><updated>2007-06-22T17:06:59.212-03:00</updated><title type='text'>Ocupe a reitoria que há dentro de você!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/RnvjXVGCbqI/AAAAAAAAAAo/LbJXT-owFr8/s1600-h/reitoria.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/RnvjXVGCbqI/AAAAAAAAAAo/LbJXT-owFr8/s320/reitoria.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5078902994729332386" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Esta foto, de uma pixação na reitoria da USP, explica um bom pedaço da triste novela de sua ocupação: estudantes com problemas edipianos mal resolvidos em casa, e projetados nas autoridades públicas mais próximas. Nada que não passe com um pouco de análise e alguns anos mais de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é claro que não foi só isto. Em países sérios, os estudantes não ousariam ocupar desta maneira a sede de instituições públicas, e este tipo de comportamento jamais seria tolerado pelas autoridades.  A USP tem mais de 40 mil estudantes, 5 mil professores, e nenhuma das assembléias convocadas para votar contra ou a favor da ocupação e das greves teve a presença de mais de algumas centenas de pessoas, se tanto, e, na prática, a maior parte da Universidade continuou funcionando normalmente.  É óbvio que estes pequenos grupos de extrema esquerda não representam o pensamento nem as preferências da grande maioria de professores, alunos e funcionários da universidade. Como explicar, então, que eles conseguissem, por tanto tempo, pretender falar em nome de todos? Não existem mecanismos legais e formais para acabar com esta pseudo-representatividade de associações em cujas assembléias quase ninguém vai? Depois  de algum tempo, grupos expressivos de professores se manifestaram contra a ocupação, tirando sua legitimidade, mas é possível dizer que demorou demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da enorme pauta de reivindicações dos ocupantes, algumas me chamaram especial atenção. Uma foi a denúncia de que, nos famosos decretos que serviram de pretexto para o movimento, se dizia que a universidade deveria ser incentivada a fazer pesquisas “operacionais”, uma maneira pouco feliz de dizer que elas deveriam buscar resultados que tivessem aplicações no mundo real. Isto foi interpretado como um passo no caminho da “privatização” da Universidade, que, segundo estas pessoas, deveria ser subsidiada inteiramente por recursos públicos, não receber nenhum dinheiro adicional por projetos, contratos, serviços, cursos de extensão e, muito menos, anuidades, e não produzir pesquisas nem formar ninguém para o maldito “mercado”. Ora, a USP já gasta 5% de todos os impostos do Estado para sua manutenção, com outros 5% indo para a UNICAMP e a UNESP, e os governos do Estado têm conseguido resistir, até aqui, à pressão dos sindicatos por aumentar esta percentagem, às custas de outras áreas de ação prioritária e de impacto social mais equitativo, como na educação básica e média. Em todo o mundo, as universidades públicas trabalham ativamente para crescer e melhorar pela captação de recursos externos, e a USP já vinha fazendo isto com muito sucesso em várias de suas faculdades e institutos mais ativos e competentes. Nos últimos tempos, no entanto, esta liberdade de iniciativa já vinha sendo coibida, e agora é possível que se limite ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra reivindicação que me impressionou foi a de acabar com o jubilamento, o princípio pelo qual o estudante que não avança em seus estudos deve deixar sua vaga para outros. Não consigo entender como um movimento que fala em nome de grandes ideiais revolucionários também consegue propor isto.  Mas a reivindicação deste privilégio não vem sozinha, e se faz acompanhar de uma série de outras relativas a preços e horários de restaurantes, transporte de ônibus, facilidades de moradia no campus, etc. Pode ser que a intenção seja, simplesmente, conseguir o apoio dos possíveis beneficiários destas vantagens, que se somam ao privilégio da educação gratuita e cara que a USP já proporciona.  Uma última reivindicação, que parece brincadeira, foi de retirar as contas da Universidade de um sistema transparente de informações que o Estado está implantando, sob o argumento de que, como instituição autônoma, a universidade não precisa mostrar suas contas para ninguém!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ocupação da USP parece ter acabado muito mal. O normal seria que ficasse caracterizado o absurdo do que foi feito, assim como das idéias, ideologias e práticas destes grupos. Mas o que parece ter sido combinado é que se inicia, agora, um grande período de negociações, em que os ocupantes passarão a pautar a política institucional e acadêmica do Estado de São Paulo, sob a ameaça constante de novas invasões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o governo do Estado, em tudo isto? O mínimo que se pode dizer é que ele ainda não tem uma política clara para o setor,  parece ter se precipitado com as decisões iniciais que foram tomadas sem maiores consultas e aparente desconhecimento da área, e acabou ficando na defensiva. Não me parece que exista nenhuma intenção, clara ou oculta, de reduzir a autonomia das universidades, e muito menos de “privatizá-las”. Mas não se sabe ainda o que o governo pensa das idéias que têm circulado sobre a expansão da educação pública do ensino superior no Estado, nem sobre as metas e objetivos de médio e longo prazo que se espera que as universidades e centros de pesquisa estaduais desempenhem, e que possam justificar os recursos que recebem. Autonomia não pode ser confundida com um cheque em branco, e esta política precisa ser desenvolvida, através do diálogo e troca de pontos de vista com a parte boa das universidades e da sociedade que ainda é, felizmente, a sua maior parte. Ainda é tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-8759356096918968568?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/8759356096918968568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=8759356096918968568' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8759356096918968568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8759356096918968568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/06/ocupe-reitoria-que-h-dentro-de-voc.html' title='Ocupe a reitoria que há dentro de você!'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/RnvjXVGCbqI/AAAAAAAAAAo/LbJXT-owFr8/s72-c/reitoria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-3395450337338620621</id><published>2007-06-21T22:19:00.000-03:00</published><updated>2007-06-22T19:54:27.164-03:00</updated><title type='text'>Avaliação das escolas, aqui e lá.</title><content type='html'>Antônio Goes chama atenção para o artigo de capa da revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Time&lt;/span&gt;, de 4 de junho, sobre o programa americano No Child Left Behind (Nenhuma Criança Deixada para Trás), &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/blog/nclb.pdf"&gt;disponível na íntegra aqui.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observa Antônio que  "o programa tem algumas semelhanças com nosso IDEB (Índice de Desevolvimento da Educação Básica). Das várias conclusões da reportagem, duas me chamaram bastante atenção: algumas escolas melhoraram muito, mas não atingiram as metas. Nos EUA, o critério é mais rigoroso e elas correm o risco de serem fechadas. O mesmo acontece com alguns alunos que melhoraram muito, mas não atingem as metas. A outra conclusão foi que várias escolas estavam diminuindo a carga de estudos em história, ciências e outras disciplinas para reforçar inglês e matemática, que são (como cá), as únicas duas avaliadas no NCLB."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-3395450337338620621?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/3395450337338620621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=3395450337338620621' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3395450337338620621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3395450337338620621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/06/avaliao-das-escolas-aqui-e-l.html' title='Avaliação das escolas, aqui e lá.'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-1661344539516475112</id><published>2007-06-21T06:11:00.000-03:00</published><updated>2007-06-21T06:22:38.572-03:00</updated><title type='text'>Laura Randall no BrazilLink: Expectativas sobre o desempenho dos alunos nas escolas</title><content type='html'>Em um novo texto, disponível no &lt;a href="http://brazilink.org/education.asp"&gt;BrazilLink,&lt;/a&gt; Laura Randall dá continuidade à análise dos dados da pesquisa feita em Belo Horizonte com Maria Ligia Barbosa sobre os determinantes das expectativas de pais e professores em relação ao desempenho dos alunos nas escolas públicas - características dos pais, como renda, cor, e educação, e agora, caracteristicas das condições em sala de aula. O novo texto está na e-library do BrazilLink, que contém também muitos outros textos de interesse sobre a educação brasleira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-1661344539516475112?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/1661344539516475112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=1661344539516475112' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/1661344539516475112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/1661344539516475112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/06/laura-randall-no-brazillink.html' title='Laura Randall no BrazilLink: Expectativas sobre o desempenho dos alunos nas escolas'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-3366776375119388588</id><published>2007-06-12T19:45:00.000-03:00</published><updated>2007-06-13T06:30:09.301-03:00</updated><title type='text'>História, geografia e ciências sociais nas escolas.</title><content type='html'>Procurado pela reporter da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja&lt;/span&gt;, conversei longamente sobre a questão do ensino das ciências sociais das escolas brasileiras.  O que saiu, em uma reportagem sobre as queixas de uma mãe sobre os livros adotados pelo Sistema COC de  Ensino, foi eu dizendo que "as crianças não aprendem mais o nome dos rios ou as datas relevantes da história da humanidade. Elas estão tendo contato com uma ciência social superficial, marcada pela crítica marxista vulgar".  Espantada, a professora de geografia Zilda Rodrigues me escreve:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dito por um sociólogo, numa revista que atinge aos mais variados segmentos sociais e intelectuais, deixa-nos, professores de Geografia, numa situação, no mínimo, constrangedora. Afinal, o que se espera de nós? Uma Geografia puramente descritiva de paisagem ou uma Geografia analítica e crítica da paisagem? O conhecimento geográfico é apolítico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Certamente, com todo o respeito e admiração que tenho por suas idéias – sou leitora de vários artigos seus, dos livros “Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo” - excelente, aliás e já indiquei a vários colegas; “As causas da pobreza”, que também sempre indico; tal afirmação só pode ter sido descontextualizada, uma vez que, não se pode esperar uma escola cidadã, repetindo amontoados de nomes, fatos e datas que serviriam apenas como “decorebas”. Isso remete-nos a uma época de “obscuridade” das ciências humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não há dúvidas de que há vasto material didático “marcado pela crítica marxista vulgar”, bem como é urgente maior rigor das editoras na divulgação desse material. Mas daí a defender uma história e geografia que exaltem nomes e datas, há uma distância muito grande. Assim compreendemos(mal?) eu e  vários leitores, com quem cça,onversei, a maioria deles professores, claro!...Considerando que nossa opinião não tenha grande peso, como tem a sua, não caberia, portanto, à revista esclarecer melhor tal colocação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lembrando Paulo Freire, que ainda continua guiando meus passos “Ai daqueles e daquelas que, em lugar de visitar de vez em quando o amanhã, o futuro, pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e com o agora, se atrelem a um passado, de exploração e de rotina.”; refletindo sobre o desafio de que “...Para que a pobreza seja vencida, é necessário vontade política e compromisso com os valores da igualdade social e dos direitos humanos; uma política econômica adequada, que gere recursos; um setor público eficiente, competente responsável no uso dos recursos que recebe da sociedade; e políticas específicas na área da educação, da saúde, do trabalho, da proteção à infância, e do combate à discriminação social, e outras. Tudo isto é fácil de dizer, e dificílimo de fazer. A construção de uma sociedade competente, responsável, comprometida os valores de equidade de justiça social, e que não caia na tentação fácil do populismo e do messianismo político, é uma tarefa de longo prazo, e que pode não chegar a bom termo. Mas não há outro caminho a seguir, a não ser este.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Creio tratar-se de um lamentável equívoco... Afinal, que papel cabe a nós, professores, na construção dessa sociedade? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que tratei de explicar para a reporter foi que, no passado, o ensino da história nas escolas se limitava quase que à narração de uma cronologia de reis e batalhas, que os alunos tinham que decorar. Este tipo de história, que corresponde ao que os ingleses chamam de “Whig history”, e que poderíamos traduzir para “história de salto alto”, interpretava o passado como uma marcha acendente da civilização até o presente, moldada pelos grandes feitos dos políticos. Eu lembrei que, ao final dos anos 30, na França, surgiu uma nova maneira de ver a história, como processos de longo prazo, que deveriam ser entendidos com o auxílio das diversas ciências sociais. Esta nova história, conhecida como a da “ Escola dos Annales”, e representada por autores como Marc Bloch, Lucien Febre, e, depois, Fernand Braudel, teve muitos desdobramentos, e hoje a historiografia é muito diversficada, cobrindo desde a história política mais tradicional até a história econômica, história social, história das mentalidades e história da cultura, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é como transformar esta história mais aberta e cheia de especializações em um curriculo escolar. Um bom curso de história, me parece, deve dar o contexto e a interpretação dos grandes processos sociais, mas deve também dar aos estudantes um marco de referência clara, um “mapa” dos principais eventos que fazem parte de nossa memória histórica, do período clássico até a história mais recente – o que foram a civilização do Egito, o Império Romano, a Idade Média, a revolução industrial, o período das descobertas, os impérios coloniais, a guerra fria… Não há como fazer isto sem nomes de países, de personalidades e  datas relevantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na geografia, o problema é parecido.  Mais talvez do que a  história, o que era antigamente geografia está hoje dividido entre muitas disciplinas diferentes – cartografia,  geociências, botânica,  economia regional, demografia, sociologia urbana e  sociologia rural, entre outras. Os franceses, sobretudo, com sua excelente tradição de ensino, desenvolveram uma geografia para as escolas que procura ser uma síntese didática de tudo isto, com um forte elemento descritivo – é aí aonde os alunos aprendem como são os continentes, os países, as principais formações naturais, os sistemas políticos e econômicos, como o território é ocupado pelo homem – e, claro, quais são os principais rios, e a importância que têm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A substituição dos antigos cursos de história e geografia pelas ciências ou “estudos sociais", feita com a boa intenção de acabar com a memorização sem sentido de datas, nomes e acidentes geográficos,  redunda muitas vezes na transmissão de interpretações extremamente simplistas e ideologicamente carregadas da história e da atualidade, vazias de conteúdo, que não contribuem em nada para a boa formação dos estudantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu concordo com a professora Zilda e com Paulo Freire que devemos olhar para o futuro, buscar melhorar nossas sociedades, valorizar e garantir os direitos humanos, etc. Quem poderia pensar diferente? Mas a questão não é esta, e sim decidir o que ensinar nas escolas. E aí minha inspiração não é Paulo Freire, que pregava a junção entre educação e “conscientização”, ou doutrinação,  mas Max Weber e seus textos famosos sobre a ciência e a política como vocação. A responsabilidade do professor, que trabalha do lado da ciência, é de formar os estudantes para que eles possam entender o mundo em que vivem e suas diferentes interpretações, e tomar suas próprias decisões. É uma violência, eticamente inaceitável, aproveitar da posição de professor para inculcar nos alunos uma visão e interpretação particular a respeito do passado, do presente e do que deveria ser o futuro.  O político é diferente, sua vocação é defender seus pontos de vista, e tratar de destruir os argumentos dos adversários. Todos nós somos, em alguma medida, políticos, porque temos nossos pontos de vista, mas nossa obrigação, enquanto professores, é não forçá-los sobre os alunos. A melhor contribuição que os professores podem dar para a construção de um futuro melhor, me parece, não é conquistando os alunos para suas ideologias, mas dando a eles os fatos, e também as diferentes interpretações e pontos de vista, que lhes permitam exercitar, plenamente, sua cidadania.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-3366776375119388588?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/3366776375119388588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=3366776375119388588' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3366776375119388588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3366776375119388588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/06/histria-geografia-e-cincias-sociais-nas.html' title='História, geografia e ciências sociais nas escolas.'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-9090385272789564232</id><published>2007-06-11T10:36:00.000-03:00</published><updated>2007-06-11T11:16:03.352-03:00</updated><title type='text'>O melhor sistema de saúde pública do mundo: médicos na cadeia</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Globo&lt;/span&gt; de hoje, 11/06/2007, noticia que a Dra. Yolanda Cyranka, chefe de equipe do Hospital Miguel Couto no Rio de Janeiro, foi presa por desrespeitar ordem do Tribunal de Justiça do Rio para transferir um paciente para um hospital particular, porque a UTI do hospital público não tinha vaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 15 de maio passado, o secretário estadual de Saúde e o gerente estadual de Gerência Farmacêutica do Espírito Santo foram presos pela Polícia Federal por descumprirem uma determinação de um juiz federal de Colatina, no interior do Estado. Segundo a Justiça, a Secretaria da Saúde deveria ter fornecido o medicamento Avastin à família de uma criança de cinco anos, que está com tumor cerebral e se encontra em estado grave. Conforme noticiou o jornal &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Tarde&lt;/span&gt;, uma dose do remédio custa mais de R$ 5 mil. “O secretário alega que a encomenda já havia sido feita, mas o laboratório não pôde cumprir o prazo determinado e a justiça já havia sido informada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito comum ouvir a afirmação de que nosso Sistema Unificado de Saúde, o SUS, implantado a partir da Constituição de 1988, é o melhor do mundo (veja por exemplo o &lt;a href="http://www.uff.br/trabalhonecessario/Juliano%20TN4.htm"&gt;artigo de Juliano Carvalho Lima&lt;/a&gt;, Mestre em Saúde Pública pelo Instituto Oswaldo Cruz,  ou o &lt;a href="http://www.cut.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=8926&amp;sid=21"&gt;documento da CUT &lt;/a&gt;no mesmo sentido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A qualidade do sistema consistiria no princípio de que o atendimento à saúde é direito de todos e dever do Estado, além de sua gestão comunitária, de forma descentralizada e autônoma. Quando um doente precisa de um tratamento, e as autoridades da área de saúde não o atendem, então a justiça intervém, ordenando que o atendimento seja feito, e mandando prender os que não cumprem a ordem judicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta só um pequeno detalhe, que é o dinheiro para criar toda a infra-estrutura de atendimento, comprar todos os remédios e fazer todos os exames que sejam necessários. Na área da saúde, mais do que em outras, os custos dos equipamentos, remédios e da atenção profissional são crescentes, e, como o valor da vida é incomensurável, sempre se pode gastar mais para atender a quem necessita; mas os recursos, por mais que cresçam,  serão sempre  insuficientes. Todos os serviços de saúde do mundo, mesmo nos países mais ricos, têm que enfrentar este problema, através de prioridades, participação dos pacientes nos custos dos serviços (não só para arrecadar algum dinheiro, mas para desestimular a demanda por atendimentos menos prioritários) e o estabelecimento de padrões autorizados de tratamento, entre outras medidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ativismo judiciário no sistema de saúde, com juizes obrigando as autoridades médicas a dar prioridade aos casos que chegam às suas mãos, só agrava as enormes dificuldades que o setor enfrenta, tendo que escolher, todos os dias, como usar melhor os parcos recursos de que dispõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está na hora de dizer que o Sistema Unificado de Saúde não só não é o melhor do mundo, mas, muito pelo contrário, tem vícios de concepção e organização insanáveis, que têm como resultado o péssimo atendimento à população que depende dele, e que precisam ser profundamente revistos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-9090385272789564232?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/9090385272789564232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=9090385272789564232' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/9090385272789564232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/9090385272789564232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/06/o-melhor-sistema-de-sade-pblica-do.html' title='O melhor sistema de saúde pública do mundo: médicos na cadeia'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-5140225502630539866</id><published>2007-06-04T15:29:00.000-03:00</published><updated>2007-06-04T15:37:37.653-03:00</updated><title type='text'>A Universidade segundo Schwartzman</title><content type='html'>&lt;font style="font-style: italic;"&gt;O Jornal da UNICAMP, em sua  edição 356, de 23 de abril a 6 de maio de 2007, publicou uma longa entrevista que dei a Álvaro Kassab, e que está tendo alguma repercussão. Amostra:&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;JU – O que há de anacrônico e de novo na universidade brasileira?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Schwartzman – Há varias coisas anacrônicas. Uma delas é toda essa ênfase na indissolubilidade do ensino, da pesquisa e da extensão. Trata-se de uma concepção de universidade que deixou de existir há décadas. No mundo inteiro, a pesquisa se concentra em algumas instituições; o ensino superior, em grande parte, faz educação. Essa indissolubilidade não existe mais, está ultrapassada. Ao contrário, as instituições cada vez mais se especializam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa anacrônica é a idéia da universidade pública gratuita. Poucos países do mundo levam adiante essa proposta. Até os países europeus, que tinham uma tradição de manter universidades gratuitas quando elas eram poucas e pequenas, estão começando a introduzir o sistema de cobrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;JU – Mas, no caso do Brasil, o senhor não acha isso um pouco assustador?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Schwartzman – Não. Para aquele aluno que provar que não tem recursos e, conseqüentemente, não tem condições de ingressar na universidade, embora tenha mérito, o governo implementaria um sistema de apoio. Ele receberia bolsas, crédito educativo etc. O que não pode é ter um sistema gratuito que atende predominantemente a pessoas das classes média e média alta, que vão aumentar sua renda privada de forma muito substancial ao longo da vida, sem que estas pessoas compartam o custo de sua educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto completo está disponível no &lt;a href="http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/abril2007/ju356pag05.html"&gt;site do Jornal da Unicamp&lt;/a&gt; e pode ser também baixado, &lt;a href="http://schwartzman.org.br/simon/unicamp.pdf"&gt;em PDF, do meu site.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-5140225502630539866?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/5140225502630539866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=5140225502630539866' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5140225502630539866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5140225502630539866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/06/universidade-segundo-schwartzman.html' title='A Universidade segundo Schwartzman'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-7989380433969748963</id><published>2007-06-01T11:19:00.000-03:00</published><updated>2007-06-01T11:22:54.311-03:00</updated><title type='text'>Jacques Schwartzman: O Ensino Superior no Programa de Desenvolvimento da Educação</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O seguinte artigo foi publicado no &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Estado de Minas&lt;/span&gt; de 31 de maio de 2007:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que, acertadamente, a maioria das ações deste novo Programa se dirijam ao ensino básico, ele também inclui cinco importantes medidas para as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). A primeira e mais audaciosa delas é a proposta de se dobrar as vagas oferecidas em 10 anos, através da ampliação de cursos noturnos, redução da evasão para 10% e aumento da relação aluno professor de 10 para 18. Estimula também maior flexibilidade nos currículos, permitindo a maior circulação de alunos entre instituições e cursos e, reduzindo a especialização precoce. As Instituições Federais de Ensino Superior poderão propor ao MEC um projeto dentro dessas linhas e assim obter o respectivo financiamento. Segundo alguns cálculos preliminares, o orçamento poderá ser acrescentado em 2,1 bilhões de reais, o que representaria uma adição de 20% em relação ao que se pratica hoje, não considerando os inativos. Esta proposta parte do entendimento de que existe um certo grau de capacidade ociosa de professores, funcionários e espaço físico, o que deve ser verdadeiro, embora em graus diferentes entre as IFES. Um outro mérito da proposta é a adesão voluntária e a possibilidade de se obter o financiamento com combinações diferentes de metas, em termos de evasão, cursos noturnos e ampliação de vagas diurnas. As IFES também poderão traçar seus projetos de tal forma que não se prejudique a qualidade dos cursos de graduação e o funcionamento da pós-graduação onde ela for significativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma outra proposta, aparentemente simples, poderá trazer importantes mudanças na política de pessoal das IFES e afetar positivamente a qualidade dos gastos em Pessoal docente. Trata-se de um banco de horas que substituirá os atuais procedimentos. Desde muitos anos, o governo libera para as IFES um certo número de cargos de professor, constante dos quadros de cada uma delas. Ao obtê-lo, procura contratar professores em dedicação exclusiva, o que certamente é melhor para elas do que contratar professores em tempo parcial. A consequência é que a maioria das IFES têm em seus quadros hoje  cerca de 90% de professores neste regime, algumas chegando a 100% . Isto eleva desnecessariamente as despesas com pessoal, mesmo porque nem todos podem ou querem fazer pesquisa, e muitos cursos profissionais se beneficiariam com a contratação de mais professores em 20 horas, que trariam a sua experiência prática para dentro da Universidade Na nova lógica seria possível contratar 3 professores de 20 horas ao invés de apenas 1 em dedicação exclusiva. Esta é uma decisão que cabe  a cada IFES e certamente contribui para a sua tão almejada autonomia. Restaria incluir no projeto professores horistas(que poderiam substituir os atuais de 20 horas) que&lt;br /&gt;não precisariam de estar na carreira docente,mas poderiam trazer sua vivência profissional sem se preocupar com publicações e títulos de pós-graduação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A modernização da lei dos estágios é necessária para que ele seja mais um instrumento de aprendizagem( inclusive valendo créditos) e não se constitua numa mão de obra barata graças a isenção de encargos sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As modificações no Programa de Financiamento Estudantil - FIES (aumento do prazo de carencia para o dobro do tempo do curso) e o Programa Universidade Para Todos - PROUNI (utilização dos certificados dos alunos do FIES no PROUNI para pagamento de débitos fiscais) certamente aumentarão a oferta de vagas no sistema privado, embora seja difícil avaliar o seu impacto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, é lançado mais um programa de incentivos , liderado pela CAPES, que procura reter no Brasil jovens doutores. Ele não é exclusivo para as IFES, podendo participar outras IES, Centros de pesquisa e empresas privadas,mediante projetos que demonstrem uma inserção relevante dos recém graduados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este conjunto de medidas não exaure a lista de problemas que as IFES enfrentam, mas certamente  trará mais eficiência e levará mais racionalidade nos processos decisórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jacques Schwartzman , Diretor do Centro de Estudos sobre Ensino Superior e Politicas Públicas, da Universidade Federal de Minas Gerais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-7989380433969748963?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/7989380433969748963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=7989380433969748963' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7989380433969748963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7989380433969748963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/06/jacques-schwartzman-o-ensino-superior.html' title='Jacques Schwartzman: O Ensino Superior no Programa de Desenvolvimento da Educação'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-8711543510904196743</id><published>2007-05-31T22:34:00.000-03:00</published><updated>2007-05-31T22:49:47.789-03:00</updated><title type='text'>Censura e auto-regulação na TV</title><content type='html'>Demétrio Magnoli tem razão ao alertar, no seu artigo sobre “O Censor Utópico” no&lt;span style="font-style: italic;"&gt; O Globo &lt;/span&gt;de hoje (31/5/2007), contra a censura prévia dos programas de TV e espetáculos audiovisuais pelo Departamento de Justiça e Classificação Indicativa do Ministério da Justiça. Não se trata de censura no sentido de impedir que certos programas, espetáculos ou filmes sejam exibidos, nem que sejam proibidos para determinados grupos de idade. O que se busca é classificar os espetáculos e programas para os diversos grupos de idade, informar os pais e responsáveis para que regulem o acesso das crianças, e regular as horas e locais em que estes espetáculos poderão ou não ser exibidos. O risco é que esta classificação seja feita de forma ideológica, conforme os preconceitos e valores peculiares do censor e dos “voluntários” que a portaria  1.100 do Ministério da Justiça de julho de 2006, que regula esta matéria, prevê que sejam recrutados para este trabalho, sem especificar de onde sairiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas qual é a alternativa? Por quê os valores peculiares dos marqueteiros da TV ou do cinema comercial, fortemente condicionados pelos números do IBOPE, seriam superiores aos do Ministério da Justiça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é uma questão simples, que se resolva protestando em nome da liberdade toda vez que alguém menciona este problema. Na sociedade brasileira como em todas, as pessoas têm valores e preferências diferentes, e não se pode permitir nem que umas censurem a livre expressão das outras, nem que algumas poucas se dêem ao direito de invadir a privacidade e ferir os valores e a susceptibilidade de setores significativos da sociedade, nem mesmo em nome das preferências da maioria.  Na dúvida, o direito à expressão é sempre melhor do que a censura, mas há limites claros, como por exemplo em relação à pedofilia, ao incitamento ao racismo ou ao uso de drogas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora destes limites extremos, as coisas são muito mais complicadas. A portaria diz que as classificações deverão ser feitas “de forma objetiva, democrática e em co-responsabilidade com a família e a sociedade”, como se fazer isto fosse a coisa mais fácil do mundo. Na prática, pode significar, simplesmente, convidar os companheiros do Ministro ou do Secretário para participar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solução adotada pelos países democráticos tem sido a auto-regulação. Os produtores de cinema e outros espetáculos, voluntariamente, criam suas próprias normas, códigos de ética e sistemas de classificação. buscando captar o que poderiam ser os valores predominantes da sociedade, e ajustam seus horários e conteúdos a estes padrões. Se já existisse um sistema como este no Brasil, seria muito mais difícil ao Ministério da Justiça impor sua classificação própria.  Na sua ausência, a TV brasileira é uma das mais permissivas no mundo, na exibição descontrolada de cenas de sexo e violência que invadem as casas das pessoas a toda hora do dia e da noite.  Na sua ausência, denúncias como as de Demétrio Magnoli, por mais verdadeiras que sejam, perdem  muito de sua credibilidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-8711543510904196743?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/8711543510904196743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=8711543510904196743' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8711543510904196743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8711543510904196743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/05/censura-e-auto-regulao-na-tv.html' title='Censura e auto-regulação na TV'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-6949944122333358863</id><published>2007-05-24T16:23:00.000-03:00</published><updated>2007-05-24T16:28:42.825-03:00</updated><title type='text'>Ciclos e promoção automática</title><content type='html'>Tenho recebido várias solicitações para dizer o que penso sobre o tema dos ciclos e da promoção automática dos alunos das escolas públicas, que entrou na agenda por causa de recente resolução da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, e está provocando forte reação por parte do sindicato de professores. Voce é contra ou a favor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não está acompanhando: a idéia de ciclos é que os alunos, em vez de serem avaliados e aprovados ou não a cada ano, são avaliados depois de um ciclo de dois, três e até quatro anos. Dentro do ciclo, não existe reprovação. Ao final do ciclo, talvez, mas não é recomendado. Assim, se o primeiro ciclo inclui as três primeiras séries do ensino fundamental, os alunos teriam três anos para aprender a ler e a escrever, cada qual no seu rítmo, e niguem seria reprovado ao final do primeiro ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo o que penso, eu sou contra a reprovação, mas também contra os ciclos. A reprovação na escola não ajuda a melhorar o desempenho e a integração das crianças na escola; ao contrário, ela funciona como um mecanismo para eliminar os que têm mais dificuldades de aprender, e que acabam abandonando a escola depois de várias repetências - normalmente os mais pobres. E os dados mostram que o desempenho dos alunos das escolas que reprovam tende a ser pior do que o das escolas que não o fazem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o aluno não aprende, a obrigação da escola é detectar o problema enquanto é tempo, e dar a ele um atendimento especial, com aulas de reforço, atendimento individualizado, e outros meios de que possa dispor. Nas séries mais adiantadas, os interesses e motivações dos alunos começam a se diferenciar, e as escolas, ou os sistemas escolares, devem se capacitar para lidar com alunos diferentes, alguns voltados para uma educação mais acadêmica, outros para uma formação mais prática e profissional, por exemplo. As crianças e jovens precisam conviver com seus grupo sde idade, e as escolas não podem discriminar e estigmatizar os alunos que não conseguem determinados níveis de aprendizado em algumas matérias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas será que, tirando a reprovação, não ficaria a idéia de que ninguém precisa aprender e ser avaliado, e que tanto vale se esforçar quanto não se esforçar?  Se acontecer isto, é um desastre, embora possivelmente não tão grave quanto a reprovação tradicional. Não é necessário assustar e amedrontar as crianças para que elas tenham interesse em aprender. É possível também dar incentivos positivos, prêmios, conceitos mais altos, medalhas, o que for, para valorizar o desempenho. E é necessário, principalmente, avaliar constantemente o desempenho dos alunos, para ver quem está ficando para trás, e corrigir o problema antes que ele se torne irreversível. Tudo isto, aliás, está dito e previsto na portaria da Secretaria da Educação que deu origem a esta celeuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isto que eu sou contra o sistema de ciclos. O sistema de ciclos supõe um currículo extremamente aberto, que varia de escola para escola e de professor para professor,  cria grandes problemas por exemplo, quando os alunos são transferidos de uma escola para outra, e impede a avaliação regular. É possível, e necessário, ter curriculos escolares com conteúdos e sequências muito mais definidos, que possam ser acompanhados pelos sistemas de avaliação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resumo: uma política efetiva de eliminar a reprovação requer um acompanhamento muito mais rigoroso dos alunos, e sobretudo de sua evolução no tempo, enquanto que os ciclos supõem um currículo muto mais aberto, com avaliações muito mais espaçadas e frouxas. Creio que são coisas incompativeis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra questão que tem sido levantada é se os professores da rede pública estariam preparados para esta nova maneira de lidar com a questão da reprovação. Provavelmente não, como não estão preparados, como deveriam, para garantir que 100% dos seus alunos estejam alfabetizados aos 8 anos de idade. É preciso um trabalho importante e sistemático não só de preparação dos professores, mas também de sistemas de apoio e  materiais pedagógicos que eles devem utilizar para obter os resultados que se espera das escolas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-6949944122333358863?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/6949944122333358863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=6949944122333358863' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/6949944122333358863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/6949944122333358863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/05/ciclos-e-promoo-automtica.html' title='Ciclos e promoção automática'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-2330692574315298852</id><published>2007-05-24T12:39:00.000-03:00</published><updated>2007-05-24T12:46:15.666-03:00</updated><title type='text'>Maria Tereza Goudard Tavares: Alfabetização em São Gonçalo</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Recebi da Professora Maria Tereza Goudard Tavares a seguinte nota, a respeito do que publiquei antes com o título de "&lt;a href="http://sschwartzman.blogspot.com/2007/05/fbula-dos-burros.html"&gt;Os burros de São Gonçalo&lt;/a&gt;": &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caro Senhor Simon,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço o espaço de discussão, saudando o seu compromisso com o diálogo democrático. Em linhas gerais foram estas as minhas palavras aos jornalistas que me entrevistaram por telefone, com relação à adoção do programa Alfa – Beto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I – Quanto ao uso do programa e a sua implementação junto à rede a partir de 2007, achamos ser necessário que se realize um profundo diagnóstico das condições estruturais e materiais da rede, destacando às condições de trabalho das professoras alfabetizadoras e das escolas em que as mesmas trabalham;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II-  A questão da prioridade no uso da verba pública municipal nas compra dos kit´s do programa – É bom ressaltar que o  Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) vem sendo desenvolvido com sucesso nos municípios do estado do Rio de Janeiro, é que em São Gonçalo, os livros tem chegado às escolas, em especial, às classes de alfabetização, sem ônus para SME / Prefeitura de São Gonçalo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III – A forma pela qual a SME / SG definiu a adoção e a implementação do Programa Alfa – Beto. Defendemos que a professora deve ter o direito de participar da escolha de seu método de trabalho, e que a adoção de um método único, seja este filiado a qualquer matriz epistemológica, não dá conta da multiplicidade dos saberes e fazeres no processo de alfabetização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, achamos que a Secretaria  Municipal de Educação, ciente de seu papel político e pedagógico deve avaliar com muita acuidade e serenidade a adoção do Programa Alfa – Beto, bem como a sua implementação generalizada na rede. Ressaltamos que à adoção pouco democrática e verticalizada do método único, fere inclusive, o preceito legal garantido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB/96), que garante ao docente a liberdade de ensinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenciosamente,&lt;br /&gt;Prof. Drª. Maria Tereza Goudard Tavares (UERJ/FFP)&lt;br /&gt;Conselheira Municipal de Educação de São Gonçalo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-2330692574315298852?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/2330692574315298852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=2330692574315298852' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2330692574315298852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2330692574315298852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/05/maria-tereza-goudard-tavares.html' title='Maria Tereza Goudard Tavares: Alfabetização em São Gonçalo'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-5162683115241953867</id><published>2007-05-19T11:45:00.000-03:00</published><updated>2007-05-19T12:03:04.640-03:00</updated><title type='text'>Sem surpresas no Bolsa Familia</title><content type='html'>Depois de muita expectativa, sairam os primeiros resultados da pesquisa de avaliação do Bolsa Familia feita pelo CEDEPLAR a pedido do Ministério do Desenvolvimento Social,  que estão disponíveis no &lt;a href="http://www.mds.gov.br/noticias/pesquisa-mostra-eficiencia-do-bolsa-familia-na-melhoria-das-condicoes-de-vida"&gt;site do MDS. &lt;/a&gt; A pesquisa compara uma amostra de familias que recebem a bolsa com um grupo de renda semelhante que não recebe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O principal resultado encontrado é que as famílias, tendo um pouquinho mais de dinheiro, gastam mais em alimentos, como seria de se esperar. Em relação à educação, é como já sabíamos - quase não há relação entre a bolsa e resultados na educação.  Há uma pequena melhoria da frequência escolar em algumas regiões, mas não se sabe se isto é um efeito da bolsa ou, como tenho sugerido, do fato de que as bolsas podem estar sendo dadas, preferencialmente, a crianças que já estão na escola. Em alguns casos, os estudantes do bolsa familia têm níveis de reprovação maior do que os que não se beneficiam dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada que justifique o tamanho e as pretensões do programa, do ponto de vista da educação. A nova proposta parece ser de dar um dinheirinho a mais para os estudantes que passem de ano. Já é tempo de entender que política de renda e política educacional são coisas diferentes, e separar claramente as duas coisas, dando à área de educação os recursos e a prioridade que ela necessita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-5162683115241953867?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/5162683115241953867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=5162683115241953867' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5162683115241953867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5162683115241953867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/05/sem-surpresas-no-bolsa-familia.html' title='Sem surpresas no Bolsa Familia'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-5932319145694291501</id><published>2007-05-17T12:00:00.000-03:00</published><updated>2007-05-17T12:36:13.346-03:00</updated><title type='text'>A fábula dos burros de São  Gonçalo</title><content type='html'>A adoção, pelo Município de São Gonçalo, do programa de alfabetização desenvolvido pelo &lt;a href="http://www.alfaebeto.com.br/"&gt;Instituto Alfa Beto&lt;/a&gt;, liderado por João Batista de Oliveira, vem provocando uma série de reações agressivas por parte do Sindicato Estadual dos Professores de Educação do Rio de Janeiro. O ataque começou com uma nota "plantada" na coluna de Alcelmo Gois no&lt;span style="font-style: italic;"&gt; O Globo&lt;/span&gt; (16/5/2007)  dando a entender que os alunos estavam sendo forçados a dizer que eram burros (quando na realidade era uma brincadeira associada ao processo de aprendizagem), e continua com uma série de acusações e denúncias ao Ministério Público, por supostas irregularidades, conforme &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Globo&lt;/span&gt; de hoje, 17/05/2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A acusação principal é que o método adotado utiliza o recurso da repetição, que os professores consideram “ultrapassado”, mas que, segundo João Batista, é essencial para a consolidação dos conhecimentos. Segundo a professora Maria Tereza Goudard Tavares, da Faculdade de Formação de Professores da UERJ, conforme a matéria do jornal, o problema é que “os professores são transformados em repetidores” (ou seja, devem trabalhar conforme um método sistemático e comprovado, e não de qualquer maneira), e que São Gonçalo tem outros problemas: “faltam recursos para laboratórios de informática e muitas escolas nem sequer têm quadras esportivas”, diz ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os resultados de São Gonçalo na Prova Brasil, do Ministério da Educação, mostram que o desempenho dos alunos das escolas da cidade, educados até agora conforme as pedagogias mais "modernas", está abaixo da média do Estado do Rio, que já é ruim quando comparado a outros Estados do Centro-Sul. Quem sabe que, com mais quadras esportivas e laboratórios de informática, a qualidade melhora?...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-5932319145694291501?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/5932319145694291501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=5932319145694291501' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5932319145694291501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5932319145694291501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/05/fbula-dos-burros.html' title='A fábula dos burros de São  Gonçalo'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-8613069530669622827</id><published>2007-05-09T12:47:00.000-03:00</published><updated>2007-05-09T13:23:03.432-03:00</updated><title type='text'>Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/RkHtUs9o7AI/AAAAAAAAAAg/B13p8gHguxo/s1600-h/perigosas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/RkHtUs9o7AI/AAAAAAAAAAg/B13p8gHguxo/s320/perigosas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062588396064009218" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Acabou de sair, pela Editora Record, o livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo,  &lt;/span&gt;que reune mais de 50 textos do debate sobre raça, racismo e desigualdades no país que resultou na Carta Pública “Todos têm direitos iguais na República Democrática”, criticando a lei que estabelece as cotas raciais nas instituições federais de ensino superior (Projeto de Lei das Cotas Raciais ou PL 73/1999) e ao chamado Estatuto da Igualdade Racial (PL 3198/2000).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha contribuição é um texto denominado "Das estatísticas de cor ao estatuto da raça", que está também&lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/pub_artigos.htm"&gt; disponível no meu site.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro está disponível nas livrarias, e pode ser comprado pela Internet na &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2082027"&gt;Livraria Cultura&lt;/a&gt; e outros distribuidores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-8613069530669622827?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/8613069530669622827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=8613069530669622827' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8613069530669622827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8613069530669622827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/05/divises-perigosas-polticas-raciais-no.html' title='Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/RkHtUs9o7AI/AAAAAAAAAAg/B13p8gHguxo/s72-c/perigosas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-8166087704776112650</id><published>2007-05-05T10:50:00.000-03:00</published><updated>2007-05-05T12:36:59.300-03:00</updated><title type='text'>Adeus aos laptops?</title><content type='html'>Enquanto, no Brasil, o governo se mobiliza para comprar milhões de computadores para colocar nas mãos dos estudantes, nos Estados Unidos, conforme reportagem do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The New York Times,&lt;/span&gt;  as escolas estão abandonando estes programas, tendo concluido que custos de manutenção, da administração de redes, e dos problemas de disciplina associados à pornografia e ao uso abusivo dos computadores eram maiores do que seus benefícios. De fato, as escolas estão descobrindo que, longe de melhorar o desempenho, os laptops não têm nenhum efeito e até perturbam e atrapalham o desempenho acadêmico dos alunos.  Segundo o NYT, a idéia dos políticos de que a tecnologia poderia trazer uma solução rápida e barata para os problemas da educação não funcionou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto do The New York Times está disponível no link abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.nytimes.com/2007/05/04/education/04laptop.html?_r=2&amp;pagewanted=all&amp;amp;oref=slogin"&gt; Seeing No Progress, Some Schools Drop Laptops&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-8166087704776112650?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/8166087704776112650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=8166087704776112650' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8166087704776112650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8166087704776112650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/05/adeus-aos-laptops.html' title='Adeus aos laptops?'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-4256977375907088894</id><published>2007-04-19T11:57:00.000-03:00</published><updated>2007-04-19T12:08:10.935-03:00</updated><title type='text'>Luiz Carlos Faria da Silva: ainda sobre computadores</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Luiz Carlos Faria da Silva, da Universidade Estadual de Maringá, envia a seguinte nota:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 9/04007 recebi uma informação de que o Claudio Moura Castro enviou ao Simon's Blog um link com reportagem do Washington Post sobre estudo americano pondo em dúvida a eficácia do gasto com softwares em função dos dados de uma pesquisa americana que mostra não haver diferença significativa entre  os desempenhos escolares de estudantes que deles se utilizam e estudantes que deles não se utilizam. Gostaria de observar que eu já lhe enviara esse link em mensagem do dia 5 de abril de 2007, dia em que o Washington Post publicou a notícia. Informei também que minha fonte foi a FEE - Foundation for Economic Education.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dá tempo para acompanhar tudo. Eu estou o tempo todo ligado na questão da pedagogias eficazes, particularmente nas pedagogias eficazes para alfabetizar. Mas pelo que leio rapidamente sobre o assunto eu nunca tive dúvida de que essa onda de uso de computadores e softwares para a educação escolar não se sustenta se olhada com rigor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Computador com acesso à internet só é bom na mão de gente que tem alto nível de formação. E na Escola, é bom na Secretaria. Assim mesmo quando há intranet com a Secretaria da Educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo posso afirmar que seria bom na mão de Diretores. Depende do Diretor ou Diretora. Quando vamos a uma escola pública de periferia hoje em dia não se consegue diferenciar Diretora de Servente. (Falo em Diretora simplesmente porque é a maioria). Nem pelo linguajar nem pela indumentária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu trabalhei com projetos em algumas escolas da rede pública há pouco tempo. Havia laboratórios de informática. Mas tudo estava sucateado antes do uso. Numa delas os computadores eram usados pelo filho adolescente da Diretora para jogos de VIDEOGAME.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já vi escola com projetos fantásticos funcionado. Mas foi na televisão. Na televisão, tudo é bonito e funciona. Os alunos são entrevistados e dizem o que nós, os coordenadores dos projetos, queremos ouvir. Autodeclaração não é evidência de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil não aplica políticas baseadas em evidência. Nunca aplicou. Principalmente em Educação. Mas não é necessário fazer grandes pesquisas para saber o tipo de uso que adolescentes e jovens fazem de computadores com acesso à internet quando disso dipõem. Gastam todo o tempo em jogos, bate-papos, MSN e pornografia. Isso está acontecendo hoje nas barbas de todo mundo. Dê um passeio nas periferias do Rio para ver o que acontece nas Lan Houses. Ou então, deixe computadores com livre acesso à internet, sem controle de conteúdo, nas salas das faculdades espalhadas pelo Brasil. Depois veja as páginas visitadas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você acha que farão diferente com computadores nas escolas? Ou com LAPTOPS? É uma empulhação esse negócio de um LAPTOP para cada criança. O que farão com eles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há inúmeras Prefeitura no Brasil que gastam dinheiro fornecendo Tênis, Mochila, Uniforme às crianças. Alguém no Brasil sabe dizer o impacto do gasto com esses itens no desempenho escolar? As crianças que receberão esses computadores lêem rudimentarmente. E não sabem contar. Mas o que sabem basta para jogar, bater papo, autofotografar-se e fazer a edição dessas fotos para divulgar no ORKUT e no MSN.  É lamentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço,&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-4256977375907088894?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/4256977375907088894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=4256977375907088894' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4256977375907088894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4256977375907088894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/04/luiz-carlos-faria-da-silva-ainda-sobre.html' title='Luiz Carlos Faria da Silva: ainda sobre computadores'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-6216794798765824273</id><published>2007-04-17T10:38:00.000-03:00</published><updated>2007-04-17T10:44:27.033-03:00</updated><title type='text'>Totalitarismo Universitário</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pedro Lincoln Leão de Mattos, de Recife,  envia o seguinte artigo de José Luiz Delgado, publicado no Jornal do Commércio de 17/4/2007:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Totalitarismo universitário&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A muitos escandalizou questão de uma prova de ingresso extra-vestibular da Universidade Federal de Pernambuco, cujo enunciado cometia o grosseiríssimo erro de atribuir a Graciliano Ramos a autoria de “Grande sertão: veredas”. A mim não chocou tanto esse erro. Claro que foi equívoco inadmissível, absurdo, distração brutal, absoluta desatenção, com o agravante da deficiente, ou inexistente, revisão, o pouco ou nenhum controle, etc. Mas tudo isso pode acontecer a qualquer um, é apenas um erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitíssimo mais me chocou, e me horroriza (até porque obviamente consciente e intencional, não um erro), foi, na mesma prova, o teor da questão anterior pedindo que o candidato apontasse “os exemplos de homens éticos com visão filosófica engajada (para além da hipocrisia)” e dando como alternativas: “a) Bush, Olavo de Carvalho, Editora Abril, Inocêncio Oliveira, Roberto Marinho, b) Dalai Lama, Gandhi, Marina da Silva, Frei Beto, D.Helder, c) FHC, Marco Maciel, ACM, Ratinho, Reginaldo Rossi, d) Leonardo Boff, Irmã Dulce, Ariano Suassuna, Betinho, Zilda Arns, e) Dalai Lama, Gandhi, ACM, Frei Beto, Leonardo Boff”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se tratava de um juízo apenas de fato - por exemplo: indicar os que se dedicaram sobretudo às questões sociais - mas de um juízo de valor: quem seria “ético” e quem não seria, quem teria “visão filosófica engajada” e quem não teria, acrescentando-se que essa visão teria de ser “para além da hipocrisia”, ou seja, que algumas das personalidades arroladas poderiam apenas parecer, mas seriam substancialmente hipócritas. Ora, além de gravemente ofender personalidades públicas como sendo “do mal”, ensejando que elas até processem a Universidade por injúria e difamação, - aquele questionamento é completamente inadmissível numa universidade, que deve ser, por excelência, o lugar da liberdade de pensamento e de crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível que eu formule, a respeito deste ou daquele personagem, o mesmo juízo subentendido na redação da questão, mas quero ter sempre a lucidez de distinguir aquilo que é meu pensamento individual (legítimo) daquilo que, como professor, posso exigir dos alunos como critério de aprovação numa prova qualquer. Com que autoridade posso impor a alunos que considerem Bush, Olavo de Carvalho, FHC, ACM, Roberto Marinho, Inocêncio Oliveira, Marco Maciel, por exemplo, como intrinsecamente aéticos, não engajados, hipócritas? E posso, ao contrário, exigir de estudantes que tenham o Dalai Lama, Gandhi, Marina da Silva, Frei Beto, D.Helder, Leonardo Boff, como intrinsecamente éticos, engajados e não hipócritas? Onde fica a liberdade intelectual, o livre convencimento, o juízo honesto que cada um deve, essencialmente, apenas à própria consciência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio dessa prova é particularmente emblemático. É sintoma claríssimo de uma ditadura do pensamento único, o totalitarismo dos que não aceitam senão uma verdade. Se certa corrente prevalecer vultosamente no Brasil, será com isso que teremos de conviver: a imposição de certos modelos de pensamento, a massacrante intolerância em relação a idéias discordantes? Quem não pensar segundo a ideologia oficial será execrado, isolado, excluído? Ao invés, a vida intelectual não se faz autenticamente senão mediante a mais ampla liberdade de investigação e de crítica. Sem ela, a universidade - e de modo especialíssimo a universidade pública (que não tem dono e não se filia a nenhuma confissão filosófica ou religiosa) - não passará de uma farsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez mais é preciso retornar à imortal lição de Voltaire, de “não concordar com uma palavra do que dizeis, mas sustentar até à morte o direito de dizerdes”. Já é gravíssimo se essa questão não foi anulada. Mas nem a anulação basta. Urge que as autoridades universitárias nítida e firmemente repudiem aquele absurdo e tomem providências concretas enérgicas, para que não pareça que os redatores da prova contam, de algum modo, com o beneplácito e a complacência delas, favoráveis, nessa medida, ao totalitarismo intelectual, à ditadura do partido único, à camisa de força imposta ao pensamento livre (que é a suprema dignidade do ser humano).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Luiz Delgado é professor universitário. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-6216794798765824273?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/6216794798765824273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=6216794798765824273' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/6216794798765824273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/6216794798765824273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/04/totalitarismo-universitrio.html' title='Totalitarismo Universitário'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-3654972806138802635</id><published>2007-04-11T09:23:00.001-03:00</published><updated>2007-04-11T09:23:50.222-03:00</updated><title type='text'>Por uma nova doutrina militar</title><content type='html'>Primeiro, a crise da Aeronáutica com os conroladores de vôo; agora, o governador Sérgio Cabral pedindo mais uma vez o apoio do Exército para lidar com a criminalidade do Rio, coisa que os militares não gostam nem sabem fazer. Mas qual deveria ser, na verdade, o papel das forças armadas no Brasil de hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No passado, desde a Guerra do Paraguai, a resposta era que as forças armadas deveriam defender o país de inimigos externos, que, por falta de outros, acabava sendo sempre a Argentina, nos exercícios militares. Com a guerra fria, além do alinhamento militar com os Estados Unidos, surgiu a Doutrina de Segurança Nacional, que não só justificou o controle do “inimigo interno”, os comunistas reais e imaginários, mas a tutela da economia e da sociedade do país como um todo. Depois da volta aos quartéis comandada por Geisel e Figueiredo, é como se tivéssemos voltado aos anos anteriores à guerra fria, com a diferença de que a Argentina era agora nossa parceira no Mercosul. A criação do Ministério da Defesa, comandado por um civil, deveria ser o primeiro passo na definição de uma nova doutrina militar, identificando com clareza a missão necessária e possível para os militares no país. Isto, no entanto, não foi feito nem no governo FHC, nem no atual. Com isto, os militares forem perdendo recursos, administrando equipamentos obsoletos, e sem nenhuma clareza sobre seu papel, que inclusive justificasse os recursos que eles sempre solicitam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos, claramente, de uma nova doutrina militar para o país. Eu nao tenho uma para propor, mas acho que a discussão precisa ser aberta, e existem algumas idéias que  têm circulado, e que deveriam ser aprofundadas. Uma delas é terminar com o serviço militar obrigatório, incompatível com o tamanho da população e das forças armadas, e substituí-lo pelo serviço militar profissional. Segundo, existem missões tradicionais, de segurança externa, que precisam ser dimensionadas, e receber recursos para isto: segurança dos portos, segurança do espaço aéreo, segurança de fronteiras. Com as novas tecnologias, deve ser possível pensar em sistemas muito amplos de vigilância, combinados com forças móveis de rápido deslocamento, quando necessário.  Terceiro, existem áreas de atuação interna que as forças armadas poderiam desempenhar, incluindo a supervisão das polícias estaduais, o controle das áreas de proteção ambiental, e a administração de alguns serviços estratégicos, que poderia incluir até mesmo o controle do espaço aéreo, desde que em um formato distinto da burocracia militar convencional. Depois, existem programas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, inclusive o programa espacial, que necessitariam ser revistos, e, ou interrompidos, ou apoiados com mais determinação. Finalmente, as forças armadas deveriam ser capazes de interferir e agir rapidamente em situações de emergência e desastres naturais, e de mobilizar mais recursos na hipótese remota de alguma ameaça externa significativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto aponta para uma força militar pequena, moderna, profissional e ágil.  A elaboração de uma nova doutrina militar exigiria a participação ativa dos militares, combinada com uma liderança civil capaz de olhar estas questões de um ponto de vista mais amplo, compatível com as necessidades atuais do país e a disponilidade de recursos. Quando é que este tema entrará na pauta?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-3654972806138802635?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/3654972806138802635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=3654972806138802635' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3654972806138802635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3654972806138802635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/04/por-uma-nova-doutrina-militar.html' title='Por uma nova doutrina militar'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-3006564315660972862</id><published>2007-04-09T19:16:00.000-03:00</published><updated>2007-04-09T19:21:30.000-03:00</updated><title type='text'>Mais lenha na fogueira dos computadores!</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Claudio Moura Castro envia o link de matéria recente do Washington Post, colocando em dúvida o impacto dos computadores na educação:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Software's Benefits On Tests In Doubt&lt;br /&gt;Study Says Tools Don't Raise Scores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;By Amit R. Paley&lt;br /&gt;Washington Post Staff Writer&lt;br /&gt;Thursday, April 5, 2007; Page A01&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Educational software, a $2 billion-a-year industry that has become the darling of school systems across the country, has no significant impact on student performance, according to a study by the U.S. Department of Education.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The long-awaited report amounts to a rebuke of educational technology, a business whose growth has been spurred by schools desperate for ways to meet the testing mandates of President Bush's No Child Left Behind law.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/04/04/AR2007040402715.html?hpid=topnews"&gt;Clique aqui para acessar o texto completo&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-3006564315660972862?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/3006564315660972862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=3006564315660972862' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3006564315660972862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3006564315660972862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/04/mais-lenha-na-fogueira-dos-computadores.html' title='Mais lenha na fogueira dos computadores!'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-4206871766447956592</id><published>2007-04-06T17:48:00.000-03:00</published><updated>2007-04-06T17:54:15.041-03:00</updated><title type='text'>Guiomar Namo de Mello: Impacto e uso da tecnologia na educação escolar</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Escreve Guiomar Namo de Mello:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto a bater sempre na mesma tecla: se o professor aprender a usar o computador para ele próprio aprender (qualquer coisa, não necessariamente relacionada com a tarefa de ensino); repito, se o professor perceber o potencial do computador meio caminho está andado para o uso em sala de aula. Desconfio muit dos softwares que só funcionam em situações muito controladas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Entendo porque o uso da internet melhora as coisas. Na Internet o professor está usando a ferramenta para si mesmo antes de usá-la com os alunos. Quanto mais a rede fica enriquecida de conteúdos mais desconfio dos softwares a não ser que se os possa baixar da própria rede para fins que o internauta sabe quais são.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Anexo um papersinho meu sobre o tema. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IMPACTO E USO DA TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO ESCOLAR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guiomar Namo de Mello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janeiro de 2001 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um breve retrospecto do desenvolvimento da tecnologia da informação, permite distinguir pelo menos dois momentos importantes. Esses dois momentos se sobrepõem e ainda estão plenamente vigentes. Um deles  é o que se inicia com o advento do computador e tem seu ponto mais alto no aparecimento do PC – personal computer –  cujo aperfeiçoamento ainda está longe de ser concluído. O segundo começa com as primeiras redes de comunicação que utilizam computadores conectados a um servidor central e desenvolve-se até o ponto atual da www – world wide web – rede mundial de computadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Na primeira fase há um aumento espantoso na rapidez e exatidão com que a informação passa a ser processada, armazenada e editada. Mas o paradigma da produção do conhecimento permanece intocado e principalmente a possibilidade de negociação do significado do conhecimento ainda tem de fazer-se pelas formas tradicionais de interação das quais o telefone e o fax são as mais desenvolvidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O segundo momento trouxe uma mudança epistemológica significativa. É a partir da rede mundial de computadores que se dá uma transformação, ainda em seu início, na maneira como o conhecimento é produzido, organizado, compartilhado e disseminado.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Essa transformação decorre dos recursos que se tornaram disponíveis quando o desenvolvimento da tecnologia da informação viabilizou a rede mundial de computadores. Entre eles destacam-se: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a) ir além do seu próprio arquivo ou banco de dados e conectar-se  com outras formas ou lugares de armazenamento de dados e informações; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(b) mandar e receber informações e interagir por via eletrônica; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(c) cruzar, relacionar, comparar, verificar, desmembrar, separar, reunir, referenciar, indexar, analisar e testar a procedência da análise, extrapolar e simular a extrapolação, e  outras operações intelectuais que se tornam mais rápidas e principalmente possíveis de serem validadas em tempo real; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(d) apresentar para um grande número de interlocutores relevantes o resultado desse trabalho e receber comentários, avaliações, sugestões em tempo real. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Esses dois momentos corresponderam a desafios diferentes dentro da escola. Primeiro foi o de introduzir o computador como uma ferramenta tecnologicamente mais avançada para fazer mais e melhor do mesmo: calcular, fazer tabelas, escrever, descrever, apresentar, representar. Para esse tipo de uso não era necessário repensar o currículo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nesse mesmo período os primeiros softwares educativos já permitiam vislumbrar o potencial que a nova ferramenta tinha para orientar atividades que envolvem a construção de conhecimentos novos a partir de hipóteses ou de dados existentes. No entanto os softwares têm vida limitada, esgotam-se a partir de um tempo  de uso, precisam de substituição e renovação e, principalmente, admitem nenhuma interação ou um pouco dela de modo simulado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O potencial acenado nos softwares educativos multiplica-se quase ao infinito com o advento da rede mundial de computadores: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a) o percurso do estudante para construir conhecimento pode incluir  todo tipo de conteúdo existente na rede desde que alguém oriente e demarque esse percurso; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(b) a construção do conhecimento já não precisa limitar-se a seqüências lineares, ela pode ter uma configuração em rede; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(c) a possibilidade de compartilhar significados com os colegas é potencializada e a interação com o professor presencial ou virtualmente é potencializada.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O uso inteligente de um instrumento dessa natureza requer mudanças no núcleo duro do processo de ensino aprendizagem – o currículo – que por sua vez vão acarretar mudanças na organização escola e da sala de aula. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tradicionalmente organizado em disciplinas rígidas e seriado de modo hierárquico, o currículo que até hoje trabalhamos não é compatível a aprendizagem em rede que a rede mundial de computadores viabiliza. É preciso repensá-lo não apenas no plano da proposta ou projeto curricular como no plano do ensino e da aprendizagem, também chamado de currículo em ação: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a) as disciplinas serão forçadas a se expandir, fronteirizando-se com outras disciplinas do currículo ou com outros campos do conhecimento que até hoje não foram cogitados como objeto de ensino; o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(b) os alunos deverão envolver-se mais em projetos de estudo, projetos de trabalho, projetos de execução ou de produção, cujos temas, objetos de trabalho, ou resultados requeiram o concurso de diferentes disciplinas; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(c) os professores terão que orientar a busca e construção do conhecimento, a análise do disponível, o cotejamento dos pontos de vista e todos os atos sociais e cognitivos que contribuem para construir significados, valores e disposições de conduta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Neste ponto introduz-se a freqüente pergunta: o professor está preparado para esse novo paradigma curricular? A resposta é: provavelmente não. Mas o importante são as razões do despreparo do professor não a sua constatação. Dependendo da explicação que se tenha para a defasagem entre professor e demandas educacionais da sociedade do conhecimento, a solução para superá-la será diferente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O pressuposto deste trabalho é o de que o despreparo da escola e sobretudo do professor se dá em razão da falta de domínio dos objetos sociais do conhecimento que constituem o conteúdo do ensino e das formas de transposição didática desse conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ao destacar a debilidade da formação conteudística e didática do professor esta abordagem distingue-se  daquelas que explicam a defasagem do ensino diante das novas tecnologias, pela ausência de conhecimento, familiaridade e domínio das próprias tecnologias. Para essas abordagens, a solução seria treinar o professor no uso das tecnologias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ao contrário, nossa abordagem aponta que a solução é ampliar e aprofundar os conhecimentos do professor tanto dos objetos de ensino como dos métodos. Trata-se assim de usar as novas tecnologias para formar o professor em contraste com outras iniciativas que se propõem formar o professor para o uso das novas tecnologias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Explicando melhor esse pressuposto de trabalho que é básico: o despreparo do professor para enfrentar os desafios de ensinar e aprender num mundo congestionado de informações, onde o acesso ao conhecimento vai se tornando mais fácil, rápido e prazeroso, não decorre de sua pouca familiaridade com o computador. Decorre de sua fragilidade profissional, sua formação de base que foi aligeirada e de má qualidade, sua cultura geral que é restrita, sua falta de oportunidade para desenvolver a sensibilidade para problemas e tendências da vida contemporânea.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dito pelo lado positivo, um professor que teve oportunidade de construir conhecimentos sólidos sobre sua área de especialidade e como ensiná-la, que possui uma cultura geral ampla e diversificada e uma auto-estima profissional pautada no sucesso, terá facilidade de atender às demandas educacionais de seus alunos ainda que estes estejam conectados permanentemente e que ele, professor, nunca tenha ligado um computador. E, mais ainda, esse professor aprenderá mais rápida e construtivamente a lidar com novas tecnologias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Trata-se portanto de utilizar ao máximo as novas tecnologias da informação para melhorar a formação dos professores, criando oportunidades para que eles aprendam a aprender utilizando conhecimentos de sua área de especialidade: vivam a experiência de construir conhecimento e organizá-lo de modo inovador, expandindo as fronteira disciplinares; estabeleçam relações de aprendizagem colaborada; adquiram hábitos de acessar, processar, arquivar e organizar dados. E mobilizem esses saberes em situações práticas de ensino e aprendizagem nas suas respectivas áreas de conhecimento. Ao colocar as tecnologias da informação a serviço da melhoria da qualidade da formação do professor, essa abordagem metodológica está também preparando o professor para usar as novas tecnologias com seus alunos, em contextos nos quais essas tecnologias estejam disponíveis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-4206871766447956592?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/4206871766447956592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=4206871766447956592' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4206871766447956592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4206871766447956592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/04/guiomar-namo-de-mello-impacto-e-uso-da.html' title='Guiomar Namo de Mello: Impacto e uso da tecnologia na educação escolar'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-2912203032329296921</id><published>2007-04-06T11:36:00.000-03:00</published><updated>2007-04-06T11:39:51.201-03:00</updated><title type='text'>Creso Franco: Para além dos computadores: sobre como  avaliar  a eficácia de programas educacionais</title><content type='html'>O comentário de Claudio toca em um aspecto bastante importante: a diferenca entre resultados de estudos experimentais e de estudos observacionais (surveys). É bem conhecido que estudos observacionais podem representar uma base frágil para inferências causais. Nos EUA, em torno do ano 2000, a crítica aos surveys chegou ao máximo e o governo americano criou o Institute of Education Sciences, órgão de fomento que só financiava estudos experimentais. A atencão redobrada aos estudos experimentais acabou por ajudar a revelar que, muito frequentemente, estudos experimentais e surveys chegam a resultados discrepantes. A primeira reacão foi a de reafirmacão da ênfase exclusiva nos estudos experimentais, que seria o método adequado para a obtencão dos resultados corretos. Os anos (e muito investimento de pesquisadores) trouxeram de volta o bom senso: surveys podem representar problemas para inferências causais, mas os estudos experimentais também não estão livres de sérios problemas. O principal deles é o apontado por Claudio, relacionado com a diferenca entre experimento em pequenas dimensões e implantacão de política pública em larga escala. Há outras limitacões importantes nos experimentos, que fogem ao veio principal desta mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano passado, o Institute of Education Sciences aprovou um grande financiamento para que pesquisadores estudassem o tema da reforma da high school de Chicago, a despeito de os pesquisadores argumentarem explicitamente acerca da inadequacão de randomised trial study face a seus objetivos. Isso seria impensável cinco anos atrás. Consultei hoje &lt;a href="http://ies.ed.gov/funding/"&gt;a página do IES&lt;/a&gt; e observei que o cardápio está muito mais plural.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-2912203032329296921?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/2912203032329296921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=2912203032329296921' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2912203032329296921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2912203032329296921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/04/creso-franco-para-alm-dos-computadores.html' title='Creso Franco: Para além dos computadores: sobre como  avaliar  a eficácia de programas educacionais'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-5814198464851976271</id><published>2007-04-06T11:15:00.000-03:00</published><updated>2007-04-06T11:33:58.720-03:00</updated><title type='text'>Eduardo Chaves: Computadores e Educação</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eduardo Chaves escreve:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caro Simon,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li com atenção as duas matérias sobre computadores e educação distribuídas na sua lista. Resolvi compartilhar com você a minha opinião, baseada em mais de vinte e cinco anos de envolvimento na área. É uma opinião, baseada em observações, leituras, discussões -- não é resultado de pesquisa formal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me evidente que a principal razão pela qual alunos, em geral, não se saem bem na escola não está no fato de que as escolas não fazem uso (bom ou mau) da tecnologia no ensino. Se isso é verdade, introduzir tecnologia na escola, ceteris paribus, claramente não vai resolver o problema da insuficiência ou da má qualidade da aprendizagem dos alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me evidente que a principal razão pela qual alunos, em geral, não se saem bem na escola está no fato de que eles não vêem sentido em aprender aquilo que a escola procura lhes ensinar e não possuem a menor apreciação pela forma em que ela tenta fazer isso. Ou seja, a escola falha, do ponto de vista dos alunos, no conteúdo e na metodologia, no currículo e no método.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente a Microsoft / Headquarters me pediu um parágrafo que justificasse os investimentos da empresa no uso da tecnologia na educação. Mandei-lhes o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"For centuries school education has been content-centered: its focus has been on the delivery of content. Consequently, the important things have been the content (the curriculum), the deliverer of this content (the teacher), the method of delivery (teaching), and the assessment of content assimilation (evaluation). And yet, the world has undergone a profound revolution in the last sixty years. Information is now at our fingertips. Content today ought to be 'pulled', not 'pushed'. In the wake of this revolution, it makes no longer sense for school education to focus on content delivery. Thus we have finally come to the point where school education can and ought to be learner-centric: its focus must be on helping each individual student learn as much as he can about things he needs to learn in order to define his life project and to transform this project into reality, so succeeding in the business of living. To learn is to become capable of doing things we were not able to do before – especially things that are important to us, because they have to do with what we expect out of life. There are many ways of learning: observation and reflection; research; access to observations, reflections and research of others; direct interaction with other people (including parents, teachers and peers). Technology can make all of these ways of learning incredibly more effective – especially when everyone has access to it anytime and anywhere. Today’s technology makes anytime, anywhere learning possible – thus helping people realize their full potential".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo, o problema da escola não está na ausência de tecnologia: está no modelo de educação que ela adota. Ninguém engana os alunos por muito tempo. Se um conteúdo qualquer é percebido como irrelevante e a forma de transmiti-lo é vista como inadequada, usar tecnologia para transmiti-lo&lt;span style="font-style: italic;"&gt;, ceteris paribus,&lt;/span&gt; não vai tornar o conteúdo menos irrelevante nem o ensino menos inadequado. O problema está no conteúdo e no ensino, não na tecnologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Altere-se o modelo -- e a tecnologia "comes to life".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho visto inúmeros pesquisadores que, partindo do pressuposto (válido) de que jovens se interessam por tecnologia e têm facilidade para usá-la, se surpreendem diante do fato de que não há, da parte deles, maior interesse em fazer cursos a distância mediados pela tecnologia do que havia em fazer cursos convencionais. Usar a tecnologia para fazer algo que é percebido como irrelevante e chato não torna esse fazer relevante e agradável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note a matéria de sua primeira mensagem sobre o assunto ("Computers as pedagogical tools in Brazil: A pseudo-panel analysis"): "Computers and software have been gradually introduced as teaching tools in many countries". Introduzidos como o quê? Como "ferramentas de ensino"... Como ferramentas de ensino, computadores (acrescentar "and software" é um primarismo) não vão ter mais sucesso do que o ensino do qual supostamente são ferramentas. Computadores são ferramentas de aprendizagem. Seu potencial está no fato de que nos permitem aprender de inúmeras maneiras, em qualquer lugar, em qualquer momento. Mas mesmo o computador, como ferramenta deaprendizagem, só será eficaz se houver algo que queiramos aprender, algo cujo aprendizado percebemos como importante para aquilo que queremos ser. Fora disso, acredito ser perda de tempo ficar discutindo a questão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-5814198464851976271?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/5814198464851976271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=5814198464851976271' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5814198464851976271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/5814198464851976271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/04/eduardo-chaves-computadores-e-educao.html' title='Eduardo Chaves: Computadores e Educação'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-7098115403342188130</id><published>2007-04-06T05:17:00.000-03:00</published><updated>2007-04-06T05:19:22.712-03:00</updated><title type='text'>Claudio de Moura Castro: sobre o uso de computadores</title><content type='html'>Confirma mais o menos o que já sabíamos para a Europa e US e, de resto, está mencionado na nota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, como tratado na pesquisa, o uso do computador é uma caixa negra. Ninguém sabe quanto é usado e nem como. Sabe-se apenas que parece conflitar com outros focos de atenção que geram resultados acadêmicos melhores. Daí a ineficácia ou resultados negativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande puzzle é o contraste desses resultados com as pesquisas experimentais em condições muito controladas e usando o computador com soft promissores. Pelo que me lembro, os resultados são quase sempre muito positivos. Ou seja, nos dias de hoje as máquinas funcionam e há softs muito inteligentes. Quando olhamos os resultados do seu uso correto, são uma maravilha. Justificam o nosso encanto e fascinação com as promessas do computador na educação. Note que me incluo no grupo dos deslumbrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, parecem universais as dificuldades de passar do contexto experimental e bem feito para a replicação em sistemas de ensino. Saímos das classes conduzidas por professores dedicados e talentosos e passamos para a vala comum da escola. Não há escalabilidade. O que deu certo no micro-cosmo controlado falha no universo cinza das redes escolares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, o problema não parece ser a ineficácia dos usos mais interessantes, mas a conjugação de forças que impede escalabilidade de tais usos. Note um contra-exemplo interessante. As forças armadas do Primeiro Mundo não apenas usam abundantemente os computadores para ensinar, mas também conduzem pesquisas metodologicamente sofisticadas, medindo a sua eficácia. Não tenho acompanhado o resultado de tais pesquisas. Mas é razoável supor que são positivos, pois as forças armadas persistem e intensificam o seu uso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, a escola não sabe usar os computadores e não dá qualquer mostra de que vai aprender. Há fatores poderosos militando para que nada dê certo. Por que dá certo no exército? A resposta parece, desagradavelmente, estar ligada à diferenças de autoridade. No exército, o coronel manda, o sargento obedece e o cabo põe em prática. Nas escolas, seja o que deus quiser. Moral da história? Não ouso formular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao seu prefácio sobre os computadores de 100 dólares. Acho que mudam um pouquinho o cenário. O computador da escola é refém de um sistema que aprisiona o computador e usa como quer, em geral, mal. O de 100 dólares entrega o computador para o aluno que vai usar também como quiser. Só que isso muda totalmente a equação, pois o uso do aluno será diferente. Não há nem certeza e nem qualquer sugestão convincente de que esse uso seja melhor. Mas pelo menos, é diferente. Se me lembro corretamente, o PISA mostrou bons resultados para uso de computador (em casa).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-7098115403342188130?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/7098115403342188130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=7098115403342188130' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7098115403342188130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7098115403342188130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/04/claudio-de-moura-castro-sobre-o-uso-de.html' title='Claudio de Moura Castro: sobre o uso de computadores'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-8755960422867912329</id><published>2007-04-05T12:15:00.000-03:00</published><updated>2007-04-05T12:32:13.587-03:00</updated><title type='text'>Maresa Sprietsma: para que servem os computadores nas escolas?</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um dos projetos do novo Plano de Educação do governo federal é disseminar o uso de computadores e acesso à Internet nas escolas públicas do país,  a um custo ainda desconhecido. Uma das idéias é adquirir o "computador de 100 dólares"  produzido pela Medialab, do MIT, ou um equivalente, e dar um a cada estudante nas escolas públicas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Há uma grande distância, no entanto, entre as esperanças que muitas pessoas colocam nos computadores, como forma de superar as deficiências do ensino, e o que mostram as pesquisas. Maresa Sprietsma, do Centre for European Economic Research em Mannheim,  analisou o impacto do uso de computadores nos resultados do SAEB, e encontrou  que eles têm um efeito &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;negativo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sobre o desempenho em matemática, e nenhum em relação do desempenho em português. Ela nota, no entanto, que as tecnologias e educação podem ser úteis para apoiar o trabalho dos professores,e para que os alunos se familiarizem cm este tipo de equipamento. Trata-se de uma pesquisa em andamento, com resultados ainda provisórios, mas vejam o que ela escreve:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Computers as pedagogical tools in Brazil: A pseudo-panel analysis  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abstract (March 2007) - Work in progress, please do not quote&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Computers and software have been gradually introduced as teaching tools in many countries. Thanks to important public and private investment, the number of schools that have access to computers and internet in the classroom has increased exponentially since the beginning of the nineties. In the US, where this evolution was fastest, the number of students per computer has decreased from 120 to 20 between 1981 and 2000. The percentage of schools that have an internet connection has increased from 5% in 1996 to over 95% in the UK and to over 80% on average in European countries in 2001 (Twining, 2002). In Brazil as well, availability and use of computers and internet in schools represents an important investment and has increased rapidly in recent years. The percentage of teachers that use the computer and internet for pedagogical purposes has increased from 12 to 38 and from 3 to 18 percent respectively between 1999 and 2003. The percentage of schools with a computer laboratory increased from 17 to 35% in the same period (source : SAEB).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The most obvious purpose of introducing computers into the classroom is clearly the promotion of computer literacy, a much-demanded skill on the labour market. However, ‘computer assisted instruction’ (CAI), or the use of computers as a learning tool for acquiring other cognitive skills such as reading or mathematics, has come more and more under attention as well.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;According to psychologists, there are several factors that could contribute to better learning when using the computer as a pedagogical tool. Most frequently quoted are the possibility for each student to learn at its own pace, to focus on its own difficulties rather than to follow a fixed content for the whole class, the possibility of immediate assessment, and resulting increased student motivation (Skinner 1958, Barrow and Rouse 2005). Clearly, there are also potential drawbacks to the use of computers in class. Possible reasons are inadequate software, lack of teacher training and student disruption of learning by side activities on the computer. Indeed, as shown below, there is little evidence that computers improve measured reading or maths skills. Of the four recent papers that try to estimate a causal effect of the use of computers in general, which corresponds better to our approach, three yield insignificant or negative effects of increased computer use on test scores. Goolsbee and Guryan (2004), using exogenous variation in funding for internet access in schools in the US, find no evidence of any effect of the availability of additional internet access on student performance. Angrist and Lavy (2002), using random additional funding for ICT in Israel, find no significant effect on 8th grade  test scores, and a significant negative impact on 4th grade maths scores. Leuven et al.(2004), based on a regression discontinuity design, also find a negative effect of investing in educational software on pupil reading and maths test scores in disadvantaged primary schools in the Netherlands. These papers conclude that computer-based instruction methods seem less effective than traditional ones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The question we would like to answer empirically is whether the availability and use of computers and the internet (ICT ) for schools is effective in improving test scores in maths and reading. We use Deaton’s pseudo-panel estimator on SAEB repeated cross-section data to estimate the effect of the availability and use of ICT in schools in Brazil on pupils’ performance. More precisely, we estimate the effect of the availability of a computer laboratory in school and the use of computers and internet as pedagogical resources by the teacher on 8th grade pupils’ test scores. We find that the availability of a computer laboratory affects test scores negatively in both disciplines and particularly in Maths. A possible interpretation is the existence of a trade-off between investing in a computer lab versus other more effective pedagogical means for schools and, for pupils, between sitting in the lab rather than doing other activities.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The impact of the use of computers by the teacher as a pedagogical resource depends on the discipline. While Portuguese test scores are not affected by the use of computers as a pedagogical resource, Mathematics test scores are significantly lower in cohorts where more teachers use computers. These results are in line with some recent studies in Europe and the US that find non significant or negative effects of the availability of ICT in schools, especially on mathematics test scores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But we also find that the use of the internet as a pedagogical resource by the teacher has a significant positive impact on pupils’ test scores in both disciplines in Brazil. Therefore, we may conclude that although merely investing in ICT equipment such as computer laboratories does not seem to improve test scores, there seems to be scope for teachers using the internet as a pedagogical resource. Moreover, we should not forget that ICT in schools also promotes computer literacy, a much demanded skill on the labour market. The ineffectiveness of ICT in schools as a means to learn maths and reading is therefore not a sufficient reason to ban ICT from schools.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maresa Sprietsma&lt;br /&gt;Centre for European Economic Research&lt;br /&gt;Department of Labour Markets, Human Resources and Social Policy&lt;br /&gt;L7, 1&lt;br /&gt;68161 Mannheim (Germany)&lt;br /&gt;sprietsma@zew.de&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-8755960422867912329?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/8755960422867912329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=8755960422867912329' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8755960422867912329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8755960422867912329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/04/maresa-sprietsma-para-que-servem-os.html' title='Maresa Sprietsma: para que servem os computadores nas escolas?'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-6210944088776336718</id><published>2007-03-25T08:04:00.000-03:00</published><updated>2007-03-25T08:14:46.239-03:00</updated><title type='text'>Textos preliminares</title><content type='html'>Estou disponibilizando as versões preliminares de alguns novos textos, que podem ser de interesse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Understanding transplanted institutions: an exercise in comtemporary history and cultural fragmentation.&lt;/span&gt; Preliminary version, prepared for the forthcoming Festschrift in honor of Guy Neave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Coesão social, democracia e corrupção.&lt;/span&gt; Texto preliminar, preparado para o projeto sobre Coesão Social do Instituto Fernando Henrique Cardoso e CIEPLAN – Corporación de Estudios para Latinoaérica, Santiago, Chile&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;The National Assessment of Courses in Brazil,&lt;/span&gt; paper prepared for the Public Policy for Academic Quality Research Program, The University of North Carolina at Chapel Hill, Department of Public Policy (revised version, preliminary text)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nota sobre o patrimonialismo e a dimensão pública na formação da América Latina contemporânea.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O déficit educacional e a Educação de Jovens e Adultos &lt;/span&gt;(com Alvana Bof). Preparado por solicitação do Instituto X-Brasil. Versão preliminar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os textis estão &lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/pub_artigos.htm"&gt;disponíveis no meu site.&lt;/a&gt; Comentários são benvindos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-6210944088776336718?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/6210944088776336718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=6210944088776336718' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/6210944088776336718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/6210944088776336718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/03/textos-preliminares.html' title='Textos preliminares'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-7485724984244073904</id><published>2007-03-16T08:10:00.000-03:00</published><updated>2007-03-16T15:01:59.712-03:00</updated><title type='text'>Enquanto isto... (a Democracia dos Tolos)</title><content type='html'>Ninguém deu muita importância à notícia de que vai haver um plebiscito no Maranhão para dividir o Estado em dois, e que esta decisão republicana e democrática, de ouvir o povo, é de inspiração do Senador Sarney, eleito também democraticamente pelo Amapá, aonde nunca viveu, e cujo grupo está ameaçado de perder definitivamente o controle sobre o velho Maranhão. Com o novo Estado a ser criado, teremos mais um governador, vice-governador, três senadores, deputados federais, uma nova assembléia legislativa estadual e não sei quantas secretarias, tribunal de contas, e muitos empregos públicos,  todos a serem distribuidos pelo clã Sarney a seus amigos e associados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta generosidade democrática com o dinheiro público é uma reedição tardia da orgia de criação de novos municípios ocorrida nos anos 90 em todo o país. O mecanismo era parecido. Organizava-se um plebiscito, o povo votava pela criação do novo município, que criava sua câmara de vereadores, etc., e passava a ser sustentado com um novo rateamento do dinheiro do Fundo de Participação dos Municípios. O município que era desmembrado, digamos, em duas partes, não perdia 50% dos seus recursos, mas somente uma pequena parcela, da mesma forma que os demais no Estado, em função do novo rateamento do dinheiro, mas, em compensação, passava a ter muito menos gente a quem atender. Então, o negócio era seguir desmembrando os municípios, e brigar para que o Fundo de Participação continuase a sustentá-los. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma verdadeira democracia, a autonomia de estados e municípios deve estar associada à capacidade que eles tenham de gerar recursos através de impostos, e a uma avaliação de se esta é, realmente, a maneira pela qual preferem gastar seus impostos. Em nossa democracia de tolos, todos votam e participam alegremente, e depois mandam a conta para a viúva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-7485724984244073904?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/7485724984244073904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=7485724984244073904' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7485724984244073904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7485724984244073904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/03/enquanto-isto-democracia-dos-tolos.html' title='Enquanto isto... (a Democracia dos Tolos)'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-7944125939708101837</id><published>2007-03-16T07:19:00.000-03:00</published><updated>2007-03-16T08:10:50.844-03:00</updated><title type='text'>Rumo certo na Educação</title><content type='html'>É bom poder dizer, depois de tantos anos de críticas, que o governo Lula está apontando no rumo certo com o "pacote" educacional anunciado ontem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três coisas, sobretudo, me chamam a atenção. A primeira é reconhecer, claramente, que os problemas da educação brasileira estão dentro da escola, e não fora dela. Parece óbvio, mas a ênfase até aqui tinha sido em campanhas de alfabetização, educação de jovens e adultos e cotas raciais, políticas de resultados duvidosos e que não lidavam diretamente com o que passa dentro do sistema de ensino. Agora, a ênfase é nas escolas e redes locais, que passam a receber estímulos e apoio em função dos resultados da educação que proporcionam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda é a exigência de que todas as crianças até 8 anos sejam alfabetizadas, associada a uma "provinha" de alfabetização a esta idade. Antigamente, as crianças que não se alfabetizavam repetiam a primeira série, e terminavam muitas vezes por abandonar a escola sem aprender. Com a introdução dos ciclos longos, para reduzir a repetência, surgiu a idéia totalmente equivocada de que as crianças não deveriam ter metas e prazos claros para se alfabetizar. Agora é possível ir adiante. Não se trata de voltar à repetência, mas de formar os professores para que utilizem os métodos adequados para que todas as crianças se alfabetizem na idade correta, como em outras partes do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira é a extensão do bolsa escola para os jovens de 16 e 17 anos. Anos atrás, fiz uma análise que mostrava claramente que a bolsa educação, assim como sua sucessora, a bolsa família, era praticamente inóqua do ponto de vista educacional, porque as crianças até 14-15 anos de idade normalmente ficavam na escola com ou sem bolsa, e a deserção começava a partir daí, quando as bolsas deixavam de existir (&lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/simon/2006_Bolsaesc.pdf"&gt;o texto pode ser visto aqui&lt;/a&gt;). Agora, finalmente, o grupo crítico está recebendo a atenção que necessita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo vai depender, naturalmente, da implementação, e existem ações sobre as quais tenho dúvidas - como, por exemplo, de apoiar as universidades públicas em função de sua expansão e introdução de cursos noturnos, sem referência a conteúdos e à qualidade do que é ensinado. Mas há uma evidente disposição de ouvir, corrigir rumos e acertar, e isto é o mais importante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-7944125939708101837?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/7944125939708101837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=7944125939708101837' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7944125939708101837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7944125939708101837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/03/rumo-certo-na-educao.html' title='Rumo certo na Educação'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-1142443194078203602</id><published>2007-03-05T11:18:00.000-03:00</published><updated>2007-03-05T20:15:53.217-03:00</updated><title type='text'>O Enigma do ENADE (2)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/Rewm_ZTVHvI/AAAAAAAAAAU/qOXkIsr4sCs/s1600-h/enade.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/Rewm_ZTVHvI/AAAAAAAAAAU/qOXkIsr4sCs/s320/enade.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5038444953686318834" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estive revendo as informações disponíveis sobre o ENADE, para um texto que deve ser publicado brevemente (&lt;a href="http://www.schwartzman.org.br/provao2.pdf"&gt;a versão preliminar está aqui&lt;/a&gt;). O quadro ao lado, referente aos cursos de medicina nos dois exames, mostra algo que eu já havia assinalado, que é que os resultados do ENADE são em geral muito mais altos do que os do Provão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu não havia entendido claramente antes é que estes resultados se explicam pela maneira pela qual os conceitos finais do ENADE são calculados. O INEP &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;soma&lt;/span&gt; os conceitos da prova de conhecimentos  específicos dos alunos que entram com o dos alunos que saem, e ainda com os resultados médios de todos, que entram e saem, na prova geral. As provas têm pesos diferentes - 15%, 60% e 25%, respectivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é muito curioso, porque a idéia, ao examinar alunos que entram e que saem, era ver quanto os cursos adicionavam de conhecimentos aos alunos ao longo dos anos, descontando o efeito da qualificação inicial, ou seja, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;subtraindo &lt;/span&gt;um do outro. Assim, por exemplo, se os alunos que entram tivessem o conceito 30, e ao sair o conceito 80, o ganho seria de 50: mas, se os alunos entrassem com 70, e terminassem com 80, o ganho seria só de 10, e o primeiro curso seria considerado muito melhor do que o outro.  Como o ENADE soma os dois resultados, o segundo curso acaba tendo um resultado final melhor, porque os alunos já entram mais qualificados (não usei os pesos nas continhas acima para simplificar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontrei nenhuma explicação de porque o ENADE faz isto, mas a consequência é clara: a avaliação tende a favorecer as instituições mais seletivas, em geral públicas, e prejudicar as que recebem alunos com pior formação, em geral privadas. Enquanto  o provão só media o resultado final,  e por isto era criticado, o ENADE piora a situação; só dá um peso de 60% ao resultado, final e dá um bonus às instituições mais seletivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relatório técnico do ENADE 2005, disponível no site do INEP, apresenta um esforço interessante de calcular o valor adicionado pelos cursos em função das características dos alunos que entram, como deve ser. Mas os resultados só são mostrados de forma agregada, não por cursos, e é impossível interpretar o sentido dos números que são apresentados. Que significa, por exemplo, dizer que determinados cursos acrescentam 5, 10 ou 20 pontos aos alunos ao longo de 4 anos? Isto é satisfatório, muito ruim, ou ótimo? Justifica ou não o tempo e dinheiro investidos, dos alunos  e da sociedade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ENADE tem outros problemas metodológicos graves, que eu discuto no meu texto. A impressão clara é que são vícios de origem e concepção, que não têm como ser sanados por análises estatísticas posteriores, embora competentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-1142443194078203602?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/1142443194078203602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=1142443194078203602' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/1142443194078203602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/1142443194078203602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/03/o-enigma-do-enade-2.html' title='O Enigma do ENADE (2)'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_QiS7NmwxcOc/Rewm_ZTVHvI/AAAAAAAAAAU/qOXkIsr4sCs/s72-c/enade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-7476829081612546648</id><published>2007-02-22T08:55:00.000-02:00</published><updated>2007-02-22T09:03:50.024-02:00</updated><title type='text'>Laura Randall e Maria Ligia Barbosa: O impacto da cor na educação</title><content type='html'>Laura Randall e Maria Lígia Oliveira Barbosa acabam de publicar os resultados de uma importante pesquisa sobre  “O impacto da cor sobre o desempenho dos estudantes segundo as características da família e o contexto da escola”, realizada em Belo Horizonte, que está disponível no site do &lt;a href="http://www.brazilink.org/education.asp"&gt;Brazilink&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o resumo do estudo (escrito pelas autoras, mas editado por mim):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo  focaliza o impacto das condições sócio-econômicas, da cor do estudante e de variáveis escolares sobre as notas em linguagem e matemática dos estudantes de 4ª série em escolas municipais e estaduais de Belo Horizonte, Minas Gerais. Examinam-se os fatores que poderiam explicar os escores 8% mais elevados entre os brancos em relação àquele dos não-brancos, analisando o impacto da condição sócio-econômica da família, da escolaridade média dos membros da família, inclusive os pais, as condições socioeconomicas da família, da média dos estudantes na sala de aula, e outros fatores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observa-se que a cor do estudante é mais importante que o nível sócio-econômico para o desempenho em matemática para os indivíduos, mas a condição sócio-econômica média na sala de aula tem poder explicativo maior.  O impacto da cor no desempenho do estudante em matemática decresce quando as características da família, percepção do diretor sobre os obstáculos ao aprendizado, características do diretor e estilo de gestão são incluídos. Mas aumenta quando variáveis relativas à participação da comunidade no planejamento escolar, às características da professora e da diretora, ao estilo docente e às características físicas da escola são incluídas. Padrão similar foi encontrado para notas em linguagem, com exceção das variáveis familiares e uso de estilo docente construtivista, que diminuem o impacto da cor no desempenho do estudante e aumenta esse desempenho nas classes que se situam no terço inferior do desempenho médio em linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os achados foram consistentes com a hipótese inicial de que o impacto da cor difere segundo o aspecto da escolarização que se considera e de acordo com as categorias, individuais ou agrupadas, que se analisa. Numa interpretação panorâmica, podemos dizer que as condições socioeconômicas foram mais relevantes que a cor no caso os dados sobre educação em Belo Horizonte, tanto para as características individuais quanto para a média dessas características na sala de aula. O resultado sugere que políticas públicas deveriam focalizar nas condições sócio-econômicas – no caso, habitação, que é o maior componente do indicador de condição social no nosso survey – tanto quanto na dimensão educacional: o ponto a destacar, em relação a essas políticas públicas, seria a identificação de elementos do funcionamento das escolas e dos métodos didáticos que podem reduzir ou aumentar o impacto da cor sobre o desempenho dos estudantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-7476829081612546648?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/7476829081612546648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=7476829081612546648' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7476829081612546648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7476829081612546648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/02/laura-randall-e-maria-ligia-barbosa-o.html' title='Laura Randall e Maria Ligia Barbosa: O impacto da cor na educação'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-8737083460934685516</id><published>2007-02-19T12:03:00.000-02:00</published><updated>2007-02-19T12:09:45.305-02:00</updated><title type='text'>Jacques Schwartzman: ainda a "relevância social" de cursos superiores</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O jornal O Estado de Minas publicou no dia 19 de fevereiro o seguinte artigo, de Jacques Schwartzman, professor da UFMG:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recém editada Portaria 147 do MEC estabelece novos procedimentos para a abertura de Cursos de Direito e de Medicina, dentre elas a "demonstração de relevância social, com base na demanda social" e observados parâmetros de qualidade e no caso da Medicina "a demonstração de integração do Curso com a gestão local e regional do Sistema Único de Saúde”. Ambos os cursos ser também avaliados pela OAB e pelo Conselho Nacional de Saúde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta Portaria, aparentemente, reflete o entendimento de que há cursos em excesso e muitos de má qualidade nestas áreas. Mas isto não acontece também em outras áreas tais como Administração e Educação ? Para entender a motivação da Portaria só mesmo se valendo da força  da OAB e do CNS que notoriamente tem se destacado na defesa de seus interesses corporativos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra questão é a de se indagar porque existe um mesmo tratamento para cursos do setor público e privado. Para os primeiros vale a preocupação com a relevância social pois trata-se da alocação de recursos públicos que devem ser alocados com a máxima eficiência. Cabe ao governo estimular os setores mais estratégicos para o País e dar estímulos para a sua viabilização. Mas, qual é a lógica de interferir diretamente no setor privado, além da verificação da qualidade e de sua publicização aos interessados? Que mal há em formar mais médicos e advogados de que se precisa? Os que não conseguirem ocupação de acordo com a sua formação podem se dedicar a trabalhos correlatos como administradores, pesquisadores, professores, representantes comerciais, etc. O fato é que ao restringirem a oferta beneficiam os que permanecem com poderes oligopolísticos que elevam preços (consultas médica e honorários, por exemplo) diminuem a concorrência e cerceiam o acesso daqueles que desejam ingressar na profissão. Para estabelecer um mínimo de qualidade para o exercício da profissão pode-se aperfeiçoar e disseminar o Exame de Ordem da OAB e introduzir o mesmo tipo de Exame para os que quiserem exercer a medicina, como já se faz experimentalmente, de forma voluntária, em São Paulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama a atenção também a necessidade de integração ao SUS, como se não houvesse lugar também para um atendimento médico privado de alto custo ou mesmo para formar pesquisadores. Em síntese, "relevância social" deve ser critério quando há utilização de recursos públicos e deve ser aplicado para Instituições de Ensino Superior mantidas pelo governo federal e estadual. Quanto ao setor privado, basta certificar-se de sua qualidade e informar ao publico os resultados da avaliação como se pretende fazer quando o SINAES estiver completo. O setor privado já vem demonstrando sua flexibilidade ao diminuir o ritmo de crescimento das matrículas, aumentar a oferta de cursos tecnológicos , fechar alguns cursos, como os de Economia e diminuir o valor das mensalidades. Resta analisar alguns aspectos formais. As Universidades, em princípio têm autonomia para criar novos cursos que somente serão reconhecidos após em média tres anos de sua implantação. Esta é a prática para todos os outros cursos, inclusive Odontologia e Psicologia na área médica e não há como explicar logicamente a exceção atribuída aos dois cursos aqui tratados. Uma outra consideração refere-se à obrigatoriedade dos Conselhos Estaduais de Educação de seguirem a mesma diretiva, já que foi instituída por uma Portaria do MEC e não por um decreto ou por uma lei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-8737083460934685516?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/8737083460934685516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=8737083460934685516' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8737083460934685516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/8737083460934685516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/02/jacques-schwartzman-ainda-relevncia.html' title='Jacques Schwartzman: ainda a &quot;relevância social&quot; de cursos superiores'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-2283451632278241515</id><published>2007-02-14T12:12:00.000-02:00</published><updated>2007-02-14T12:25:50.082-02:00</updated><title type='text'>A responsabilidade criminal dos jovens</title><content type='html'>O assassinato brutal de uma criança, arrastada pelas ruas por assaltantes no Rio de Janeiro, volta a colocar em pauta a questão da imputabilidade legal dos menores. Será que tornar os jovens a partir de 16 anos responsáveis pelos seus crimes melhoraria a situação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoalmente, acho que não deveria haver uma regra única.  Os rapazes que chegaram a este nivel de violencia dificilmente se recuperam. Como disse a mãe da criança assassinada, eles já não têm coração. Na maioria dos casos, eles saem da prisao diretamente de volta para atividades criminosas, inclusive porque nao conseguiriam trabalho. Como regra geral, é claro que os menores devem ter um tratamento diferenciado, voltado para a recuperação, como diz a legislação brasileira, mas os juizes deveriam ter um certo espaço para decretar punições mais severas em situaçoes extremas - acho que é assim na Inglaterra e em outros países.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o problema é muito mais sério, e nao se alteraria com uma simples mudança de legislaçao - milhões de jovens que nunca conseguirão entrar no mercado de trabalho por nao terem um minimo de competência, e criados em uma cultura de marginalidade e criminalidade nas grandes cidades.  E o sistema prisional, tanto para menores quanto para maiores, é um desastre, já é imenso, e só fortalece a cultura da criminalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta stiuação não tem solução de curto prazo, mas precisa ser enfrentada por vários lados ao mesmo tempo. O mais importante, e mais difícil, é criar condições para que os jovens nao entrem na atividade criminosa. Isto depende de educação, e também de melhorar a condição de vida nas comunidades em que este jovens nascem e crescem. Ao mesmo tempo, é preciso reduzir a impunidade.  Grande parte dos crimes que ocorrem não são punidos, e os benefícios do sistema progressivo que permite o regime semi-aberto  a liberdade condicional, que deveriam ser individualizados, acabam sendo aplicados a todos. E finalmente, o sistema prisional, tanto para menores quanto para maiores, precisa ser melhorado, dando condições efetivas de recuperaçao para a maioria dos presos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como estas coisas nao sao feitas, o que acaba predominando é o pior dos mundos: a violência policial e das "milícias," com o assassinato diário de grande número de jovens, criminosos ou não. Não há de ser uma simples mudança de legislação que vai resolver isto. Mas é claro também que a atual legislação não ajuda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-2283451632278241515?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/2283451632278241515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=2283451632278241515' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2283451632278241515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2283451632278241515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/02/responsabilidade-criminal-dos-jovens.html' title='A responsabilidade criminal dos jovens'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-3447210522085244553</id><published>2007-02-13T07:02:00.000-02:00</published><updated>2007-02-13T04:44:43.108-02:00</updated><title type='text'>Ainda sobre a "necessidade social"</title><content type='html'>Recentemente, o Ministério da Educação aprovou a criação de dois cursos de medicina em São Paulo, das Universidades Anhembi-Morumbi e Paulista, cujos pedidos de autorização ficaram retidos por dois anos por uma suposta falta de “necessidade social”, embora não houvesse dúvida sobre sua qualidade.  Edson Nunes, do Conselho Nacional de Educação, escreveu os pareceres mostrando, com dados, a impossibilidade de utilizar este critério. O Ministério da Educação concordou, tanto que acabou aprovando a criação dos cursos, mas agora volta à carga, por decreto, com a mesma idéia da necessidade social. Os pareceres do CNE, de número CNE/ CES 321/2004 e CNE/CES 322/2004,  são públicos, e estão &lt;a href="http://portal.mec.gov.br/cne/index.php?option=content&amp;task=view&amp;id=148&amp;Itemid=246#2004S"&gt;disponíveis na Internet&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-3447210522085244553?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/3447210522085244553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=3447210522085244553' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3447210522085244553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/3447210522085244553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/02/ainda-sobre-necessidade-social.html' title='Ainda sobre a &quot;necessidade social&quot;'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-7238260527620996770</id><published>2007-02-12T17:23:00.000-02:00</published><updated>2007-02-11T10:20:37.857-02:00</updated><title type='text'>Claudio Moura Castro: o SAEB e as ofensas raciais</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Cláudio de Moura Castro escreveu a seguinte nota, com o título de "Pena que meu livro de método científico já tenha sido publicado!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dias 8 e 9 de fevereiro o Estadão publicou duas matérias sobre educação. Se a publicação tivesse sido há um ano atrás, ambas estariam incluídas, como exemplos, na nova edição do meu livro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A prática da pesquisa&lt;/span&gt; (Rocco). Infelizmente para o Estadão, seriam exemplos de erros clássicos na interpretação de dados.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;O SAEB&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 9, a matéria mostra uma queda nos escores do SAEB, desde 1995 até o presente.  Várias tabelas indicam curvas decrescentes para as pontuações. Os gráficos parecem não deixar dúvidas quanto à queda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1954, Darrell Huff publicou um livro que virou um clássico. Há novas edições à venda e os cursos de estatística aplicada ou métodos de pesquisa o citam ou citam idéias dele derivadas. O livro chama-se &lt;span style="font-style:italic;"&gt;How to lie with Statistics (Como mentir com estatísticas)&lt;/span&gt;. Seu principal objetivo é mostrar como são manipuladas as apresentações gráficas das estatísticas, com o objetivo de demonstrar aos incautos a tese do autor, seja para dar a impressão de grandes variações, seja para minimizá-las. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos principais truques é manipular a escala dos eixos. Se usamos uma escala onde as variações são medidas por distâncias pequenas, parece que houve pouca mudança. Se são medidas por espaços grandes, parece que há alterações dramáticas nos dados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso, as tabelas apresentadas amplificam as variações observadas, mediante o estratagema de apresentar uma escala expandida no eixo vertical. É fácil desmascarar o truque, bastando notar que o rendimento zero não aparece na tabela. Na altura do eixo horizontal, a pontuação já é de 170. Se o eixo horizontal fosse deslocado para baixo, até chegar ao zero, a tabela se espicharia pela página do jornal abaixo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa tabela gigantesca – ou uma outra menor com a mesma proporcionalidade – mostraria resultados bem diferentes. Uma queda de dez pontos no SAEB significa uma queda de apenas 5% na pontuação. E é dessas ordens de variações que estamos falando. Variações de 5% estão dentro das margens de erro, resultantes da imprecisão dos testes e de seus mecanismos de comparabilidade. Ou seja, o SAEB não parece mostrar uma queda estatisticamente significativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ofensas racistas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fomos também brindados com uma matéria mostrando como as ‘ofensas racistas afetam o desempenho escolar’. O artigo sumaria uma pesquisa da Unesco. Como leitor do jornal, temos o direito de julgar o que foi publicado. Se os erros porventura encontrados são da Unesco ou da resenha, não é nosso problema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resumo, os seguintes argumentos foram apresentados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. As crianças negras são alvos de ‘apelidos, comentários discriminatórios e ofensas’ nas escolas brasileiras. A matéria cita exemplos de tais situações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Como resultado, há uma diferença de pontuação entre brancos e negros nos testes escolares, com ampla desvantagem para os negros. Ou seja, a discriminação causa prejuízos nos resultados escolares dos negros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os manuais de metodologia científica nos advertem contra o erro conhecido como &lt;span style="font-style:italic;"&gt;post hoc, ergo propter hoc&lt;/span&gt; que significa simplesmente, ‘se vem depois terá sido causado por’. Como há racismo, este será o culpado pelas diferenças entre brancos e negros. O erro é que associações desse tipo não demonstram causação. A causa pode estar em outras bandas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É hipoteticamente possível que as ironias e ofensas possam levar a um desempenho inferior dos negros. Mas há que demonstrar que é isso e não muitas outras possíveis causas. Como tal não foi feito, não ficou demonstrada a tese. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das possíveis hipóteses é mencionada - e desprezada - no último parágrafo. Por tudo que sabemos, o mais forte determinante dos resultados escolares é bastante bem capturado pela educação dos pais. É a qualidade da experiência escolar prévia, é o ‘capital intelectual’ da família e diversas outras variáveis que militam para reduzir o rendimento acadêmico dos pobres. Quando comparamos alunos cujos pais têm a mesma escolaridade, as diferenças de pontuação entre brancos e negros diminuem enormemente. Isso porque, em média, os pais dos alunos negros têm menos escolaridade do que os dos brancos. Portanto, grande parte das diferenças de rendimento dos negros não são devidas ao tratamento que recebem dos colegas, mas do fato de serem pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as diferenças não desaparecem apenas controlando escolaridade dos país. O que sobra, bem menos, pode resultar dos apelidos e comentários. Pode também resultar de uma auto-imagem negativa, herdada dos pais ou de muitos outros fatores. Mas também pode resultar da nossa incapacidade estatística para capturar toda a ‘cultura da pobreza’, devido às imperfeições de medidas como educação dos pais. Por exemplo, verificou-se nos Estados Unidos que quando controlamos não a escolaridade mas a pontuação dos pais em testes de rendimento escolar, as diferenças entre raças desaparecem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras, a afirmativa de que ‘ofensas racistas afetam o desempenho escolar’ é uma excelente manchete para uma matéria de jornal. Infelizmente, não é uma afirmativa confirmada pela evidência mostrada. Pelo contrário, há falhas graves na argumentação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-7238260527620996770?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/7238260527620996770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=7238260527620996770' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7238260527620996770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/7238260527620996770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/02/claudio-moura-castro-o-saeb-e-as.html' title='Claudio Moura Castro: o SAEB e as ofensas raciais'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-6690689600585151975</id><published>2007-02-11T07:50:00.000-02:00</published><updated>2007-02-11T07:17:32.543-02:00</updated><title type='text'>Mercado e qualidade da educação: os exemplos lá fora</title><content type='html'>- Na Inglaterra, o governo cria um novo programa para aumentar dramaticamente os recursos públicos e privados das universidades de elite, conforme artigo no &lt;a href="http://observer.guardian.co.uk/uk_news/story/0,,2010586,00.html?gusrc=rss&amp;feed=1"&gt;The Guardian&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nos Estados Unidos, a Universidade de Phoenix, maior instituição privada do país, voltada para estudantes que trabalham, enfrenta problemas de qualidade, segundo o &lt;a href="http://www.nytimes.com/2007/02/11/education/11phoenix.html?ex=1328850000&amp;en=5c8573d57de4bffe&amp;ei=5088&amp;partner=rssnyt&amp;emc=rss"&gt;New York Times&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-6690689600585151975?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/6690689600585151975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=6690689600585151975' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/6690689600585151975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/6690689600585151975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/02/mercado-e-qualidade-da-educao-os.html' title='Mercado e qualidade da educação: os exemplos lá fora'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-2207860692695528498</id><published>2007-02-11T07:03:00.000-02:00</published><updated>2007-02-11T07:02:39.812-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='universidades  mercado avaliação'/><title type='text'>Mercado e qualidade da educação</title><content type='html'>Minha crítica à intervenção das corporações de médicos e advogados na autorização de cursos superiores, estabelecida por decreto pelo Ministério da Educação, foi entendida por algumas pessoas (que mandaram comentários anônimos, e por isto não publicados) como que se eu estivesse dizendo que o mercado, por si mesmo, garante a qualidade. Mas eu não penso isto, e não foi isto que eu escrevi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário, acho muito importante que existam sistemas de controle de qualidade, que incluem desde as diferentes modalidades de avaliação de cursos até as formas de avaliação da qualificação dos formados, como é feito por exemplo pelo Exame de Ordem da OAB e certificações da área médica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que critiquei, especificamente, foi o uso do tal "critério social" na autorização de cursos privados. Por este critério, um projeto excelente de criação de uma nova faculdade de direito ou de medicina, sem custos para o setor público, pode ser vetado se os advogados ou médicos acharem que já tem faculdades demais naquela localidade. Isto não é controle de qualidade, é controle de mercado, da mesma forma que antes se proibia a abertura de uma padaria se tivesse outra por perto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-2207860692695528498?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/2207860692695528498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=2207860692695528498' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2207860692695528498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2207860692695528498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/02/mercado-e-qualidade-da-educao.html' title='Mercado e qualidade da educação'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-6053921562846034861</id><published>2007-02-08T21:49:00.000-02:00</published><updated>2007-02-08T11:04:38.940-02:00</updated><title type='text'>Retrocessos</title><content type='html'>UNESCO e IPEA:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Jornal O Globo de hoje, dia 8 de feverero, publicou a seguinte carta de Yvonne Maggie:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Globo de 7 de fevereiro  divulgou uma pesquisa da Unesco e do Inep que aponta para uma defasagem no desempenho escolar de estudantes “brancos” e “negros”. Que “negros” e “brancos” são esses? São as crianças e jovens que se autodeclararam? Foram os mestres ou os pais que responderam os questionários do censo escolar? E onde foram parar os “pardos”? A solução proposta pelos pesquisadores  é “tratar desigualmente os desiguais”. O que significa isso? Abolir a escola universal? Fazer turmas separadas para “negros” e “brancos”? Currículos diferenciados? Espantoso que a Unesco e o Inep que têm tido uma tradição de luta pela universalização da escola no Brasil estejam agora propondo separar supostas “raças”.  Diante dos enormes desafios da educação no Brasil convém mesmo criar uma nova “pedagogia racial” ensinando às crianças desde cedo que há duas “raças” no Brasil cada qual com a sua especificidade intrínseca?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;---------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SAEB e ENEM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os jornais noticiaram a grande queda nos resultados das provas de conhecimento do Ensino Básico (SAEB) e do ENEM. Esta queda acompanha outros indicadores preocupantes que já vinham sendo observados, particularmente em relação ao ensino médio: o sistema parou de crescer, embora a cobertura seja ainda muito pequena; a deserção escolar aumentou;  e as taxas de repetência, que haviam caido na década de 90, já não caem mais. Parece que ninguém sabe o que fazer com esta tragédia nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INDEC - Na Argentina, o governo não gostou dos dados da inflação divulgados pelo equivalente ao IBGE de lá, o INDEC, e demitiu a coordenadora dos índices de preços, colocando em seu lugar uma pessoa de sua confiança. Lá, como aqui, a agência nacional de estatística é uma repartição pública como outra qualquer, e o governo tem autoridade para nomear e demitir quando e quem quiser. Já o dano que isto provoca para a credibilidade do país são outros quinhentos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-6053921562846034861?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/6053921562846034861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=6053921562846034861' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/6053921562846034861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/6053921562846034861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/02/retrocessos.html' title='Retrocessos'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-4200181232293059418</id><published>2007-02-06T09:52:00.000-02:00</published><updated>2007-02-06T10:09:59.113-02:00</updated><title type='text'>Retrocessos da educação superior</title><content type='html'>Duas noticias recentes mostram que estamos andando de lado, ou para trás, com nosso ensino superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No nível federal, o governo finalmente cedeu à pressão da OAB e do Conselho Nacional de Saúde para controlar a criação de novos cursos de direito e medicina no país (ainda que o Ministério da Educação mantenha a palavra final). Aparentemente, uma medida saneadora, porque de fato existem muitos cursos de má qualidade, e as entidades dos advogados e médicos podem e devem avaliar os cursos existentes e seus diplomados. Mas, por outro lado, aparece a tal exigência de "demonstração da relevância social, com base na demanda social e sua relação com a ampliação do acesso à educação superior, observados parâmetros de qualidade". Isto é controle de mercado puro e simples. Se o curso é bem avaliado e financiado com recursos privados, não cabe ao governo, e muito menos às corporações de classe, decidir se ele deve ou não ser criado. Com isto, simplesmente, consolida-se o monopólio ou oligopólio de quem já está estabelecido, e fecham-se oportunidades para novas iniciativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isto, em São Paulo, o governo retirou das universidades estaduais a liberdade de remanejar seus recursos. Agora todos fazem parte de um grande sistema de controle centralizado, e, segundo um dirigente do governo paulista, "todos os setores da administração pública devem se submeter às mesmas regras" (estou citando de cabeça, mas foi mais ou menos isto que eu li). Eu seja, as universidades paulistas, de entes autônomos, voltam ao status de meras repartições públicas, da mesma forma que as federais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-4200181232293059418?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/4200181232293059418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=4200181232293059418' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4200181232293059418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/4200181232293059418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/02/retrocessos-da-educao-superior.html' title='Retrocessos da educação superior'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-2219792576813740232</id><published>2007-02-05T09:37:00.000-02:00</published><updated>2007-02-05T10:01:51.863-02:00</updated><title type='text'>Os Círculos Bolivarianos Leonel Brizola</title><content type='html'>Pela &lt;a href="http://www.revistapiaui.com.br/"&gt;revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Piaui,&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; versão cabocla do “New Yorker” produzida por João Moreira Salles, aprendi que temos, no Rio de Janeiro, os Círculos Bolivarianos Leonel Brizola, que participaram ativamente da homenagem que a Assembléia Legislativa do estado prestou a Hugo Chávez, concedendo-lhe a Medalha Tiradentes.  Nunca tinha percebido a afinidade óbvia entre Brizola e Chávez, mas faz todo o sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também fiquei sabendo quem é Lícia Fábio, dona de um dos principais camarotes do carnaval da Bahia;  algo da disputa entre Oscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha na elaboração de grandes projetos arquitetônicos para São Paulo, com interferências diversas de Jânio Quadros, Paulo Maluf, Marta Suplicy e o Partido Comunista, entre outros; e também, no texto de Guilherme Wisnik,  sobre o estilo&lt;span style="font-style: italic;"&gt; bunker &lt;/span&gt;da arquitetura da Daslu, tão distinto dos monumentos à modernidade à la Walter Benjamin que são os grandes magazines europeus e shopping centers americanos. Ah, e tem também a história do coreano que estava organizando o festival de rock da Coréia do Norte, e acreditava piamente, por um tempo, nas virtudes democráticas de Kim Jong-Il. E muito mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto para dizer que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Piaui&lt;/span&gt; vale muito bem os $7,90 que custa, apesar de alguns textos que não justificam o nome dos autores, como a brincadeira de Ivan Lessa sobre a mistoriosa briga de Garcia Márquez com Vargas Llosa dentro de um cinema, ou o texto do próprio Vargas Llosa sobre a privada e a pobreza, ou o de Woody Allen sobre como comia Zaratrusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pode ser que eu não estivesse com o humor apropriado, e a qualidade dos textos não tem como ser sempre a mesma. O principal, me parece, é a idéia central da publicação, de fazer uma crônica informada do quotidiano, acreditando na inteligência do leitor. Fica a recomendação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-2219792576813740232?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/2219792576813740232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=2219792576813740232' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2219792576813740232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9925818/posts/default/2219792576813740232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschwartzman.blogspot.com/2007/02/os-crculos-bolivarianos-leonel-brizola.html' title='Os Círculos Bolivarianos Leonel Brizola'/><author><name>Simon Schwartzman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02838650564051933886</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://www.iea.usp.br/iea/contato/imagens/simon.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9925818.post-2592357100542171213</id><published>2007-01-19T19:02:00.000-02:00</published><updated>2007-01-19T19:53:23.140-02:00</updated><title type='text'>Joao Batista de Oliveira: Ai vem o FUNDEB!</title><content type='html'>Uma das grandes novidades deste ano, na área da educação, deve ser o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, o FUNDEB, que substitui o antigo FUNDEF, que se referia somente à educação fundamental. Para quem não lembra, "educação fundamental" se refere aos 8 ou 9 anos de educação obrigatória, normalmente para as crianças entre 6 e 14 anos de idade; enquanto que "educação básica" inclui as creches, o ensino médio, a educação de jovens e adultos que não commpletaram a educação e querem voltar a estudar, etc. Mais dinheiro para a educação para todo mundo: quem poderia ser contra?  Porque não pensaram nisto antes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As perspectivas e os riscos do FUNDEB estão bem analisadas no texto de João Batista Araujo e Oliveira, que pode ser &lt;a href="http://schwartzman.org.br/blogs/fundebjb.pdf"&gt;baixado aqui &lt;/a&gt; . O principal risco do FUNDEB é que os recursos hoje destinados ao ensino fundamental acabem sendo diluidos, indo  em grande parte para este saco sem fundos que é a chamada EJA, a educação de jovens e adultos, que tem um público potencial de mais da metade da população brasileira. É claro que os que não completaram a educação regular têm direito e precisam recuperar a educação perdida, mas, se a experiência brasileira com o ensino regular público já é ruim, a experiência com a EJA é pior, e seria um grave erro desviar os recursos destinados às escolas regulares em benefício de programas educacionais de qualidade duvidosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro risco é que o governo federal não cumpra plenamente a promessa de colocar mais dinheiro na educação básica, como está na nova lei. É dificil imaginar que os estados e municipios possam ir além dos 25% da receita que já dedicam, obrigatoriamente, à educação, e que o governo federal possa ir além dos 18%  que lhe cabem. Além disto, devemos lembrar que a proposta de reforma do ensino superior prevê o aumento da percentagem dos gastos federais para este setor, em detrimento da educação básica. É claro que, se a economia voltar a crescer, pode haver mais dinheiro para todo mundo. Mas, mesmo havendo mais dinheiro, é importante que ele seja bem gasto, e que não se percam de vista as prioridades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9925818-2592357100542171213?l=sschwartzman.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschwartzman.blogspot.com/feeds/2592357100542171213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9925818&amp;postID=25923571005421712
